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Allan Lauzid
Allan Lauzid13/01/2026 23:52
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Java: do legado à era da nuvem e da IA

    Código legado Java é bastante comum nas empresas por aí afora. Java 8 é um dos mais famosos, apesar de estarmos no Java 25 desde setembro de 2025.

    Mas uma pergunta que muitos não sabem a resposta: Qual é a diferença?

    Apesar da sua robustez e solidez, as atualizações do Java são bastante pertinentes às novas tecnologias.

    Desde sua origem, Java é voltado para ser uma plataforma "enterprise", ou seja, ele prioriza:

    • Estabilidade acima de tudo: Sistemas precisam rodar por anos sem parar
    • Compatibilidade retroativa: Atualizações não podem quebrar sistemas antigos
    • Escalabilidade vertical: Rodar em servidores grandes, caros, com muita RAM
    • Governança: Controle, padronização, auditoria, compliance
    • Infraestrutura pesada: Data centers próprios, servidores físicos, clusters

    A evolução do Java no mundo corporativo não acontece versão a versão, mas sim por meio das versões LTS (Long-Term Support) — releases que recebem anos de suporte, correções de segurança e estabilidade, e por isso são as únicas adotadas de forma massiva em produção. As versões intermediárias (9, 10, 12–16, 18–20, 22–24) funcionam como ciclos de inovação que alimentam essas LTS. Nesse artigo falaremos somente das versões LTS, cuja a linha de evolução é: Java 8 → 11 → 17 → 21 → 25

    A seguir faço um resumo dessas atualizações e sua relevância.

    Do Java 8 ao Java 11: a reinvenção silenciosa da plataforma

    O Java 8 foi um marco por introduzir programação funcional (lambdas, streams, Optional), mas ele ainda carregava um modelo de runtime (o conjunto da JVM, bibliotecas padrão e mecanismos de execução que definem como o programa consome memória, CPU e carrega classes) pensado para servidores físicos e aplicações monolíticas.

    A grande ruptura acontece no Java 9 (versão intermediária que alimenta o Java 11 LTS), com o Project Jigsaw:

    • o antigo rt.jar monolítico é quebrado, ou seja, o enorme arquivo que continha todas as bibliotecas padrão da JVM é dividido em módulos menores e isolados
    • surge o Java Platform Module System (JPMS), um sistema que define explicitamente quais módulos um aplicativo usa e quais APIs cada módulo expõe
    • o runtime (o ambiente mínimo de execução da aplicação: JVM + bibliotecas necessárias) passa a ter encapsulamento forte e dependências explícitas, impedindo que aplicações acessem APIs internas de forma insegura ou acidental

    Isso permite:

    • reduzir o footprint da JVM: reduzir a quantidade de memória, bibliotecas e código carregado em execução, tornando a aplicação mais leve
    • eliminar boa parte do “JAR Hell”, o problema clássico de conflitos de versões de bibliotecas em tempo de execução
    • gerar runtimes sob medida com jlink, criando um runtime otimizado para containers e microsserviços

    O Java 10 adiciona inferência de tipos (var), reduzindo verbosidade sem abrir mão da tipagem estática. Por exemplo:

    var lista = new ArrayList<String>();
    
    // em vez de:
    
    ArrayList<String> lista = new ArrayList<>();
    
    

    O Java 11 consolida tudo isso e se torna o novo padrão corporativo, trazendo:

    • novo HttpClient assíncrono e com HTTP/2, permitindo comunicação moderna entre microsserviços sem bibliotecas externas
    • APIs modernas para Strings (isBlank, lines, repeat, strip), facilitando manipulação de texto
    • remoção de módulos legados (Java EE, CORBA, Applets), eliminando dívida técnica do runtime
    • JVM preparada para ambientes containerizados, passando a respeitar limites de CPU e memória impostos por Docker e Kubernetes

    A partir do Java 11, o Java deixa de ser apenas uma plataforma “enterprise” e passa a ser um runtime cloud-native, desenhado para ambientes elásticos e distribuídos.

    Java 17 (LTS) — O Java fica mais expressivo e seguro

    • records: classes imutáveis e concisas para representar dados
    • sealed classes: restringem quais classes podem herdar de uma classe base
    • pattern matching: permite extrair e validar tipos de forma declarativa

    O código fica:

    • mais declarativo: você descreve o que quer, não como fazer
    • mais próximo do domínio: classes refletem melhor conceitos do negócio
    • menos sujeito a erros: menos casts manuais e hierarquias quebradas

    A Foreign Function & Memory API permite acessar código C/C++ diretamente, tornando Java viável para engines, IA e sistemas de alto desempenho.

    Java 21 (LTS) — O fim da concorrência dolorosa

    • virtual threads: milhões de threads leves sobre poucas threads reais
    • structured concurrency: concorrência organizada e segura
    • scoped values: contexto seguro entre threads

    Um sistema reativo é aquele capaz de lidar com milhares de conexões simultâneas sem bloquear recursos — algo que agora Java faz sem complexidade.

    Java 25 (LTS) — Era da IA e paralelismo

    • workloads massivamente paralelos: tarefas que processam grandes volumes de dados simultaneamente (IA, analytics, streaming)
    • pattern matching para primitivos: melhora performance em cálculos intensivos
    • structured concurrency e scoped values estabilizados: concorrência previsível
    • GC Shenandoah geracional: baixa latência e alto throughput
    • AOT, warm-up e JIT avançados: inicialização mais rápida e menor custo em cloud

    Resumindo, o Java 8 é importante para muitas empresas, mas suas atualizações estabeleceram a plataforma no mercado. As principais diferenças entre o Java 8 e o Java 11+:

    • JVM grande x JVM modular
    • Start lento x Start rápido
    • Um app por servidor x Muitos microsserviços por nó
    • Supõe memória infinita x Respeita limites do container
    • Infra estática x Infra elástica
    • Java EE no core x Runtime enxuto

    Java 8 foi a base. Java 11 foi a ponte. Java 17+ é o presente. Java 25 é o futuro.

    👇 Qual é a versão do Java que seu sistema roda hoje?

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