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Fernando Araujo
Fernando Araujo12/12/2025 23:16
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UFCG – O boi que virou BINGO

  • #Desperte o potencial

Sumário

1. Introdução

2. Campina Grande

3. A POLI

4. A UFPB – Campus II

5. A UFCG

6. Considerações finais

7. Referências

1 – Introdução

Eu nasci em Campina Grande, município do interior do estado da Paraíba que fica a 130 quilômetros da capital, João Pessoa. Além de ser o palco do tradicional “Maior São João do Mundo”, a cidade é referência em tecnologia.

Isso começou em 1968, quando lá foi instalado o primeiro computador do Norte e Nordeste do Brasil, o terceiro do país na época: um mainframe IBM 1130.

Com a ajuda da rifa de um boi, ele foi comprado para a Escola Politécnica da Paraíba (POLI), que depois passou a fazer parte da UFPB e, finalmente, virou a UFCG.

O BINGO é um radiotelescópio que está sendo instalado no município de Aguiar, no Sertão da Paraíba, fruto de um projeto que envolve o Brasil, a China e vários países, capitaneado pela USP, o INPE e a UFCG. Ele será usado para estudos sobre a estrutura cósmica e a energia escura.

Eu cursei a universidade em Campina Grande, me graduando em Engenharia Elétrica e, depois, em Ciências da Computação.

Este artigo vai contar a história de como Campina Grande conquistou tamanha relevância na área de tecnologia e como ela perdura até hoje. Eu também falo da minha presença lá, na universidade, ao longo dos anos.

O artigo foi escrito como uma atividade do DIO Campus Expert 14, da Digital Innovation One (DIO).

2 – Campina Grande

Segundo WIKIPEDIA [1], Campina Grande foi fundada em 1697 e virou cidade em 1864. No início do século XX, o algodão foi responsável pelo crescimento de Campina, atraindo comerciantes de todas as regiões do estado da Paraíba e de todo o Nordeste. Ela era a única cidade do interior do Brasil a possuir uma máquina de beneficiamento de algodão, enquanto a matéria prima necessária para a produção vinha de cidades produtoras vizinhas. Até 1931, a cidade foi a principal produtora de algodão do Brasil. 

A fonte usada para consulta das informações desta seção foi RESENDE [2].

RESENDE [2] afirma que durante a Segunda Guerra Mundial, a produção de algodão na Europa sofreu forte redução e, até a década de 40, Campina Grande se tornou a segunda maior exportadora de algodão do mundo, ficando atrás de Liverpool, na Inglaterra. 

Objetivando investir na formação da população de Campina, um grupo se juntou para planejar a construção da primeira instituição de ensino superior da cidade. Esse grupo era formado por economistas, engenheiros e profissionais liberais. Alguns eram de Campina, outros foram morar na cidade por conta do progresso resultante do algodão. Entre eles, estava o engenheiro Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque. 

E assim, foi criada a Escola Politécnica da Paraíba (POLI), depois ela virou um campus da UFPB e, finalmente, se transformou na UFCG. Estas 3 instituições formaram um legado de destaque em tecnologia para a cidade de Campina Grande.

A revista NEWSWEEK [3], na edição de abril de 2001, selecionou Campina Grande como uma das 9 “Tech Cities” do mundo, que representavam um novo modelo de Centro Tecnológico. As outras 8 cidades escolhidas pela revista foram: Akron, Huntsville, Oakland, Omaha e Tulsa (todas nos EUA), Barcelona (Espanha), Suzhou (China) e Côte d'Azur (França).

Segundo RESENDE [2], o motivo para o sucesso foi o Campus II da UFPB, chamado na época de Centro de Ciências e Tecnologia – CCT. Desde 1968, quando os acadêmicos conseguiram apoio para comprar o primeiro computador do nordeste, um mainframe IBM de 500 mil dólares, criou-se uma tradição na área de tecnologia que hoje tem reconhecimento em todo o mundo.

Em 2003, a cidade foi referenciada como o "Vale do Silício brasileiro”, por causa das pesquisas envolvendo o algodão colorido ecologicamente correto e da tecnologia high tech

3 – A POLI – Escola Politécnica da Paraíba

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A fonte usada para consulta das informações desta seção também foi RESENDE [2], a não ser quando informada outra fonte.

De acordo com RESENDE [2], em 1952, o grupo liderado por Lynaldo Cavalcanti começou a construir a Escola Politécnica da Paraíba (POLI), que começou a funcionar em 1954.

MONTENEGRO [4] diz que, desde o início, buscou-se a qualidade da POLI, desejando formar os melhores engenheiros da região. Então, os gestores da POLI usaram como modelos a Faculdade de Engenharia Civil de Pernambuco e o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Assim, só foi permitida a contratação de professores pelo critério da competência profissional, contrariando as práticas e as relações sociais e políticas da época.

Em 1964, Lynaldo assumiu a gestão da POLI. Ele ampliou os cursos existentes, criando Engenharia Elétrica, Engenharia Civil e pós-graduação nas duas áreas. Na gestão dele, conforme MONTENEGRO [4], foram realizados muitos convênios nacionais e estrangeiros, foram contratados muitos professores estrangeiros e de outras instituições destacadas do país, como o ITA, e Lynaldo procurou dar grande visibilidade à POLI.

Segundo TORRES [5], os convênios com órgãos e instituições nacionais foram realizados com USP, COPPE, ITA, SUDENE, DNOCS e outros; já as parcerias estrangeiras foram feitas com França, Canadá, Inglaterra, Alemanha e outros países.

Lynaldo desejava que a POLI competisse em qualidade com as principais instituições do Sudeste e decidiu comprar um computador, muito caro naquela época.

Em 1967, em plena ditadura militar, a POLI já era considerada uma parte da Universidade Federal da Paraíba - UFPB, que ficava em João Pessoa, cujo reitor na época era um interventor militar, que também era professor da escola de Medicina. Lynaldo propôs a aquisição do computador ao reitor, recebendo a resposta que isso era uma megalomania, que a UFPB não precisava de computador e que, se fosse comprar um, deveria ser instalado no Campus I, na capital, não no interior.

Lynaldo reuniu o mesmo grupo da criação da POLI e se juntou com a comunidade acadêmica de Campina Grande para planejar como financiar a aquisição do computador. Eles criaram uma instituição privada (Associação Técnica e Científica Ernesto Luís - ATECEL) com o único objetivo de viabilizar essa compra, evitando qualquer tipo de ingerência da UFPB.  

A sociedade campinense comprou a ideia e, logo, foi doado um Fusca e foi feita uma rifa. Depois, foi doado um boi (o boi do título!), também rifado (uma rifa, não foi um bingo). Venderam tudo no comércio, pois os comerciantes apoiaram o projeto, acreditando que a POLI, a ciência e a tecnologia levariam ao desenvolvimento da cidade.

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E deu certo! Em 1968, foi instalado na POLI o primeiro computador das regiões Norte e Nordeste do Brasil. Era um mainframe, modelo IBM 1130, apenas o terceiro mainframe a ser instalado no Brasil. Ele tinha uma capacidade de cálculo equivalente às primeiras calculadoras de bolso. Naquela época, a área da Ciência da Computação ainda estava no começo.

O computador contribuiu muito para o conhecimento dos alunos da POLI e foi fundamental para que a cidade evoluísse.

RESENDE [2] afirma que a Escola Politécnica foi extinta em 1977, quando se tornou oficialmente o Campus II da UFPB e que ela foi a grande responsável por transformar a cidade de Campina Grande em um polo de ensino superior no interior do Nordeste. A partir dela, a cidade passou a ter uma alternativa para ser uma cidade desenvolvida.

OBS. - E onde estava eu nesse momento? Não estava! Em 1977, com 15 anos, eu ainda não tinha entrado na universidade, estava cursando o 2º Grau, em um colégio da cidade. Mas já conhecia várias pessoas que tinham estudado e se graduado na POLI, em Medicina e nas Engenharias. 

3 – A UFPB – Campus II

Após se tornar oficialmente parte da UFPB, em 1977, como o Campus II, a universidade aumentou muito a sua oferta de cursos. No início da década de 80, já havia diversas Engenharias (Elétrica, Civil, Mecânica, Química, Agrícola etc.), Arquitetura e Urbanismo, Medicina, Desenho Industrial, Administração, Economia, vários Bacharelados, além de diversos programas de Mestrado e Doutorado em grande parte dos cursos.

O computador ainda era o IBM 1130, que não tinha terminais para os alunos programarem, apenas perfuradoras de cartões. Recentemente, um colega de Engenharia Elétrica me disse que ainda houve o IBM 360, depois trocado pelo IBM 370, mas eu não achei referências sobre estes dois modelos. Em 1984, o computador foi trocado por um mainframe de uma versão mais nova, o IBM 4341, que já tinha terminais compartilhados, com telas textuais verdes monocromáticas.

Na década de 80 foi criado o Parque Tecnológico da Paraíba - PaqTc, uma incubadora de empresas iniciantes e startups na área de tecnologia. Era o elo que faltava entre a criação da universidade e a indústria. A ideia da criação destas empresas era facilitar a industrialização e comercialização de produtos que eram frutos de pesquisas, de dissertações e teses de Mestrado e Doutorado, pois a universidade não tinha as condições nem agilidade de entregar produtos em escala industrial. 

Muitas destas empresas tinham professores da própria universidade envolvidos, como idealizadores, diretores, diretores técnicos, consultores etc. Era comum alunos da universidade, de graduação ou de pós-graduação, trabalharem nelas.

Segundo LUCENA [6], várias empresas se destacaram nesta época, com seus produtos sendo comercializados para todo o Brasil e o mundo. Alguns destaques são:

  • Iteel (Instituto de Tecnologia Eletro-Eletrônica) - criou o microcomputador Camaçari, para aplicações industriais, depois industrializado pela Calcom Informática, além de produtos de processamento de áudio;
  • Apel (Aplicações Eletrônicas) – criou o sistema (Mousike) para transmitir simultaneamente outros sinais (música) além de voz em linhas telefônicas, equipamentos para emissoras de rádio (mesas de som, equalizadores, mixers);
  • Datashop - Primeira software-house de Campina Grande, desenvolvendo sistemas administrativos para microcomputadores, contas a pagar e receber, tendo clientes como Prológica, Dismac e Gradiente;
  • Infosoft - desenvolvedora de softwares para sistemas Unix, depois mudou o nome para Light Infocon e criou o banco de dados Lightbase, com clientes no mundo todo. A empresa ainda está ativa e se chama Light Infocon.

 

Além de se beneficiarem da proximidade do Centro de Ciências e Tecnologia - CCT, que contava com os cursos de Engenharias e com o curso de Ciências da Computação, as empresas também contratavam técnicos formados na Escola Técnica Redentorista, que oferecia cursos técnicos de Eletrônica e Telefonia. Na década de 1980, Campina se firmou como produtora de tecnologia em software e programação.

Em 2002, o Campus II virou a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

OBS. - E onde eu estava? Bem, eu passei no Vestibular e iniciei o meu curso de Engenharia Elétrica na UFPB em 1980. Eu fui monitor em todos os semestres, recebi bolsa de pesquisa do CNPq e joguei basquete pelo time do curso e pela universidade.

Em 1992, já graduado em Elétrica e pós-graduado, mas ainda apaixonado por programação (desde a primeira disciplina de programação, em que aprendi a linguagem FORTRAN, em 1980), fiz outro vestibular e entrei no curso de Ciências da Computação, na mesma universidade. Também joguei basquete pelo time deste curso e continuei a jogar pela universidade. 

Dentre os professores recém-egressos do ITA contratados no início da POLI (segundo TORRES [5]), eu tive o privilégio de ser aluno do prof. Accioly (José Ivan Carnaúba Accioly), no curso de Engenharia Elétrica, e do prof. Hattori (Mário Toyotaro Hattori), no curso de Computação. Também tive vários professores estrangeiros nos dois cursos, da Índia, Canadá e EUA, alguns remanescentes das contratações iniciais da POLI.

Em 1993, passei em um concurso para trabalhar na CODATA (Cia. de Processamento de Dados da Paraíba), onde estou até hoje. A vaga era para o Laboratório de Meteorologia, Recursos Hídricos e Sensoriamento Remoto da Paraíba - LMRS-PB), núcleo estadual da Paraíba no Programa Nacional de Monitoramento do Tempo e Clima, ligado ao Instituto de Pesquisas Espaciais - INPE, que ficava dentro do campus da universidade. Aí, passei a trabalhar e fazer o curso de Computação ao mesmo tempo. Vida dura! 

Na verdade, antes de 1980, eu já tinha entrado na UFPB. Em 1979, ainda aluno do 3º Ano do 2º Grau, destacado em Matemática e Física, eu fui convidado pelo professor de Física para participar, como ouvinte, de um evento que iria ocorrer na UFPB. Era a 1ª Semana de Energia Nuclear, promovida pela Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN.

E lá estava eu, um adolescente no meio de professores, universitários e cientistas do mundo todo, apresentando artigos técnicos que eu tentava acompanhar (pelo menos as figurinhas!). Me senti um verdadeiro cientista!!!!!

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4 – A UFCG

Em 2002, o Campus II da UFPB e os outros campi do interior se tornaram autônomos e viraram a UFCG. A sede é em Campina e ela possui vários campi espalhados em 6 municípios do interior. 

A maior oferta de cursos se dá em Campina, com várias Engenharias, além de diversos programas de Mestrado e Doutorado em grande parte dos cursos. Em geral, os campi menores oferecem cursos focados nas necessidades regionais (como educação, agronomia, saúde e tecnologia).

Segundo CEEI [7], em Campina Grande, o CEEI – Centro de Engenharia Elétrica e Informática uniu dois antigos departamentos de Engenharia Elétrica (DEE) e o de Sistemas e Computação (DSC), mantendo professores e projetos. Hoje, além das aulas de graduação, Mestrado e Doutorado, o CEEI atua em projetos pesquisa e desenvolvimento (P&D), inovação tecnológica, bolsas de pesquisa e execução de soluções aplicadas;

A UFCG mantém parcerias com empresas nacionais e internacionais, via cooperação em projetos de pesquisa, desenvolvimento de tecnologia, suporte laboratorial, estágios e bolsas acadêmicas. Algumas parcerias se dão por leis de incentivo à pesquisa (Lei da Informática, EMBRAPII etc.), com empresas como: Petrobrás, Cenpes, Eletrobrás, Itaipu, Polícia Federal, Chesf, Energisa, Celpe, Coelba, FINEP, Positivo Informática, HP, Nokia, Motorola, WEG, Siemens, Ford, Samsung, entre outras.

Essa parceria com empresas renomadas resulta na contratação regular de talentos egressos da UFCG para empresas globais.

 

Os principais órgãos suplementares do CEEI/UFCG que mantém parcerias nas áreas de tecnologia são:

Laboratório “Embedded” – Segundo EMBBEDED [8], o Laboratório de Sistemas Embarcados e Computação Pervasiva (Embedded) é credenciado no Comitê da Área de Tecnologia de Informação (CATI) para receber recursos e realizar pesquisa e desenvolvimento nas áreas de: IOT (soluções IoT para as próximas gerações), Software-Hardware Co-Design (interação entre software e hardware) e Microeletrônica (sistemas embarcados e microeletrônica);

Laboratório VIRTUS – Segundo VIRTUS [9], o Núcleo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Tecnologia da Informação, Comunicação e Automação - VIRTUS - executa projetos na área de Plataformas de Sensoriamento Inteligente para a Indústria, em parceria com empresas internacionais nas áreas de: IoT, computação pervasiva, sistemas embarcados, automação industrial, redes e telecomunicações e hardware inteligente.

O VIRTUS é credenciado como Centro de Competência EMBRAPII em Hardware Inteligente para a Indústria, denominado VIRTUS-CC, um dos poucos centros especializados no país nessa área.

 

Avaliações Nacionais de Desempenho

Desde quando fazia parte da UFPB, a UFCG sempre foi muito bem avaliada entre as instituições de ensino superior do Brasil, principalmente os cursos de Engenharia Elétrica e Ciências da Computação, tanto na graduação como na pós-graduação.

Segundo RUF2025 [10], na última avaliação da CAPES para as pós-graduações (2017-2020):

  • Engenharia Elétrica – nível 7 (máximo, excelência internacional);
  • Computação – nível 4 (bom, adequado).

 

De acordo com CHATGPT [11], na última avaliação (novembro de 2025) do RUF (Ranking Universitário Folha), elaborado pela Folha de São Paulo anualmente para os cursos de graduação nacionais:

  • Engenharia Elétrica – posição 12 (entre mais de 400 cursos avaliados).
  • Computação – posição 21 (entre mais de 600 cursos avaliados);

O BINGO

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Segundo FALCI [12], o BINGO (esse é o BINGO do título do artigo!) é um radiotelescópio de grande porte, e será usado para observar o gás hidrogênio neutro no universo, realizando varreduras de sinais de rádio e contribuirá para estudos sobre a estrutura cósmica e a energia escura.

G1PB [13] afirma que a sigla BINGO significa: “Baryon Acoustic Oscillations In Neutral Gas Observations” (em tradução livre, "Oscilações Acústicas Bariônicas derivadas de Observações Integradas de Gás Neutro".

As instituições nacionais envolvidas, segundo SUPERINTERESSANTE [14], são a Universidade de São Paulo (USP), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e contará com pesquisadores da China, Brasil, Reino Unido, França e Suíça, entre outros países.

Ainda segundo G1PB [13], o equipamento está sendo instalado no município de Aguiar, no Sertão da Paraíba, local escolhido por ter baixo nível de interferência eletromagnética, sem sinal de celular ou rotas aéreas nas proximidades, além de ficar relativamente perto da UFCG, uma das parceiras do projeto.

Pela UFCG, de acordo com a EXPOTEC [15], o professor de Física João Rafael é o líder do estágio de Outreach da colaboração BINGO. Ele é doutor em Física e suas pesquisas se dão nas áreas de partículas, cosmologia e astrofísica.

FALCI [12] ainda diz que, associado ao projeto do BINGO, Brasil e China anunciaram a criação de um laboratório espacial conjunto, o Laboratório Conjunto China–Brasil de Tecnologia em Radioastronomia. Ele será dedicado ao desenvolvimento de tecnologias para observação astronômica, radioastronomia de alta sensibilidade, comunicação espacial e exploração do espaço profundo.

A estrutura será operada em parceria com a UFCG e a UFPB, que trabalharão junto à CETC (”China Electronics Technology Group Corporation”) em projetos de investigação científica e formação de especialistas em áreas estratégicas, como instrumentação, antenas, sensores e processamento de dados.

Para saber mais, acesse BINGO [16] (em inglês) ou MEDEIROS [17] (em português).


O Computador Quântico

Como se não bastasse a instalação do BINGO na Paraíba, segundo PETTERSON [18], recentemente foi assinada uma parceria entre o Governo do Estado da Paraíba e o Governo Federal, por meio da Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), para a criação do primeiro Centro Internacional de Computação Quântica do Brasil, que será construído na Paraíba.

A empresa chinesa de tecnologia CETC será responsável pela viabilização do projeto, que prevê a aquisição de um computador quântico, transferência de tecnologia e formação de pessoal especializado.

O início da implantação está previsto para o primeiro semestre de 2026. O projeto conta com investimentos de R$ 75 milhões.

Segundo PBGOV1 [19], o Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (SECTIES), Cláudio Furtado afirmou que o centro terá três eixos de atuação:

• desenvolvimento de cálculos avançados;

• transferência tecnológica;

• formação de recursos humanos com a vinda de pesquisadores internacionais e criação de um polo de conhecimento na área.

 

O espaço também deverá ter infraestrutura para visitação e apoio ao processamento de dados do Radiotelescópio BINGO, já em fase de instalação. 

Segundo PBGOV2 [20], já foi assinado com a Prefeitura de João Pessoa que o computador será implantado no prédio da Estação das Artes.

 

OBS. - E eu nessa UFCG? Não estou mais lá, nem morando em Campina (moro hoje em João Pessoa), mas como um campinense bairrista, vibro com cada conquista de lá e com meus colegas, professores e alunos que fizeram e fazem parte da UFCG.

5 – Considerações finais

Eu nasci em Campina Grande, cidade do interior da Paraíba, muito conhecida atualmente pelas suas festas juninas, o chamado “Maior São João do Mundo”, que ocorre todo ano, no mês de junho.

No passado, a cidade era famosa pelo seu comércio de algodão, chegando a ser o maior produtor de algodão do Brasil e um dos maiores do mundo.

No entanto, desde a década de 50, Campina passou a se destacar na área de tecnologia. Isso começou com a compra do primeiro computador (um mainframe IBM 1130) do Norte e Nordeste do Brasil, o terceiro do país, para a primeira instituição de ensino superior da cidade, a POLI.

Para a compra desse computador, foi até rifado um boi para ajudar a juntar os recursos.

Após alguns anos, a POLI se tornou parte da UFPB (Campus II) e continuou a se destacar na área de tecnologia, com vários cursos (de graduação, Mestrado e Doutorado), recebendo nota máxima nas avaliações nacionais.

Em 2002, a universidade ganhou sua autonomia, se tornando a UFCG. Aí, vieram grandes conquistas como os laboratórios Embbeded e VIRTUA, o BINGO e o Computador Quântico.

Então, aquele boi, que foi rifado para a compra do primeiro computador da POLI, anos depois, de muita dedicação à tecnologia da UFPB e da UFCG, levou ao projeto do BINGO. Ou seja, o boi que virou BINGO!

Este artigo resgatou a história do sucesso da cidade de Campina Grande na área de tecnologia, desde o primeiro computador da POLI até a participação da UFCG em grandes projetos globais na área.

No meio dessa história, eu pontuei a minha participação como aluno da UFCG, observador e figurante da paisagem da universidade nestes momentos.

E você? Conhece a história da sua universidade? Vibra com as conquistas dela? Lembra das suas histórias com seus colegas, professores, disciplinas? Pois aproveite e conte aqui em um artigo. Eu vou adorar ler!!!

6 – Referências

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[1] WIKIPEDIA. Campina Grande. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Campina_Grande>. Acesso em: 10/12/2025

[2] RESENDE, André. Referência na tecnologia, Campina Grande teve 1º computador do Norte e Nordeste do Brasil. Disponível em: https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2019/10/11/referencia-na-tecnologia-campina-grande-teve-1o-computador-do-norte-e-nordeste-do-brasil.ghtml. Acesso em: 10/12/2025.

[3] NEWSWEEK. "A New Brand of Tech Cities". April/2001. Disponível em: <https://www.newsweek.com/new-brand-tech-cities-149911>. Acesso em: 10/12/2025.

[4] MONTENEGRO, Rosilene Dias. Contando histórias, construindo o passado: memórias da Escola Politécnica da Paraíba. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 23., 2005, Londrina. Anais do XXIII Simpósio Nacional de História – História: guerra e paz. Londrina: ANPUH, 2005. Disponível em: <https://anpuh.org.br/uploads/anais-simposios/pdf/2019-01/1548206573_d55f5f3e5f82d5a43bf35b6e4e596f4c.pdf>. Acesso em: 11/12/2025.

[5] TORRES, José Valmi Oliveira Torres. Escola politécnica e a construção identitária de Campina Grande como pólo tecnológico (1952-1973). Orientadora: Rosilene Dias Montenegro. 2010. Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, 2010. Disponível em: <https://dspace.sti.ufcg.edu.br/handle/riufcg/28446>. Acesso em: 11/12/2025.

[6] LUCENA, Rodolfo. A Tecnologia Cresce no Agreste. Revista Dados & Ideias, fevereiro/1986.

[7] CEEI. Centro de Engenharia Elétrica e Informática. Disponível em: <https://ceei.ufcg.edu.br/>. Acesso em: 11/12/2025

[8] EMBBEDED. Laboratório de Sistemas Embarcados e Computação Pervasiva - embbeded. Disponível em: <https://www.embedded.ufcg.edu.br/>. Acesso em: 11/12/2025.

[9] VIRTUS. VIRTUS. Disponível em: <https://www.virtus.ufcg.edu.br/>. Acesso em: 11/12/2025

[10] RUF2025. Ranking Universitário da Folha (RUF 2025). Disponível em: <https://ruf.folha.uol.com.br/2025/ranking-de-universidades/principal/>. Acesso em: 12/12/2025

[11] CHATGPT. Avaliação da CAPES para cursos de pós-graduação. Disponível em: <https://chatgpt.com/>. Acesso em: 12/12/2025

[12] FALCI, Bruno. China e Brasil avançam em parceria científica com laboratório espacial e radiotelescópio. Disponível em: <https://www.brasildefato.com.br/2025/12/11/china-e-brasil-avancam-em-parceria-cientifica-com-laboratorio-espacial-e-radiotelescopio/>. Acesso em: 12/12/2025

[13] G1PB, Radiotelescópio para estudar energia escura parte da China rumo ao Sertão da Paraíba. Disponível em: <https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2025/06/11/radiotelescopio-para-estudar-energia-escura-parte-da-china-rumo-ao-sertao-da-paraiba.ghtml>. Acesso em: 12/12/2025

[14] COSTA, Luisa. Radiotelescópio Bingo, no interior da Paraíba, investigará energia escura. Disponível em: <https://super.abril.com.br/ciencia/radiotelescopio-bingo-no-interior-da-paraiba-investigara-energia-escura/>. Acesso em: 12/12/2025

[15] EXPOTEC. Astro, Cosmos e o Telescópio 'BINGO'. Disponível em: <https://www.expotec.org.br/noticia/77-maratona-de-programao--vista.html>. Acesso em: 12/12/2025

[16] BINGO. BINGO-ABDUS Consortium - Advanced BINGO Dark Universe Studies. Disponível em: <https://bingotelescope.org/bingo-abdus-consortium/>. Acesso em: 12/12/2025

[17] MEDEIROS, Davi. Radiotelescópio construído no Brasil vai investigar a evolução do Universo.  Disponível em: <https://www.estadao.com.br/ciencia/radiotelescopio-construido-no-brasil-vai-investigar-a-evolucao-do-universo/>. Acesso em: 17/11/2025

[18] PETTERSON, Alan. Paraíba terá 1º computador quântico do Brasil com investimento de US$ 10 mi. Disponível em: <https://movimentoeconomico.com.br/tecnologia/2025/10/02/paraiba-tera-1o-computador-quantico-do-brasil-com-investimento-de-us-10-mi/>. Acesso em: 11/12/2025.

[19] PBGOV1. João Azevêdo se reúne com representantes da CETC e anuncia implantação do primeiro Centro de Computação Quântica do Brasil. ). Disponível em: <https://paraiba.pb.gov.br/noticias/joao-azevedo-se-reune-com-representantes-da-cetc-e-anuncia-implantacao-do-primeiro-centro-de-computacao-quantica-do-brasil>. Acesso em: 12/12/2025

[20] PBGOV2. Governo da Paraíba e Prefeitura de João Pessoa celebram termo de cessão de uso para implantação de Centro Internacional de Computação Quântica na Estação das Artes. Disponível em: <https://paraiba.pb.gov.br/noticias/governo-da-paraiba-e-prefeitura-de-joao-pessoa-celebram-termo-de-cessao-de-uso-para-implantacao-de-centro-internacional-de-computacao-quantica-na-estacao-das-artes>. Acesso em: 12/12/2025

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Comentários (4)
Fernando Araujo
Fernando Araujo - 16/12/2025 08:58

Obrigado, Marcio!

É verdade! A visão de Linaldo Cavalcanti e o grupo inicial deu início a tudo isso, mas a manutenção dessa relevância em tecnologia de Campina Grande tem personagens apaixonados que foram empreendedores desde o início, quando nem se falava no termo.

Se não fosse essa relevância em tecnologia, a cidade estaria fadada a ser mais um município do interior do Nordeste, como tantos outros!

Marcio Gil
Marcio Gil - 15/12/2025 19:22

Muito bom, Fernando!

Gostei muito da forma como o artigo conecta a história local de Campina Grande com a evolução tecnológica da região. A imagem do “boi que virou BINGO” é uma metáfora inspiradora: mostra como o esforço coletivo e a visão da comunidade podem transformar recursos simples em conquistas científicas e educacionais de grande impacto. 

Fernando Araujo
Fernando Araujo - 15/12/2025 08:53

Olá, Luiz!

Obrigado! Nesse ano eu escrevi poucos artigos, estou planejando novas publicações para o ano que vem, em formatos diferentes. Cada lembrança de uma disciplina, de um jogo de basquete, de causos, me refresca a memória com boas histórias dos colegas, professores e do longo tempo em que estive presente na universidade.

Acho que todos têm lembranças assim e dariam ótimos artigos!


Luiz Café
Luiz Café - 13/12/2025 16:52

Olá, Fernando! Como é bom poder ter a alegria de ler um artigo seu aqui na DIO mais uma vez. Como sempre é mais um dos seus textos inspiradores, que despertam a reflexão e mostram como pequenas iniciativas coletivas podem gerar impactos gigantes ao longo do tempo. A história do “boi” simboliza bem o espírito de união e visão de futuro da comunidade de Campina Grande. É emocionante perceber como esse passado simples ajudou a construir uma trajetória sólida em ciência e tecnologia. O artigo reforça que inovação também nasce de coragem, colaboração e propósito compartilhado.

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