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Tiago Leopoldo
Tiago Leopoldo19/06/2026 15:35
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O que o AgentCon Rio me ensinou sobre o futuro do desenvolvimento com IA

    No último sábado (13/06), participei do AI Agents World Tour, em sua edição carioca, o AgentCon Rio. Foi a primeira vez que acompanhei um evento global com esse foco específico: agentes de código e o impacto real que eles já causaram na rotina de quem desenvolve software. Saí de lá com a cabeça fervilhando de ideias, e por isso decidi organizar por escrito os principais aprendizados, tanto para fixar o conteúdo quanto para compartilhar com quem, como eu, construiu a carreira na área de tecnologia.

    Neste artigo, reuni três reflexões que considerei essenciais e que já planejei aplicar na minha rotina de estudos e desenvolvimento.

    A IA no editor de código foi muito além do autocomplete

    O primeiro grande aprendizado veio de um workshop sobre desenvolvimento agêntico com TypeScript, no qual exploramos na prática o Agent Mode do VS Code.

    Até então, meu contato com o GitHub Copilot se limitou a aceitar ou rejeitar sugestões de autocomplete. Funcionou, mas foi uma relação passiva: a IA sugeriu, eu decidi. O workshop mudou essa percepção ao mostrar que existe um nível bem mais sofisticado de uso, baseado no que se chama de engenharia de contexto.

    Na prática, isso significou guiar a IA de forma ativa e estratégica ao longo do ciclo de desenvolvimento: fornecer o contexto certo, no momento certo, para que o agente entendesse não apenas o que escrever, mas por que escrever daquela forma, dentro daquela arquitetura, seguindo aquele padrão do projeto. Foi a diferença entre ter um assistente que completa frases e ter um colaborador que entende o problema.

    Essa mudança de chave foi sutil, mas transformou completamente a forma como aproveitei essas ferramentas. Não bastou ter acesso ao agente; foi preciso saber conduzi-lo.

    O fim do "vibe coding" e a importância do controle técnico

    O segundo ponto, e talvez o mais relevante de todo o evento, apareceu em duas apresentações diferentes que se complementaram perfeitamente.

    A primeira palestra trouxe um alerta direto: programar sem critérios técnicos, deixando o agente gerar código sem uma direção clara, comprometeu a qualidade do software no médio e longo prazo. Foi o que ficou popularmente conhecido como "vibe coding", aquela prática de ir pedindo coisas para a IA sem uma especificação prévia e aceitando o que vem de volta só porque parece funcionar. A defesa apresentada foi o Spec-Driven Development (SDD), uma abordagem em que a especificação técnica veio antes do código, reduzindo ambiguidades desde o início.

    A segunda apresentação aprofundou esse mesmo raciocínio ao explicar o conceito de Harness Engineering. Juntando as duas ideias, entendi que o fluxo de trabalho com agentes precisou ser estruturado de ponta a ponta, e isso passou por algumas etapas bem definidas:

    1. Reduzimos a ambiguidade com uma especificação clara, fatiando as funcionalidades em partes menores e bem delimitadas.
    2. Fornecemos o contexto exato ao agente, nem mais, nem menos do que ele precisou para resolver aquele pedaço específico do problema.
    3. Estabelecemos limites rígidos de testes antes de aceitar qualquer código gerado, validando que ele realmente fez o que deveria fazer.

    O ponto central, repetido de formas diferentes pelos dois palestrantes, foi que o controle final do que entrou no projeto sempre deveu ser do desenvolvedor. A IA acelerou a produção de código, mas não substituiu o julgamento técnico sobre o que foi, de fato, uma boa solução.

    Posicionamento de mercado e adaptação à realidade tecnológica

    O terceiro aprendizado veio de um painel sobre habilidades indispensáveis para quem trabalha ou quer trabalhar com tecnologia. A conversa girou em torno do futuro da carreira e das soft skills necessárias para se manter relevante num mercado em transformação acelerada.

    Ficou bastante evidente, ao longo da discussão, que tentar resistir ou ignorar a evolução da IA é uma postura que prejudica quem constroi ou está contruindo carreira na área. Essas ferramentas já fizem parte da rotina das empresas, e esse movimento não é uma tendência passageira.

    Para quem, como eu, busca consolidar seu espaço na área de tecnologia, o painel deixou uma mensagem clara: a chave para se manter relevante não está em escolher entre base técnica e ferramentas de IA, mas em unir as duas coisas. Uma base técnica sólida, networking intencional e o uso inteligente dessas inovações formam, juntos, o caminho mais consistente para crescer profissionalmente nesse novo cenário.

    O que levei desse evento

    Se eu tivesse que resumir o AgentCon Rio em uma única ideia, seria esta: a engenharia de software que aprendi desde que comecei na área, com foco em arquitetura limpa, documentação e testes, nunca foi tão essencial quanto agora.

    Existe uma tentação de pensar que, com agentes cada vez mais capazes, esses fundamentos perderiam importância. O evento mostrou exatamente o contrário. A inteligência artificial não substitui quem sabe planejar e estruturar soluções; ela potencializa o profissional que sabe dar a direção técnica correta. Sem essa base, o agente apenas acelera a produção de problemas. Com ela, ele se tornou um multiplicador real de produtividade.

    Como alguém que está em formação na área, esse evento reforçou algo que considerei fundamental: dominar os fundamentos de engenharia de software continua sendo o investimento mais sólido que posso fazer, porque é isso que me permite usar essas novas ferramentas com critério, e não apenas seguir a maré.

    Este artigo foi uma reflexão sobre minha participação no AgentCon Rio, parte do AI Agents World Tour. Meus agradecimentos à organização do evento e a todos os palestrantes que compartilharam seu conhecimento de forma tão generosa.

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