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Carlos CGS
Carlos CGS23/03/2026 09:04
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🎮 Como Usei IA para Criar um Jogo para Minhas Filhas em um Domingo Chuvoso

  • #Python
  • #Inteligência Artificial (IA)
  • #Engenharia de Prompt

🌌 CodeVerse2026 – Artigo #06

🧑💻 Fala Galera Dev! 👋

Nos artigos anteriores do CodeVerse2026 falamos bastante sobre GitHub, organização de projetos e a importância de um README bem estruturado para apresentar nosso trabalho ao mundo. Vimos também como pequenos detalhes de organização podem fazer uma enorme diferença na forma como recrutadores e outros desenvolvedores enxergam nosso portfólio.

Mas hoje eu quero trazer algo um pouco diferente. Em vez de falar apenas de organização de código ou boas práticas de documentação, quero contar uma experiência prática que tive no ano passado. Uma experiência simples, do dia a dia, mas que acabou se tornando um projeto muito interessante do ponto de vista de aprendizado com IA e Engenharia de Prompt.

Isso foi em novembro do ano passado, em um domingo chuvoso, daqueles que parecem feitos para ficar em casa sem muita pressa. Mas para quem tem criança pequena sabe que a energia dos pequenos não diminui com a chuva, e para resolver isso resolvi criar esse pequeno projeto que vamos ver a seguir...

🌧 Um domingo comum que virou um projeto

Era domingo, 02 de novembro de 2025. O clima estava meio feio aqui na minha cidade, com aquele céu cinza típico de dias chuvosos. Era um daqueles domingos preguiçosos, entre o almoço e o café da tarde, quando todo mundo fica mais relaxado em casa, tentando encontrar alguma coisa para fazer.

Em um determinado momento, uma cena curiosa chamou minha atenção na sala. Minhas filhas, de quatro e sete anos, estavam rindo, pulando e desviando como se estivessem jogando videogame. Mas havia algo estranho naquela situação: não havia controle, não havia console e não havia nenhum jogo rodando no computador.

O que estava acontecendo, na verdade, era que havia apenas um vídeo no YouTube passando na televisão. O vídeo mostrava obstáculos aparecendo na tela e as crianças simplesmente reagiam a eles como se estivessem dentro do jogo. Elas pulavam, desviavam e gritavam como se aquilo fosse uma experiência interativa.

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Foi naquele momento que tive um pequeno insight. E se eu criasse um jogo de verdade para elas? Será que eu consigo fazer isso?

💡 A ideia parecia louca… mas possível

Minha primeira reação foi pensar que talvez aquilo fosse complicado demais. Afinal, eu não sou um dev com experiencia na criação de jogos. Nunca tinha parado para estudar profundamente engines de game development ou frameworks avançados para esse tipo de projeto.

Mas logo veio outro pensamento que mudou minha perspectiva.

Eu talvez não soubesse tudo sobre criação de jogos, mas sabia algumas coisas importantes. Eu sei um pouco de programação. Eu já tinha estudado e feito alguns projetos em Python, inclusive o CodeVerse2025 no qual estava terminado de dividir com a comunidade tech como consegui recriar o JARVIS. E principalmente, eu já estava começando a explorar o uso de IA como apoio no desenvolvimento de software.

Foi ai que pensei: se eu juntar programação + curiosidade + IA, talvez seja possível construir algo simples, mas divertido. E foi assim que comecei a codar.

No inicio eu não falei pra ninguém, afinal o game poderia não sair. Apenas peguei meu note enquanto elas estavam "jogando" e comecei a codar no sofá da sala. e assim o jogo foi saindo começando com algo muito importante que é a engenharia de prompt.

🤖 O papel da Engenharia de Prompt nesse processo

Antes de continuar a história, vale explicar rapidamente um conceito importante que esteve presente durante todo esse projeto: Engenharia de Prompt.

Esse nome pode parecer algo muito técnico à primeira vista, mas a ideia é relativamente simples. Engenharia de Prompt é basicamente a habilidade de conversar com uma inteligência artificial de forma clara e estratégica para obter melhores resultados.

Não se trata apenas de escrever algo como “crie um jogo”. Isso normalmente gera respostas genéricas ou incompletas. O segredo está em explicar para a IA o contexto, o objetivo e as características do que você deseja construir.

É como explicar um projeto para um colega desenvolvedor. Você precisa dizer o que imagina, como gostaria que funcionasse e quais tecnologias poderiam ser usadas. Quanto mais claro você for, maiores são as chances da IA responder de forma útil.

Foi exatamente isso que comecei a fazer.

💬 Minha primeira conversa com a IA

Quando abri o ChatGPT naquele dia, minha intenção inicial não era pedir um jogo pronto. Eu queria primeiro entender se aquilo era tecnicamente possível. Então comecei com uma pergunta simples, quase como uma curiosidade.

Perguntei se seria possível criar um jogo simples em Python que detectasse movimentos de uma pessoa através da câmera do computador. A ideia era que as crianças pudessem pular ou desviar fisicamente para evitar obstáculos no jogo.

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A resposta veio rapidamente. E para minha surpresa, além da explicação conceitual, o modelo também sugeriu um exemplo de código funcional utilizando algumas bibliotecas de visão computacional.

E um detalhe, como você pode reparar ai acima, escrevi com alguns erros de português, e com um prompt sem muita estrutura, mas eu fiz questão de mostrar o meu prompt, pois quero mostrar que não precisa ser um especialista ou escrever de forma muito técnica o importante é saber passar as informações que você quer. Afinal não é sobre a IA não saber as respostas de nossas questões. Somos nós que não sabemos perguntar o que desejamos.

Entre elas as bibliotecas que me foram sugeridas estavam:

  • OpenCV
  • MediaPipe
  • NumPy

Essas bibliotecas permitem fazer reconhecimento de imagem e rastreamento de movimentos através da câmera. Naquele momento percebi que talvez aquele projeto realmente fosse possível.

⚙ Desenvolvimento acelerado com IA

Depois de receber o primeiro exemplo de código, importei tudo para o VS Code e comecei a testar. O código inicial ainda era bem simples, mas já mostrava que a lógica básica funcionava.

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A partir daí começou a parte mais interessante do processo: iterar o projeto. Fui ajustando pequenas partes do código, corrigindo variáveis mal nomeadas, ajustando indentação e reorganizando a estrutura geral do script.

Durante essa fase utilizei bastante o GitHub Copilot, que ajudava sugerindo correções e complementando algumas partes do código. Em muitos momentos ele acelerou bastante o processo, principalmente quando eu precisava implementar pequenas funcionalidades.

Mas aqui vale destacar algo importante: a IA ajuda muito, mas não faz milagres. Em várias ocasiões precisei revisar manualmente o código gerado, corrigir lógicas que não funcionavam como esperado e até reescrever algumas partes.

O sistema de colisão, por exemplo, precisei refazer mais de uma vez até que funcionasse corretamente.

🎨 Adicionando vida ao jogo

Com a lógica básica funcionando, o próximo passo era tornar o jogo mais divertido visualmente. Afinal, não bastava apenas ter um algoritmo rodando. Era preciso criar algo que realmente fosse interessante para as crianças. Para isso comecei a buscar alguns recursos visuais e sonoros.

Os sons eu baixei do site Pixabay, que possui uma biblioteca gratuita com vários efeitos sonoros e trilhas simples. Ali encontrei música de fundo, sons de pulo e efeitos de colisão que ajudaram a dar mais vida ao jogo.

As imagens eu peguei da internet e utilizei um site chamado remove.bg para remover o fundo das figuras. Isso facilitou muito a criação dos personagens e dos obstáculos que apareceriam na tela.

Com esses elementos adicionados, o jogo começou a ganhar forma. Em menos de duas horas eu já tinha algo rodando, mas calma lá. Tudo rodou em menos de duas horas, mas nesses duas horas tiveram bastantes percalços, e muitas dificuldades que foram superadas sem se apavorar, buscando identificar onde estava os problemas e resolve-los.

⚠ Problemas que apareceram no caminho

Nem tudo foi simples durante o desenvolvimento. Um dos problemas mais curiosos que enfrentei foi com o carregamento das imagens do jogo.

Passei bastante tempo tentando entender por que os sprites não estavam aparecendo corretamente. Depois de investigar um pouco mais percebi que o erro era algo extremamente simples. Eu havia nomeado a pasta como “sprits” em vez de “sprites”.

Esse pequeno erro de digitação estava impedindo que o jogo encontrasse os arquivos corretamente. Depois de corrigir o nome da pasta tudo voltou a funcionar.

Esse tipo de situação mostra algo importante: muitas vezes o problema não está no algoritmo complexo, mas em detalhes simples.

👨‍👩‍👧‍👦O momento mais importante do projeto

Quando finalmente mostrei o jogo para as meninas, aconteceu algo muito interessante.

Elas começaram a jogar imediatamente. Levantavam as mãos e o personagem pulava de verdade, desviavam dos obstáculos e competiam para ver quem conseguia fazer mais pontos. O que antes era apenas um vídeo passivo no YouTube se transformou em uma competição saudável e interativa dentro de casa.

No final das contas até meu filho mais velho acabou entrando na brincadeira, tentando superar suas irmãs mais novas, chamando até minha esposa a tentar superar seus recordes de pontuação. Eu, a pessoa que escrevi o jogo não fiquei em primeiro lugar na pontuação, afinal não tenho muita prática com esse tipo de game. kkkkkk

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Foi naquele momento que percebi algo curioso: a tecnologia, que muitas vezes é vista como algo que isola as pessoas, mantendo uma comunicação virtual e distante, etc, mas naquele instante estava fazendo exatamente o contrário. Ela estava aproximando todos de casa.

🧠 O que aprendi com Engenharia de Prompt

Durante o desenvolvimento desse pequeno projeto percebi que alguns princípios são extremamente importantes quando usamos IA como apoio no desenvolvimento.

O primeiro deles é a clareza na descrição do problema. Sempre que eu explicava de forma detalhada o que queria, a resposta da IA vinha muito mais útil e alinhada com minha intenção.

Outro ponto importante foi dividir o projeto em partes menores. Em vez de pedir o jogo inteiro de uma vez, fui construindo o projeto passo a passo. Primeiro o motor básico, depois os obstáculos, depois o sistema de pontuação.

Também percebi que reescrever o prompt muitas vezes fazia diferença. Quando a resposta não vinha exatamente como eu esperava, eu reformulava a pergunta e explicava de outro jeito.

Esse processo me ensinou algo muito importante: o prompt é apenas o início. O verdadeiro trabalho está em entender o que a IA gera e saber adaptar aquilo para o seu projeto.

🎮 O jogo: Kids Runner

No final das contas o projeto recebeu o nome de Kids Runner. Ele foi desenvolvido utilizando Python e a biblioteca Pygame, que é bastante utilizada para jogos simples e protótipos educacionais.

O jogo possui três personagens jogáveis inspirados em emoções: Alegria, Tristeza e Raiva. O jogador pode escolher entre eles antes de iniciar a partida.

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A lógica é simples. O personagem precisa desviar de obstáculos que aparecem na tela enquanto a pontuação aumenta conforme o tempo de sobrevivência.

O jogo pode ser controlado pelo teclado, mas também possui uma versão experimental que utiliza reconhecimento de movimentos pela câmera, levantando os braços o personagem pula, virando o tronco de seu corpo para os lados o personagem se movimenta entre as três faixas para desviar dos obstáculos.

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Cada obstáculo evitado aumenta a pontuação. Após dez colisões o jogo termina e o placar final é exibido.

🚀 Concluindo...

Esse projeto começou com algo extremamente simples: um domingo chuvoso e duas crianças brincando na sala. Mas acabou se tornando uma experiência muito rica do ponto de vista de aprendizado para mim, afinal foi nesse momento que eu percebi que mesmo tendo pouco conhecimento sobre certa tecnologia, junto da IA e a base que carrego comigo de programação, consigo crie projetos reais que impactam a vida das outras pessoas.

Criar esse jogo me mostrou que hoje temos ferramentas incríveis à nossa disposição. Com o apoio de IA e um pouco de curiosidade, é possível transformar ideias simples em projetos reais em muito menos tempo do que imaginávamos alguns anos atrás.

Mas também ficou claro que a IA não substitui o desenvolvedor. Ela acelera processos, sugere caminhos e ajuda a resolver problemas, mas quem realmente constrói o projeto continua sendo o ser humano. A partir daí comecei a dedicar certo tempo para tirar projetos antigos do papel, como o jogo WoldWar que apresentei no artigo03 dessa serie do CodeVerse2026

No final das contas, esse pequeno jogo me ensinou mais sobre programação, criatividade e uso prático da IA do que muitos cursos puramente teóricos. E talvez essa seja a grande lição.

A tecnologia é mais poderosa quando usamos ela para criar, aprender e aproximar pessoas, saindo da teoria e colocando em prática!

Se esse conteúdo te ajudou de alguma forma peço que de uma estrela lá no repositório do projeto no meu GitHub, segue lá nas minhas redes sociais para mais conteúdos como esse:

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