Quando contar a própria história é o maior desafio e também a maior recompensa
Na última semana, enfrentei talvez o maior desafio da minha trajetória até aqui na tecnologia: falar sobre mim mesma.
Não era uma entrevista de emprego, nem uma apresentação técnica. Era um convite para compartilhar, de forma aberta e honesta, a minha jornada dentro do programa DIO Campus Expert. Fui chamada pelo Haruo para conversar com a Turma 12 sobre a minha experiência nas edições anteriores, sobre como entrei na tecnologia, sobre a comunidade de mulheres, os desafios enfrentados e o que espero do futuro.
Parece simples, né? Mas ali, entre o convite e o momento de abrir o microfone, se passou um turbilhão aqui dentro.
A vergonha de se expor (e por que ela vale a pena)
Falar sobre mim foi muito mais difícil do que qualquer código quebrado, qualquer projeto complexo.
Durante muito tempo, achei que escrever fosse a parte mais difícil, mas descobri que falar, especialmente sobre a própria história, é ainda mais desafiador. Porque, quando você compartilha sua história, não dá pra se esconder atrás de argumentos técnicos ou frameworks. Você aparece inteira. E, junto com a história, aparecem também os medos, as inseguranças, a autocrítica.
Me vi confrontando algo muito real: a vergonha.
Vergonha de não saber por onde começar.
De parecer vulnerável demais.
De alguém pensar que minha história não era “grande” ou “relevante” o suficiente.
Na verdade, eu nem tinha a pretensão de falar para outras pessoas, nem achava tão importante desenvolver essa habilidade de comunicação. Achava que bastava me dedicar às habilidades técnicas e que isso seria suficiente.
Mas aí veio a escolha: falar mesmo assim.
E no instante em que comecei a contar minha trajetória, percebi que estava abrindo não só minha história, mas um espaço seguro para que outras pessoas também se reconhecessem. Porque, por trás das diferenças, muitas de nós compartilham o mesmo sentimento: o de achar que não pertencem, que estão atrasadas, que não são boas o suficiente.
E, olha, valeu a pena passar vergonha.
O poder de inspirar, mesmo sem ter todas as respostas
Não tenho todas as respostas. Ainda estou construindo minha carreira. Ainda erro, ainda duvido. Mas foi justamente isso que me conectou com quem estava ouvindo. Não porque eu sei tudo, mas porque sou alguém como elas: aprendendo, persistindo e tentando fazer dar certo.
As mensagens que recebi depois da mentoria foram um presente. Principalmente mulheres dizendo: "Me identifiquei com sua história", "Você me deu coragem", "Agora sinto que também posso."
Foi aí que caiu a ficha: desenvolver habilidades técnicas é essencial, mas desenvolver a habilidade de falar, e falar com o coração — essa talvez seja a mais desafiadora e a mais transformadora de todas.
Falar é um ato de coragem — e também de conexão
A gente passa tanto tempo tentando se encaixar, que esquece que nossa história real tem valor.
Quando você compartilha suas vitórias e, principalmente, seus medos e tropeços, você cria uma ponte. E do outro lado da ponte, quase sempre, tem alguém que precisava exatamente ouvir o que você tem a dizer.
Essa experiência me ensinou que comunicação é sobre presença. É sobre estar ali, de verdade, com quem está te ouvindo. E mais: é sobre continuar mesmo com a voz trêmula. Porque, se tem uma coisa que aprendi, é que a vulnerabilidade não enfraquece a gente — ela nos humaniza.
E daqui pra frente?
Eu quero continuar falando. Quero continuar errando e aprendendo. Quero ajudar outras mulheres a entrarem e permanecerem na tecnologia. Quero seguir acreditando que contar minha história pode abrir caminho para que outras contem as delas.
Se você está aí, lendo até aqui, e sente que não tem nada “grande” pra contar — pode ficar sabendo que a sua experiência é valiosa. Sua história é suficiente. E, quando você compartilha com verdade, ela sempre encontra alguém que precisava ouvir.
Falar de si não é sobre ego. É sobre empatia. É sobre criar espaços onde mais pessoas possam se ver, se ouvir e, principalmente, se sentir parte.
Obrigada, Turma 12, por me ouvirem com tanto carinho.
Obrigada, Campus Expert, por me dar coragem de ocupar espaços.
E obrigada a mim mesma — por ter respirado fundo e contado minha história, mesmo com medo.
Porque no fim, vale a pena. Sempre.
Na série 'Desafiando Estereótipos: Uma Série sobre Tecnologia, Reinvenção e Inclusão', compartilho minha jornada de superação de barreiras e descoberta do meu espaço na tecnologia. Ao longo dos artigos, vou contar como enfrento estereótipos, me reinvento e busco um caminho que faça sentido para mim. Se você é uma mulher em um campo majoritariamente masculino, alguém que está mudando de carreira mais tarde na vida ou um profissional que busca um ambiente mais inclusivo, espero que minha história inspire você a seguir em frente. Acompanhe e junte-se a mim nessa jornada!