Centenas de currículos enviados. Zero entrevistas. E não, o problema não é só o ATS.
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- #Cloud
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Olá, comunidade da DIO!
Como profissional que atua com recrutamento, todos os dias recebo currículos, solicitações de conexão no LinkedIn e mensagens de profissionais procurando uma oportunidade.
E existe algo que chama a atenção:
Muitos currículos e portfólios estão cada vez mais parecidos.
Hoje, com a ajuda da inteligência artificial, candidatos conseguem otimizar o currículo, adaptar palavras-chave para uma vaga e tentar aumentar as chances de passar pelos filtros automatizados.
Só que existe um problema que quase ninguém fala:
Você pode ter um currículo excelente, otimizado para ATS e ainda assim não ser chamado para uma entrevista.
Sabe por quê?
Porque talvez você esteja apontando para as portas de entrada mais disputadas do mercado.
Isso acontece principalmente com quem está começando em tecnologia ou tentando fazer uma transição de carreira.
Durante muito tempo, tecnologia foi associada quase exclusivamente a programação. Para muita gente, trabalhar com TI significava saber codar, dominar várias linguagens ou ser aquele “gênio da matemática” que passa o dia programando, isolado dentro do quarto.
Mas essa visão está incompleta.
Desenvolvimento de software é apenas a ponta do iceberg.
Abaixo dela existe um ecossistema enorme de áreas técnicas: suporte, QA e testes, infraestrutura, Cloud, dados e SQL, automação, ERP, SAP, TOTVS, Salesforce, ServiceNow e muitas outras.
E é justamente sobre essa parte menos conhecida do mercado que quero falar.
Neste artigo, vou mostrar algumas áreas de tecnologia que vale a pena investigar quando o objetivo é encontrar caminhos de entrada no mercado, especialmente para quem ainda não possui muita experiência ou está migrando de carreira.
Isso não significa que essas áreas sejam fáceis, que não exijam preparação ou que exista garantia de contratação.
Não existe curso mágico e não existe atalho garantido.
A ideia é outra:
Ampliar o seu mapa.
Porque talvez o problema não seja o seu currículo.
Talvez você simplesmente esteja tentando entrar pela porta mais disputada de um mercado que tem muitas outras portas que ficam ocultas.
A definição de “Júnior” pode não ser aquilo que você imagina
Quando falamos em profissional júnior, é comum imaginar alguém sem experiência, no início da carreira, talvez cursando uma faculdade ou fazendo seu primeiro curso profissionalizante.
Mas o mercado não possui uma definição única para o termo “Júnior”.
Dependendo da empresa e da função, uma posição júnior pode exigir alguma experiência profissional, estágio, projetos práticos ou conhecimento prévio das ferramentas utilizadas no dia a dia.
Por isso, encontrar uma vaga com o título “Júnior” e descobrir que ela pede experiência não significa necessariamente que a empresa está procurando um profissional sênior disfarçado.
Pode significar que ela procura alguém que ainda esteja no início daquela função, mas que já consiga lidar com determinados problemas práticos com algum nível de autonomia.
Essa experiência pode vir de diferentes lugares:
- Estágio;
- Trainee;
- Projetos acadêmicos ou pessoais
- hackathons;
- freelas;
- experiências profissionais relacionadas;
- ou outras atividades que demonstrem conhecimento prático.
E existe uma diferença importante entre “não ter experiência na profissão” e “não ter nenhuma experiência que possa ser aproveitada para aquela profissão”.
Imagine alguém que trabalhou durante anos com atendimento ao cliente e agora quer entrar em suporte técnico.
Essa pessoa não começa necessariamente do zero.
Ela ainda precisa desenvolver conhecimentos técnicos, mas já possui experiência com comunicação, atendimento, resolução de problemas e relacionamento com usuários.
O mesmo pode acontecer com alguém que trabalhou com processos administrativos e pretende migrar para sistemas corporativos.
Ou com alguém que trabalhou com análise de informações e deseja desenvolver conhecimentos de SQL e dados.
A pergunta, portanto, não deveria ser apenas:
“Eu tenho experiência?”
Talvez a pergunta mais importante seja:
“Que experiência eu já tenho que pode ser aproveitada no caminho que quero seguir?”
E é justamente aqui que começamos a enxergar que tecnologia é muito maior do que desenvolvimento de software.
TI não é só código
Durante muito tempo, quando alguém dizia:
“Quero trabalhar com tecnologia.”
A resposta quase automática era:
“Você sabe programar?”
Só que essa pergunta já limita o tamanho do mercado.
Uma empresa precisa de software, mas também precisa de profissionais para testar esse software, prestar suporte, manter infraestrutura, trabalhar com dados, administrar sistemas corporativos, configurar plataformas, automatizar processos e manter as operações funcionando.
É aqui que começa a aparecer a parte do iceberg que quase ninguém vê.
🛠️ Suporte
Imagine uma empresa com centenas de funcionários.
Alguém precisa resolver problemas de acesso, sistemas, equipamentos, chamados e incidentes.
Esse é um dos universos em que profissionais de suporte atuam.
Além do conhecimento técnico, suporte também desenvolve uma habilidade extremamente importante: resolver problemas reais sob pressão.
Você aprende a investigar, fazer perguntas, identificar causas, documentar soluções e lidar com pessoas que precisam de ajuda.
E suporte pode ser apenas o começo.
A experiência adquirida pode ajudar o profissional a conhecer melhor outras áreas de tecnologia e, posteriormente, buscar novas especializações.
Isso não significa que suporte seja uma “carreira inferior” ou apenas um lugar para passar rapidamente.
Significa que, para algumas pessoas, pode ser uma das portas que vale a pena investigar.
🧪 QA e Testes
Agora imagine que uma empresa acabou de desenvolver uma nova funcionalidade.
Antes de colocá-la nas mãos dos clientes, alguém precisa descobrir:
O que pode dar errado?
É aí que entram profissionais de QA e testes.
Eles podem atuar na criação de cenários, execução de testes, identificação de problemas, documentação de bugs e validação de funcionalidades.
Dependendo da posição, também podem aparecer testes de API, automação e conhecimentos de programação.
Mas aqui está uma informação que muita gente desconhece:
trabalhar com qualidade de software não significa necessariamente começar como desenvolvedor.
Existem diferentes níveis de atuação e diferentes requisitos.
E existe uma característica importante nessa carreira: o profissional precisa aprender a pensar como alguém que procura problemas antes que eles cheguem ao usuário.
Isso exige raciocínio, atenção aos detalhes e conhecimento do produto.
☁️ Infraestrutura e Cloud
Aplicações precisam rodar em algum lugar.
Redes precisam funcionar.
Servidores precisam ser configurados.
Ambientes precisam ser monitorados.
Dados precisam ser armazenados.
E sistemas precisam continuar disponíveis quando os usuários estão trabalhando.
É nesse universo que entram infraestrutura, redes, servidores, sistemas operacionais e computação em nuvem.
Com a expansão dos serviços digitais, essa área ganhou ainda mais importância para as empresas.
E novamente encontramos uma possibilidade que muitas pessoas que querem entrar em tecnologia simplesmente não consideram.
Talvez você descubra que gosta mais de entender como os sistemas funcionam, se conectam e são mantidos do que de desenvolver aplicações.
E isso também é tecnologia.
🗄️ SQL, dados e sistemas
Aqui existe outra confusão importante.
Trabalhar com dados ou SQL não significa necessariamente ser um DBA.
Um administrador de banco de dados possui responsabilidades específicas, como administração, segurança, disponibilidade, backup e performance.
Mas existem diversas outras funções em que conhecimentos de Excel, SQL, bancos de dados e sistemas corporativos aparecem no dia a dia.
Já encontrei oportunidades em que o profissional precisava justamente lidar com essa combinação.
E aqui existe uma percepção que vale a pena corrigir:
o Excel não morreu.
Mesmo com o crescimento da inteligência artificial e de ferramentas cada vez mais sofisticadas, empresas continuam precisando organizar, analisar, cruzar e apresentar informações.
Quando conhecimentos de Excel se juntam a SQL e ao entendimento de sistemas e dados, abre-se um universo de possibilidades profissionais que vai muito além da imagem tradicional de “programador”.
🏢 ERP, SAP e TOTVS
Essa é uma área que muita gente procurando “profissão em TI” sequer considera.
Grandes empresas dependem de sistemas corporativos para executar processos de vendas, compras, estoque, finanças, logística, recursos humanos e muitas outras operações.
É nesse universo que aparecem plataformas como SAP e TOTVS.
E, por trás desses sistemas, existem profissionais trabalhando com suporte, operação, configuração, dados, processos, análise funcional e outras atividades.
Não estamos falando necessariamente de desenvolvimento de software tradicional.
Estamos falando de pessoas que precisam entender tecnologia e negócio ao mesmo tempo.
E essa combinação pode ser especialmente interessante para profissionais que já possuem experiência em alguma área corporativa e desejam fazer uma transição para tecnologia.
☁️ Salesforce e ServiceNow
E existem ainda plataformas corporativas que criaram seus próprios ecossistemas profissionais.
Salesforce → Administração → Consultoria → Implementação → Desenvolvimento
ServiceNow → Administração → Configuração → ITSM → Automação → Desenvolvimento
Talvez você nunca tenha ouvido falar em algumas dessas funções.
E essa é justamente a questão.
Você sabia que essas carreiras existiam?
Não estou dizendo que elas sejam fáceis ou que sejam atalhos para conseguir emprego.
Estou dizendo que, se você conhece apenas desenvolvimento de software, provavelmente está enxergando uma parcela muito pequena do mercado de tecnologia.
Então é só fazer um curso e mandar currículo que a vaga é minha?
Agora vem a parte que talvez você não queira ouvir: descobrir uma nova área não significa que você vai conseguir emprego automaticamente.
Curso não garante emprego.
Certificação também não.
Uma vaga júnior não significa necessariamente primeiro emprego.
Algumas áreas exigem experiência.
Outras podem exigir graduação.
Inglês pode ser requisito importante para determinadas oportunidades.
Conhecimento prático pode aparecer entre os requisitos.
E sim, existem áreas bastante concorridas.
Isso não significa que não existam vagas.
Significa que a concorrência pode ser maior e que o caminho até a primeira oportunidade pode exigir mais preparação.
Mas existe uma diferença fundamental:
Quando você conhece a função que deseja exercer, consegue estudar com objetivo.
Em vez de pensar:
“Vou fazer um curso de tecnologia.”
Você passa a pensar:
“Quero entender se consigo trabalhar com ServiceNow. Quais vagas existem? O que elas pedem? Quais requisitos eu já tenho? O que falta? Como posso desenvolver isso?”
Essa mudança de mentalidade é o verdadeiro objetivo deste artigo.
Você deixa de estudar simplesmente porque alguém disse que determinada tecnologia “está em alta”.
E começa a estudar porque identificou um caminho profissional que deseja investigar.
Antes de escolher um curso, escolha uma direção
Você quer trabalhar remotamente ou presencialmente?
Tem disponibilidade para mudar de cidade?
Precisa de uma oportunidade rapidamente ou consegue investir mais tempo em preparação?
Prefere trabalhar com pessoas, sistemas, dados ou infraestrutura?
Gosta de resolver problemas?
Tem facilidade para analisar informações?
Já possui experiência em alguma área que pode ser aproveitada?
Essas perguntas parecem simples, mas podem mudar completamente a sua escolha.
Este artigo não foi escrito para entregar respostas prontas.
Foi escrito para provocar uma pergunta:
“Qual dessas portas faz sentido para mim?”
Porque eu não posso — e nem devo — decidir isso por você.
O que posso fazer é mostrar que essas portas existem.
Conclusão
Se você está enviando currículo e não recebe respostas, talvez esteja na hora de parar de enviar mais currículos por alguns minutos e começar a fazer outra coisa:
pesquisar o mercado.
- Descubra quais funções existem.
- Analise vagas reais que façam sentido para você.
- Leia os requisitos com atenção.
- Observe quais conhecimentos aparecem repetidamente.
- Compare com aquilo que você já sabe.
- Identifique o que falta.
- E só então escolha como se preparar.
Você não precisa necessariamente encontrar uma maneira de passar pela mesma porta que todo mundo está tentando atravessar.
Talvez precise descobrir outra.
E ela não precisa ser a sua porta para sempre.
Pode ser apenas o primeiro passo.
Quero saber de você
Qual área de tecnologia você está tentando entrar hoje? Desenvolvimento, QA, Suporte, Cloud, Dados, SAP, TOTVS, Salesforce, ServiceNow ou outra?



