Dois P.O.s no mesmo projeto: Eficiência ou Receita para o Caos?
A teoria ágil é clara: o Product Owner é uma pessoa única. O "pescoço" que o time de desenvolvimento sabe onde encontrar quando a prioridade aperta. Mas, na vida real — especialmente em projetos densos como Plataformas de Segurança da Informação e Riscos — a carga de conhecimento exigida é descomunal.
Surge então a pergunta inevitável: Podemos ter dois P.O.s atuando juntos?
Como gestor de projetos ágeis, minha resposta curta é: Cuidado. ### O Dilema do P.O. Duplo Segurança da Informação envolve camadas complexas. De um lado, temos o Compliance, as normas e a gestão de riscos (o olhar de negócio). Do outro, temos a arquitetura técnica, criptografia e integrações (o olhar de plataforma). É tentador colocar um especialista para cada lado e chamá-los de P.O.s.
Porém, sem uma governança clara, o que era para ser colaboração vira conflito de prioridade:
- O P.O. de Riscos quer o dashboard de vulnerabilidades pronto para a auditoria de amanhã.
- O P.O. Técnico quer priorizar o refactoring da API de autenticação para garantir a resiliência.
- O Time de Desenvolvimento fica no meio do fogo cruzado.
Quando a divisão funciona?
Se o projeto for robusto demais para uma só cabeça, a solução não é "dividir o poder", mas sim especializar a atuação:
- A Estrutura de Chief P.O.: Um P.O. Principal mantém a visão estratégica e o "voto de minerva", enquanto P.O.s auxiliares (ou BAs) detalham módulos específicos (ex: um foca em IAM, outro em Monitoramento).
- Separação por Domínios Claros: Se a plataforma for um ecossistema, você pode ter P.O.s diferentes para times diferentes, cada um com seu próprio Backlog, mas sob uma mesma diretriz técnica.
- Apoio de Business Analysts (BAs): Muitas vezes, o que o P.O. precisa não é de um "sócio", mas de braço técnico para traduzir requisitos complexos de segurança em histórias de usuário refinadas.
O Backlog é Sagrado
Independente de quantas pessoas ocupem o papel, a regra de ouro do Agilismo permanece: Um time, um Backlog.
Se você tem dois P.O.s, eles precisam estar em uma "sincronia ninja". O time de desenvolvimento não deve, sob hipótese alguma, decidir quem ouvir primeiro. A priorização deve chegar mastigada e consensual.
Conclusão
Ter dois P.O.s em um projeto de Segurança da Informação pode salvar a sanidade técnica, mas pode matar a agilidade se não houver um "voto de minerva" definido. Agilidade não é sobre ter mais cargos, é sobre tomar decisões rápidas e assertivas.
E você? Já trabalhou em um cenário com dois P.O.s? O resultado foi sinergia ou paralisia? Vamos debater nos comentários! 👇



