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LUCIANA FARIA28/01/2026 15:42
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Por que o Mercado de TI se tornou uma Ficção Científica Mal Escrita

    No abismo entre o que se lê nas manchetes e o que se vive nos sites de vagas.

    Como estudante e observador do sistema, noto que o mercado brasileiro de tecnologia transformou-se em uma contradição gigantesca.

    Dizem que o setor está "aquecido", no entanto, para quem está no campo de batalha, buscado uma oportunidade, o clima é de um inverno rigoroso, e quase sempre esperam que quem procura uma vaga, aceite resignadamente a situação. E o que a área de TI espera dos candidatos.

     As empresas não buscam profissionais; buscam o "Capitão Nemo": alguém capaz de operar máquinas complexas, em isolamento total, com recursos próprios e prontidão imediata.

    O discurso da escassez virou o álibi perfeito para processos seletivos que se assemelham a interrogatórios, e com exigências de Sênior para remunerações abaixo de Júnior se considerar empresas menores.

    Preveem o futuro com otimismo técnico, mas no RH moderno a distopia é uma realidade. Uma vaga de entrada hoje exige minimo 3 anos de experiencia, que você seja canivete suíço digital, domínio de tecnologias emergentes ( em algum casos pedindo mais anos de experiencia em dada tecnologia que a própria tem ) e isso para quem está começando, sem falar na idade.

    É uma lista de desejos de um autor de fantasia. O filtro automático e os algoritmos de recrutamento eliminam o talento promissor antes mesmo de ele ter chances de se desenvolver.

    Os profissionais qualificados, com maturidade técnica, abandonam o cenário nacional. São absorvidos pelo mercado externo, ganhando em moeda forte e trabalhando sob metodologias que respeitam a lógica.

    O que sobra no Brasil? Uma pressão esmagadora sobre os que ficam e uma barreira intransponível para quem tenta entrar.

    A Inteligência Artificial não veio para roubar o seu lugar, mas ela certamente aumentou o peso da carga. Agora, espera-se que o desenvolvedor produza mais, mais rápido e com menos suporte.

    No Brasil é uma consequência lógica de exportação de profissionais em formação.

    O profissional brasileiro financia a própria especialização e a empresa estrangeira colhe os frutos, simplesmente porque o mercado nacional se recusa a pagar parte do preço da formação profissional que inclui contratar profissionais sem experiencia ou vindos de transição de carreira, para que eles tenham tempo de ganhar experiência.

    A ilusão fantasiosa é pensar que depois de todo um investimento em tempo, esforço e dinheiro gastos do próprio bolso em diplomas, certificações cobradas em dólar para criar um portfólio que atenda a lista de desejos do empregadores típicos de hoje, que esse profissional vai trabalhar no Brasil, na primeira oportunidade ele vai bater asas para primeira vaga internacional que aparecer, deixando o mercado com profissionais em transição de carreira, estagiários e juniors que não são valorizados.

    O "apagão" não é falta de gente; é a recusa em investir em gente. E o preço disso poderá ser a insolvência tecnológica de empresas nacionais devido a fuga de talentos para o mercado externo.

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    Comentários (1)

    EO

    Eduardo Oliveira - 28/01/2026 18:33

    Concordo. 95% das vagas que vejo do setor "aquecido" são para seniors. Todas as empresas querem alguém que seja mestre ou doutor em várias linguagens, frameworks, banco de dados, etc. Todos exigem experiência (2 anos foi o menor que vi). Já vi muita gente fazendo cursos universitários na área de Computação só para se depara com a realidade após a graduação. Ninguém quer dar uma change ou formar os juniors, (como era feita não ha muito tempo atrás). Criaram um paradoxo, pois se ninguém treina os juniors como teremos seniors no futuro? Quando os atuais seniors se aposentarem, quem vai substitui-los? Me pergunto se é somente o RH ou toda a cúpula dessas empresas que pensam assim. E os bons que conheci, que tiveram oportunidade de se desenvolver como profissionais, saíram do Brasil.

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