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Matheus Pereira
Matheus Pereira19/01/2026 14:32
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Legacy-First Design: por que pensar no tempo muda tudo em arquitetura de software

    Quando falamos de arquitetura de software, quase sempre a conversa gira em torno de evolução: novos frameworks, novas versões, novas práticas, novas stacks.

    Mas existe uma pergunta que raramente aparece, e que costuma cobrar um preço alto lá na frente:

    o que acontece com um sistema quando o tempo passa?

    Na prática, muitos sistemas não se tornam difíceis de manter porque são antigos. Eles se tornam difíceis porque foram projetados sem considerar o impacto do tempo nas decisões arquiteturais.

    Legado não é idade

    Um sistema pode nascer “legado” em poucos meses.

    Isso acontece quando:

    • regras de negócio ficam presas a frameworks
    • pequenas mudanças exigem grandes atualizações
    • trocar um fornecedor externo vira um caos
    • ninguém se sente seguro para mexer no código

    Nesses casos, o problema não é a tecnologia usada, é a arquitetura orientada ao curto prazo.

    O que é Legacy-First Design (LFD)?

    Legacy-First Design (LFD) é um método conceitual de arquitetura de software que trata o tempo como uma restrição arquitetural primária.

    Ele não é um framework, nem um padrão novo, nem depende de stack. O foco do LFD está no nível de decisão arquitetural, partindo de uma distinção clara entre:

    • o que precisa durar
    • e o que pode mudar ao longo do tempo

    A ideia central é simples, mas desconfortável:

    Um sistema deve continuar fazendo sentido mesmo quando ninguém mais estiver mantendo ele ativamente.

    “Survival in Abandoned State”

    Um dos conceitos centrais do LFD é o de Survival in Abandoned State (sobrevivência em estado de abandono).

    A maioria das arquiteturas assume, implicitamente, que sempre haverá manutenção contínua. O LFD não assume isso.

    Ele trata o abandono como um estado previsível no ciclo de vida do software, e não como exceção. Se um sistema colapsa conceitualmente quando é abandonado, mesmo funcionando bem antes, ele falhou como arquitetura

    LFD substitui Clean Architecture, DDD ou Hexagonal?

    Não. O LFD não substitui essas abordagens.

    Ele funciona como uma camada de governança temporal, ajudando a decidir:

    • o que deve ser protegido da mudança
    • onde aplicar padrões conhecidos
    • onde aceitar dependências transitórias

    É menos sobre como estruturar e mais sobre o que pode mudar sem destruir o sistema.

    Para quem isso faz sentido?

    O Legacy-First Design é especialmente relevante para:

    • sistemas de longa duração
    • plataformas centrais de negócio
    • software legado
    • projetos que trocam de equipe com frequência

    Ele não é indicado para protótipos descartáveis ou projetos de vida curta.

    Leitura complementar

    O método foi formalizado em um paper técnico, publicado em acesso aberto no Zenodo:

    📄 Legacy-First Design (LFD): A Temporal Approach to Software Sustainability

    👉 https://zenodo.org/records/18208444

    O paper é curto, conceitual e aprofunda os princípios do método.

    Para reflexão

    Você já trabalhou em um sistema que “funcionava”, mas ninguém mais conseguia mexer com segurança?

    O que, na prática, ajudou (ou atrapalhou) a sobrevivência desse sistema ao longo do tempo?

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