O que o AgentCon Rio me ensinou sobre o futuro do desenvolvimento com IA
No último sábado (13/06), participei do AI Agents World Tour, em sua edição carioca, o AgentCon Rio. Foi a primeira vez que acompanhei um evento global com esse foco específico: agentes de código e o impacto real que eles já causaram na rotina de quem desenvolve software. Saí de lá com a cabeça fervilhando de ideias, e por isso decidi organizar por escrito os principais aprendizados, tanto para fixar o conteúdo quanto para compartilhar com quem, como eu, construiu a carreira na área de tecnologia.
Neste artigo, reuni três reflexões que considerei essenciais e que já planejei aplicar na minha rotina de estudos e desenvolvimento.
A IA no editor de código foi muito além do autocomplete
O primeiro grande aprendizado veio de um workshop sobre desenvolvimento agêntico com TypeScript, no qual exploramos na prática o Agent Mode do VS Code.
Até então, meu contato com o GitHub Copilot se limitou a aceitar ou rejeitar sugestões de autocomplete. Funcionou, mas foi uma relação passiva: a IA sugeriu, eu decidi. O workshop mudou essa percepção ao mostrar que existe um nível bem mais sofisticado de uso, baseado no que se chama de engenharia de contexto.
Na prática, isso significou guiar a IA de forma ativa e estratégica ao longo do ciclo de desenvolvimento: fornecer o contexto certo, no momento certo, para que o agente entendesse não apenas o que escrever, mas por que escrever daquela forma, dentro daquela arquitetura, seguindo aquele padrão do projeto. Foi a diferença entre ter um assistente que completa frases e ter um colaborador que entende o problema.
Essa mudança de chave foi sutil, mas transformou completamente a forma como aproveitei essas ferramentas. Não bastou ter acesso ao agente; foi preciso saber conduzi-lo.
O fim do "vibe coding" e a importância do controle técnico
O segundo ponto, e talvez o mais relevante de todo o evento, apareceu em duas apresentações diferentes que se complementaram perfeitamente.
A primeira palestra trouxe um alerta direto: programar sem critérios técnicos, deixando o agente gerar código sem uma direção clara, comprometeu a qualidade do software no médio e longo prazo. Foi o que ficou popularmente conhecido como "vibe coding", aquela prática de ir pedindo coisas para a IA sem uma especificação prévia e aceitando o que vem de volta só porque parece funcionar. A defesa apresentada foi o Spec-Driven Development (SDD), uma abordagem em que a especificação técnica veio antes do código, reduzindo ambiguidades desde o início.
A segunda apresentação aprofundou esse mesmo raciocínio ao explicar o conceito de Harness Engineering. Juntando as duas ideias, entendi que o fluxo de trabalho com agentes precisou ser estruturado de ponta a ponta, e isso passou por algumas etapas bem definidas:
- Reduzimos a ambiguidade com uma especificação clara, fatiando as funcionalidades em partes menores e bem delimitadas.
- Fornecemos o contexto exato ao agente, nem mais, nem menos do que ele precisou para resolver aquele pedaço específico do problema.
- Estabelecemos limites rígidos de testes antes de aceitar qualquer código gerado, validando que ele realmente fez o que deveria fazer.
O ponto central, repetido de formas diferentes pelos dois palestrantes, foi que o controle final do que entrou no projeto sempre deveu ser do desenvolvedor. A IA acelerou a produção de código, mas não substituiu o julgamento técnico sobre o que foi, de fato, uma boa solução.
Posicionamento de mercado e adaptação à realidade tecnológica
O terceiro aprendizado veio de um painel sobre habilidades indispensáveis para quem trabalha ou quer trabalhar com tecnologia. A conversa girou em torno do futuro da carreira e das soft skills necessárias para se manter relevante num mercado em transformação acelerada.
Ficou bastante evidente, ao longo da discussão, que tentar resistir ou ignorar a evolução da IA é uma postura que prejudica quem constroi ou está contruindo carreira na área. Essas ferramentas já fizem parte da rotina das empresas, e esse movimento não é uma tendência passageira.
Para quem, como eu, busca consolidar seu espaço na área de tecnologia, o painel deixou uma mensagem clara: a chave para se manter relevante não está em escolher entre base técnica e ferramentas de IA, mas em unir as duas coisas. Uma base técnica sólida, networking intencional e o uso inteligente dessas inovações formam, juntos, o caminho mais consistente para crescer profissionalmente nesse novo cenário.
O que levei desse evento
Se eu tivesse que resumir o AgentCon Rio em uma única ideia, seria esta: a engenharia de software que aprendi desde que comecei na área, com foco em arquitetura limpa, documentação e testes, nunca foi tão essencial quanto agora.
Existe uma tentação de pensar que, com agentes cada vez mais capazes, esses fundamentos perderiam importância. O evento mostrou exatamente o contrário. A inteligência artificial não substitui quem sabe planejar e estruturar soluções; ela potencializa o profissional que sabe dar a direção técnica correta. Sem essa base, o agente apenas acelera a produção de problemas. Com ela, ele se tornou um multiplicador real de produtividade.
Como alguém que está em formação na área, esse evento reforçou algo que considerei fundamental: dominar os fundamentos de engenharia de software continua sendo o investimento mais sólido que posso fazer, porque é isso que me permite usar essas novas ferramentas com critério, e não apenas seguir a maré.
Este artigo foi uma reflexão sobre minha participação no AgentCon Rio, parte do AI Agents World Tour. Meus agradecimentos à organização do evento e a todos os palestrantes que compartilharam seu conhecimento de forma tão generosa.



