E os que não podem parar de trabalhar para estagiar?
Muito se fala sobre a importância do estágio na área de tecnologia. É o famoso “primeiro passo”, onde se aprende na prática, se conecta com o mercado e finalmente começa a trilhar o tão sonhado caminho profissional.
Mas pouco (ou quase nada) se fala sobre quem não pode se dar ao luxo de estagiar.
Tem gente que estuda à noite, trabalha em outra área durante o dia, cuida da casa, dos filhos, e ainda tenta encontrar um tempo para programar, fazer projetos, entender novas ferramentas e sonhar com uma transição de carreira. E aí, quando surge uma vaga de estágio, o cenário é sempre o mesmo:
- Bolsa de R$800,00 pra 6h por dia
- Presencial, mesmo pra funções remotas
- Nenhuma flexibilidade pra quem já tem jornada dupla (ou tripla)
A realidade é que o modelo atual de estágio exclui quem mais se esforça.
E o mercado, infelizmente, ainda valoriza mais a disponibilidade do que a garra.
Não é falta de vontade. É falta de condição.
Tem muita gente talentosa por aí — mães solo, trabalhadores noturnos, estudantes de faculdades públicas, pessoas em recomeço — que poderiam contribuir muito, se ao menos o sistema abrisse espaço.
Será que não está na hora das empresas também estagiarem… em empatia?
Fica o convite pra repensar:
Será que o seu processo seletivo considera as diferentes realidades? Ou só quem pode “se dedicar exclusivamente” merece uma chance?
✨ Por uma tecnologia mais acessível, mais justa e mais humana.
Bárbara Elen
Dev em transição | Mãe | Faturista no HMURV | Estudante de Sistemas de Informação
#Estágio #TransiçãoDeCarreira #Tecnologia #Inclusão #Diversidade #RealidadeBrasileira #DevMãe #MulheresNaTecnologia




Excelente reflexão, Bárbara. Sua escrita dá voz a uma realidade silenciada: o abismo entre o discurso de inclusão no setor de tecnologia e a prática ainda elitista dos processos seletivos, especialmente nos estágios.
Ao expor com sensibilidade o paradoxo entre garra e disponibilidade exclusiva, você propõe algo essencial: repensar a equação de mérito, que frequentemente desconsidera os contextos sociais, econômicos e familiares dos candidatos. A frase “será que as empresas também não deveriam estagiar… em empatia?” é uma provocação poderosa, e deveria ecoar em cada departamento de RH e liderança técnica.
Um ponto que poderia enriquecer ainda mais essa conversa: como você imagina que as empresas poderiam redesenhar seus programas de estágio para acolher quem já tem outras jornadas em curso?
muito bom