Do terminal ao GitHub: como documentei o hardware do meu notebook com Obsidian
Recentemente decidi transformar meu notebook atual em um pequeno projeto de documentação técnica.
A proposta era simples no começo: levantar as informações de hardware da máquina, registrar benchmarks e organizar tudo de uma forma que fizesse sentido para consultas futuras. Mas, no processo, isso acabou virando algo mais interessante: uma baseline técnica do meu ambiente, documentada em Markdown no Obsidian e versionada em um repositório no GitHub.
Mais do que listar especificações, a ideia foi praticar algo que considero muito valioso em tecnologia: entender o ambiente real, documentar de forma estruturada e gerar material que possa ser revisitado no futuro.
Objetivo do projeto
O objetivo principal foi criar um registro técnico do estado atual do meu notebook para servir como ponto de comparação em situações como:
- manutenção
- upgrades
- mudança de sistema
- comparação de desempenho
- análise de comportamento ao longo do tempo
Ao mesmo tempo, também aproveitei esse processo como exercício prático de documentação técnica, organização de informação e uso de ferramentas que fazem sentido no dia a dia de quem trabalha ou estuda tecnologia.
Ferramentas utilizadas
Para montar essa documentação, usei um fluxo que gostei bastante:
- Terminal Linux para coletar informações do sistema, hardware e benchmarks
- Obsidian para organizar tudo em Markdown
- GitHub para versionar e publicar a documentação
- Markdown como formato principal do relatório
Esse processo deixou o projeto mais interessante porque a documentação não ficou solta em anotações isoladas. Ela passou a existir como um material técnico organizado, editável e versionável.
O ambiente documentado
O equipamento analisado foi um Dell Inspiron 5468, em configuração multi-boot, usado com diferentes sistemas conforme o contexto de uso.
O ambiente inclui:
- Ubuntu
- Windows 11
- Kali Linux
A ideia de documentar esse cenário foi justamente registrar uma máquina de uso real, com múltiplos sistemas, diferentes contextos de uso e limitações concretas de hardware.
Como fiz a coleta
Toda a coleta foi feita pelo terminal do Linux, usando comandos para identificar:
- sistema operacional e kernel
- CPU
- memória RAM
- BIOS e placa-mãe
- GPU e driver gráfico
- armazenamento e partições
- saúde do SSD com SMART
- interfaces de rede
- bateria
- sensores e temperaturas
- benchmarks de CPU e disco
Além disso, fui salvando saídas relevantes e organizando a interpretação no Obsidian, em vez de apenas colar blocos brutos de terminal.
Esse ponto foi importante para mim: o foco não era só “rodar comandos”, mas transformar dados em documentação útil.
Principais achados do hardware
A máquina analisada tem a seguinte base:
- CPU: Intel Core i3-6006U
- Cores / threads: 2 núcleos / 4 threads
- GPU: Intel HD Graphics 520
- Memória RAM: 12 GB DDR4
- Armazenamento: SSD Kingston A400 480 GB
- Firmware: BIOS Dell com suporte a UEFI
- Estrutura de disco: GPT com partições para múltiplos sistemas
Mesmo sendo um equipamento mais antigo, achei interessante ver como ele ainda entrega um conjunto funcional para estudo, produtividade, terminal, documentação, navegação e desenvolvimento leve.
Análise por componente
Processador
O Intel Core i3-6006U é um processador de entrada da 6ª geração da Intel. Ele não foi projetado para cargas pesadas, mas ainda atende bem tarefas como:
- navegação
- estudos
- multitarefa moderada
- uso de terminal
- documentação técnica
- desenvolvimento leve
O benchmark de CPU com sysbench registrou 270.60 events/s, o que é coerente com a proposta desse processador: estabilidade em tarefas cotidianas, mas com limites claros em workloads mais exigentes.
Memória RAM
Um dos pontos que mais me chamou atenção foi a configuração de memória:
- 8 GB DDR4 Samsung
- 4 GB DDR4 em um segundo módulo
- total de 12 GB instalados
- capacidade máxima da placa: 16 GB
Embora a quantidade total ainda seja razoável para muitos cenários, a máquina usa módulos diferentes, com clocks nominais distintos, operando em velocidade ajustada para compatibilidade. Isso não inviabiliza o uso, mas mostra um ponto que poderia ser melhorado no futuro com uma configuração mais equilibrada.
Armazenamento
O SSD identificado foi um Kingston A400 de 480 GB, com interface SATA.
Os testes mostraram resultados compatíveis com a categoria do dispositivo:
- leitura em torno de 336 MB/s
- escrita sequencial em torno de 366 MB/s
Para um SSD SATA de entrada, esse desempenho é suficiente para garantir boa responsividade no uso diário, inicialização do sistema e abertura de programas.
Além disso, a análise SMART indicou:
- saúde geral aprovada
- suporte a TRIM
- temperatura normal
- vida útil restante em 95
Ou seja, o SSD segue funcional e saudável no geral.
Ponto de atenção no SSD
Apesar do estado geral positivo, apareceu um contador SMART de erros CRC SATA muito alto, o que merece observação.
Esse tipo de indicador nem sempre significa desgaste interno do SSD. Em muitos casos, ele pode estar relacionado a histórico de comunicação na interface SATA. Ainda assim, achei importante registrar isso na documentação, justamente porque a ideia da baseline é também destacar pontos que merecem acompanhamento futuro.
GPU
A GPU detectada foi a Intel HD Graphics 520, usando o driver i915.
Como esperado de uma solução integrada, ela atende bem:
- interface gráfica
- navegação
- reprodução de mídia
- produtividade
- uso geral do sistema
Ao mesmo tempo, deixa claro o limite do equipamento em cenários gráficos mais pesados, como jogos exigentes, renderização 3D ou edição mais intensa.
Bateria
Outro dado interessante foi o estado da bateria. A coleta indicou cerca de 85,39% da capacidade original, o que considero um resultado bom para um notebook dessa geração.
Isso mostra um desgaste natural, mas ainda com condição utilizável para mobilidade e uso cotidiano sem um comprometimento extremo.
Temperaturas
As leituras de sensores mostraram temperaturas saudáveis no momento da coleta, com a CPU operando na faixa de 42°C a 43°C em uso leve.
Esse tipo de dado complementa bem a documentação porque ajuda a entender não só o que a máquina “tem”, mas também como ela está se comportando.
O papel do Obsidian nesse processo
Um dos pontos que mais gostei nesse projeto foi usar o Obsidian para estruturar a documentação.
Em vez de deixar comandos e resultados espalhados, consegui montar um relatório técnico com:
- seções bem definidas
- inventário de hardware
- benchmarks
- interpretação dos dados
- observações sobre gargalos e pontos de atenção
Usar Markdown também tornou tudo mais portátil, legível e fácil de versionar.
GitHub como repositório da documentação
Depois de estruturar a documentação no Obsidian, levei o material para um repositório no GitHub.
Isso adicionou uma camada muito interessante ao projeto, porque a documentação deixa de ser apenas um arquivo local e passa a ter:
- histórico de alterações
- versionamento
- organização de projeto
- potencial de portfólio técnico
Na prática, isso transformou uma atividade que poderia ser apenas um levantamento de hardware em algo mais próximo de um projeto real de documentação.
O que esse exercício me mostrou
Esse processo reforçou uma ideia importante para mim: até um notebook de uso pessoal pode virar um excelente exercício técnico quando a proposta não é apenas observar o hardware, mas documentar, interpretar e acompanhar o ambiente.
Mais do que registrar especificações, esse projeto me ajudou a praticar:
- leitura de informações do sistema
- análise de desempenho
- documentação técnica
- organização em Markdown
- versionamento com GitHub
Conclusão
Criar uma baseline técnica do meu notebook foi uma forma prática de unir análise de sistema, documentação e organização de projeto.
O resultado não foi apenas uma lista de peças ou um conjunto de prints do terminal, mas um material técnico estruturado, construído no Obsidian e preparado para acompanhamento futuro no GitHub.
Para mim, esse foi o ponto mais interessante do projeto: transformar uma máquina real, com limitações reais e uso real, em um caso prático de documentação técnica.



