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Matheus Longo
Matheus Longo20/08/2022 10:29
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Métodos Default JpaRepository .

  • #Spring Framework
  • #Spring Data JPA / Spring Framework

O lançamento do projeto Spring Data JPA conseguiu ir além de apenas mais uma ferramenta de apoio a frameworks de persistência. Este é um poderoso projeto que tem tudo para ganhar espaço e se tornar uma das ferramentas mais adotadas para persistência de dados, transformando os códigos fontes em poucas linhas de muita eficácia.

Quando chega a hora de iniciar um novo projeto de software, a equipe de desenvolvimento começa a ter diversas dúvidas sobre o que usar. Escolher as ferramentas certas, para cada tipo de projeto, entre todas as disponíveis em Java, é sempre um processo bem difícil. Escolher um framework então pode complicar ainda mais a decisão de o que usar em um novo projeto. Os frameworks, às vezes, possuem um objetivo bem específico, como por exemplo: um framework de persistência tem a responsabilidade apenas de persistir dados; um framework MVC tem como finalidade a inclusão do padrão MVC no projeto; frameworks de interface com o usuário (UI) disponibilizam componentes para a camada de visualização. Mas felizmente, para os apreciadores do Spring Framework, este surge como uma solução que se adapta a vários tipos de projeto. Considerado uma ferramenta de fácil aprendizado, também disponibiliza uma vasta quantidade de APIs que podem ser usadas inclusive na integração com outros frameworks.

Os desenvolvedores do Spring estão sempre trabalhando para aperfeiçoar os recursos já disponíveis no framework, como também para adicionar novos recursos, que possam facilitar ainda mais o processo de desenvolvimento de aplicações. Entre esses processos, as operações de CRUD sempre foram um dos focos do Spring, sejam elas com uso de algum framework de persistência ou mesmo sem o uso deles. Para isso, algumas APIs foram disponibilizadas, como o JdbcTemplateHibernateTemplateJpaTemplate, entre outras.

As APIs de persistência sempre estiveram presentes no Spring Framework com a finalidade de facilitar o processo de implementação das classes direcionadas a operações de CRUD. Ainda não satisfeitos com as opções existentes no framework, os desenvolvedores do Spring lançaram nos primeiros meses de 2011 um novo projeto, chamado Spring Data JPA.

Este projeto tem como objetivo facilitar as operações de CRUD baseadas em implementações JPA 2, reduzindo o esforço do programador para a quantidade de código que realmente se faz necessária. A Java Persistence API, ou apenas JPA, é uma especificação Java (JSR 317) que deve ser seguida por frameworks de mapeamento objeto-relacional (ORM), como o HibernateTopLink ou IBatis. Ela padroniza um conjunto de classes e métodos que devem ser implementados pelos frameworks ORM que desejam seguir a especificação. A vantagem em adotar este padrão é que um framework pode ser trocado por outro sem que exista a necessidade de modificar as classes e métodos de persistência da aplicação.

O projeto Spring Data JPA, embora não seja um framework ORM, foi desenvolvido com base no padrão JPA 2 para trabalhar com qualquer framework que siga tal especificação. Ele é responsável pela implementação dos repositórios (camada de persistência de dados), oferecendo funcionalidades sofisticadas e comuns à maioria dos métodos de acesso a banco de dados. Ao programador, se abstrai a necessidade de criar classes concretas para os repositórios, sendo necessário apenas criar uma interface específica para cada classe de entidade, e nelas, estender a interface JpaRepository. Ao herdar a interface JpaRepository, dois propósitos são preenchidos: no primeiro, uma variedade de métodos como save()delete()findAll(), entre outros, são fornecidos; e no segundo, o reconhecimento desta interface como um bean do Spring, o que é útil para a injeção de dependência.

  • Entidade ou Tabela: É onde todas as informações inseridas em um banco de dados relacional são armazenadas. É uma estrutura formada por linhas e colunas onde cada linha consiste de, pelo menos, uma ou várias colunas.
  • Classe de Entidade: É uma classe do tipo Bean que faz referência a uma entidade do banco de dados, e cada instância desta entidade representa uma linha (registro ou tupla) na tabela (entidade).

Outra funcionalidade interessante se refere aos métodos de pesquisa. Em um projeto sem o uso de Spring Data, teríamos geralmente uma interface, e nela, alguns métodos de consulta seriam definidos. Estes métodos posteriormente seriam codificados em uma classe concreta. Quando se faz uso de Spring Data, basta incluir a assinatura do método de pesquisa na interface e adicionar a esta assinatura uma anotação do tipo @Query, com a respectiva consulta no formato JPQL. A implementação deste método será realizada automaticamente pelo Spring em tempo de execução.

Neste contexto, o artigo apresenta uma introdução ao Spring Data-JPA, demonstrando suas principais classes e interfaces. Para exemplificar seu uso, será desenvolvido um pequeno projeto que abordará sua configuração com o framework Hibernate e a implementação de alguns métodos de pesquisa usando os recursos disponibilizados pelo Spring Data. Para o leitor ter uma melhor compreensão do conteúdo tratado aqui, é aconselhável que já tenha um conhecimento básico de Spring e persistência com JPA.

  • Bean: É uma classe do tipo JavaBean, também conhecida como POJO (Plain Old Java Objects). Possui um construtor, atributos privados e os métodos getters e setters públicos.
  • Beans do Spring: Para o Spring, beans são classes gerenciadas por ele através de um container IoC (Inversion of Control). Estes beans estarão disponíveis para a aplicação sempre que ela precisar. O controle de instanciar e destruir tais beans é de responsabilidade do container IoC.

O projeto Spring Data JPA

Os desenvolvedores do Spring tentaram facilitar em muito a vida do programador que usará o Spring Data JPA em suas aplicações. Para isso, eles desenvolveram algumas classes e interfaces que reduzem a complexidade e a quantidade de código fonte que seria de responsabilidade do programador nas operações de CRUD.

O Spring Data está disponível na versão estável 1.0.2-RELEASE e pode ser encontrado no site da comunidade SpringSource – veja a URL para download na seção Links – ou através do repositório Maven. Ele pode ser usado com qualquer framework de persistência que siga a especificação JPA2, como por exemplo, o Hibernate. Sua configuração possui a dependência de algumas bibliotecas do Spring Framework, como spring-corespring-beanspring-context, entre outras.

A partir da próxima seção do artigo, vamos demonstrar como funciona esta excelente ferramenta do Spring, e o código fonte aqui apresentado estará disponível, em forma de projeto, no espaço da revista reservado para download.

Classe de Entidade com AbstractPersistable

Toda aplicação que usa algum tipo de framework de persistência deve ter suas tabelas e colunas do banco de dados mapeadas em classes de entidades. O mapeamento é a forma como o framework consegue relacionar uma tabela com uma classe e as colunas desta tabela com os atributos da classe. Nos dias atuais, os mapeamentos são, em sua maioria, realizados através de anotações. As anotações (Annotation) fazem parte do Java desde o lançamento da versão 5 e, no caso dos frameworks de persistência, substituem as antigas configurações feitas através de arquivos XML. Na Listagem 1, é possível visualizar a classe Usuario mapeada para a tabela Usuarios utilizando anotações.

package br.com.devmedia.springdata.model;

import javax.persistence.*;
import java.io.Serializable;
import java.util.Date;

@Entity
@Table(name = "USUARIOS")
public class Usuario implements Serializable {
    private static final long serialVersionUID = -2420346134960559062L;

    @Id
    @GeneratedValue(strategy = GenerationType.IDENTITY)
    @Column(name = "ID_PROPRIERATIO")
    private Long id;
    @Column(name = "LOGIN", length = 30, nullable = false, unique = true)
    private String login;
    @Column(name = "SENHA", length = 6, nullable = false, unique = false)
    private String senha;
    @Column(name = "DATA_CADASTRO", nullable = false, unique = false)
    @Temporal(value = TemporalType.TIMESTAMP)
    private Date dtCadastro;
    @Column(name = "IDADE", nullable = false, unique = false)
    private int idade;

    //Omitidos os métodos getters e setters

    @Override
    public boolean equals(Object o) {
        if (this == o) return true;
        if (o == null || getClass() != o.getClass()) return false;

        Usuario usuario = (Usuario) o;

        if (id != null ? !id.equals(usuario.id) : usuario.id != null)
        return false;

        return true;
    }

    @Override
    public int hashCode() {
        return id != null ? id.hashCode() : 0;
    }
}

Listagem 1. Classe de entidade Usuario – Modo tradicional

O Spring Data JPA fornece a classe AbstractPersistable, que facilita ao programador o desenvolvimento de suas classes de entidades. Ela pode ser encontrada no pacote org.springframework.data.jpa.domain. Com o uso desta classe, uma nova implementação da classe Usuario pode ser conferida na Listagem 2. Note que o atributo id e suas anotações, mais os métodos equals() e hashCode(), desapareceram da classe. Isso é decorrente do uso da classe AbstractPersistable (apresentada na Listagem 3), que já possui este atributo e os métodos em sua implementação. O tipo do id se torna padrão entre as entidades que estendem AbstractPersistable. Os métodos equals() e hashCode(), por sua vez, são construídos com base no atributo id, e a estratégia de persistência é configurada como automática (GenerationType.AUTO). A classe ainda fornece o método isNew(), que tem como retorno um tipo boolean para testar se o objeto é novo ou se já é um objeto persistido.

Embora a classe AbstractPersistable já traga recursos pré-configurados para entidades, como o atributo id e os métodos get()set()equals()hascode()toString() e isNew() implementados, seu uso não é obrigatório em projetos que adotem o Spring Data JPA, ficando a critério dos programadores utilizá-la ou não.

package br.com.devmedia.springdata.model;

import org.springframework.data.jpa.domain.AbstractPersistable;

import javax.persistence.*;
import java.util.Date;

@Entity
@Table(name = "USUARIOS")
public class Usuario extends AbstractPersistable<Long> {
    @Column(name = "LOGIN", length = 30, nullable = false, unique = true)
    private String login;
    @Column(name = "SENHA", length = 6, nullable = false, unique = false)
    private String senha;
    @Column(name = "DATA_CADASTRO", nullable = false, unique = false)
    @Temporal(value = TemporalType.TIMESTAMP)
    private Date dtCadastro;
    @Column(name = "IDADE", nullable = false, unique = false)
    private int idade;

   //Omitidos os métodos getters e setters
}

Listagem 2. Classe de entidade Usuario – com AbstractPersistable

package org.springframework.data.jpa.domain;

import java.io.Serializable;

import javax.persistence.*;

import org.springframework.data.domain.Persistable;

@MappedSuperclass
public abstract class AbstractPersistable<PK extends Serializable>
implements Persistable<PK> {

 private static final long serialVersionUID = -5554308939380869754L;

 @Id
 @GeneratedValue(strategy = GenerationType.AUTO)
 private PK id;

 public PK getId() {
  return id;
 }

 protected void setId(final PK id) {
  this.id = id;
 }

 public boolean isNew() {
  return null == getId();
 }

 @Override
 public String toString() {
  return String.format("Entity of type %s with id: %s",
    this.getClass().getName(), getId());
 }

 @Override
 public boolean equals(Object obj) {
  if (null == obj) {
   return false;
  }

  if (this == obj) {
   return true;
  }

  if (!getClass().equals(obj.getClass())) {
   return false;
  }

  AbstractPersistable<?> that = (AbstractPersistable<?>) obj;

  return null == this.getId() ? false : this.getId().equals(that.getId());
 }

 @Override
 public int hashCode() {

  int hashCode = 17;

  hashCode += null == getId() ? 0 : getId().hashCode() * 31;

  return hashCode;
 }
}

Listagem 3. Código da classe AbstractPersistable

Repository e Configuração do Spring

Repository (em português, repositório) é um padrão de projeto descrito no livro Domain-Driven Design (DDD) de Eric Vans. É um conceito muito semelhante ao padrão de projeto DAO, já que seu foco também é a camada de persistência de dados de uma aplicação. Muitas vezes a implementação de um DAO acaba sendo tratada como um Repository, ou vice-versa, mas estas abordagens se diferem em alguns pontos. Os repositórios são parte da camada de negócios da aplicação, e fornecem objetos a outras camadas como as de controle ou visão. Outra particularidade do repositório é que ele não conhece a infraestrutura da aplicação, como o tipo de banco de dados, ou se uma conexão será por JDBC, ODBC ou mesmo se vai trabalhar com um framework de persistência. Já o padrão DAO conhece a infraestrutura usada e tem a responsabilidade de traduzir as chamadas de persistência em chamadas de infraestrutura, como preparar os dados que serão persistidos em um banco de dados. O repositório, então, não seria nada mais que uma interface, e poderíamos dizer que as regras existentes nas classes que implementam tais interfaces seriam os DAOs.

O Spring Data JPA foi projetado a partir dos conceitos do padrão Repository, sendo assim, tem Repository como sua interface principal. Mas o projeto provê ainda mais três interfaces, que para os programadores são as mais importantes, provendo métodos básicos de operações de CRUD. No pacote org.springframework.data.repository estão disponíveis, além de Repository, as interfaces: PagingAndSortingRepository, com métodos que facilitam o acesso paginado aos dados da entidade, e CrudRepository, que tem funcionalidades sofisticadas para métodos do tipo salvar, excluir e alguns métodos básicos de pesquisa. Já no pacote org.springframework.data.jpa.repository, encontra-se JpaRepository. Ela é construída de forma que fornece seus próprios métodos de pesquisa, como também métodos capazes de salvar e remover listas de objetos do banco de dados. Também reúne, por meio de herança, os métodos das interfaces PagingAndSortingRepository e CrudRepository, centralizando os principais métodos fornecidos pelo Spring Data.

Confira nas referências da seção Links a documentação destas interfaces, ou veja na Figura 1 o relacionamento entre as interfaces e os métodos fornecidos por cada uma delas.

imageFigura 1. Estrutura e métodos das interfaces Repository

A “mágica” existente ao usar, por exemplo, a interface JpaRepository, é que não se faz necessário criar uma classe concreta com a implementação de seus métodos, nem registrar tal classe como um bean do Spring. O Spring Data JPA procura por todas as interfaces que estendam JpaRepositry, as registra como beans e implementa seus métodos em tempo de execução (Runtime). Mas para que isso aconteça, é necessário adicionar a instrução jpa:repositories no arquivo de configuração do Spring. Nesta instrução deve ser indicado o local, ou o pacote, que contém as interfaces que herdam JpaRepository. Caso você tente implementar a interface JpaRepository em uma classe concreta, o Spring não reconhecerá essa classe como um bean. Veja na Listagem 4 um exemplo desta configuração. As demais instruções e beans do arquivo são normalmente empregadas para se configurar o Spring utilizando JPA como framework ORM.

<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<beans xmlns="http://www.springframework.org/schema/beans"
  xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance"
  xmlns:jpa="http://www.springframework.org/schema/data/jpa"
  xmlns:context="http://www.springframework.org/schema/context"
  xsi:schemaLocation="http://www.springframework.org/schema/beans
  http://www.springframework.org/schema/beans/spring-beans-3.0.xsd
  http://www.springframework.org/schema/context
  http://www.springframework.org/schema/context/spring-context-3.0.xsd
  http://www.springframework.org/schema/data/jpa
  http://www.springframework.org/schema/data/jpa/spring-jpa.xsd">

  <context:annotation-config/>

    <context:component-scan base-package="br.com.devmedia.springdata"/>

    <!-- Indica onde se encontram as interfaces que estendem JpaRepository -->
    <jpa:repositories base-package="br.com.devmedia.springdata.repository"/>

    <bean id="entityManagerFactory"
      class="org.springframework.orm.jpa.
       LocalContainerEntityManagerFactoryBean">
      <property name="dataSource" ref="dataSource"/>
      <property name="jpaVendorAdapter">
        <bean class="org.springframework.orm.jpa.vendor
        .HibernateJpaVendorAdapter">
          <property name="showSql" value="true"/>
          <property name="generateDdl" value="true"/>
        </bean>
      </property>
      <property name="persistenceUnitName" value="persistenceUnitName"/>
    </bean>

    <bean id="transactionManager"
    class="org.springframework.orm.jpa.JpaTransactionManager">
      <property name="entityManagerFactory" ref="entityManagerFactory"/>
      <property name="jpaDialect">
        <bean
        class="org.springframework.orm.jpa.vendor.HibernateJpaDialect"/>
      </property>
    </bean>

    <bean id="dataSource"
    class="org.springframework.jdbc.datasource.DriverManagerDataSource">
      <property name="driverClassName" value="com.mysql.jdbc.Driver"/>
      <property name="url" value="jdbc:mysql://localhost/spring-data-jpa"/>
      <property name="username" value="root"/>
      <property name="password" value=""/>
    </bean>
</beans>

Listagem 4. Arquivo de configuração: applicationContext.xml

package br.com.devmedia.springdata.repository;

import br.com.devmedia.springdata.model.Usuario;
import org.springframework.data.jpa.repository.JpaRepository;

public interface IUsarioRepository extends JpaRepository<Usuario, Long> {

}

Listagem 5. Interface IUsuarioRepository

Observe na Listagem 5 a interface IUsuarioRepository, construída para persistir objetos do tipo Usuario (Listagem 2), e veja que ela herda a interface JpaRepository. Outro fato importante a ser observado é que IUsuarioRepository não possui nenhuma anotação que informe que esta interface seja um bean do Spring no processo de injeção de dependência. O Spring saberá que ela é um bean pelo simples fato de estender a interface JpaRepository.

Com a interface IUsuarioRepository adicionada ao projeto e após a configuração realizada no arquivo applicationContext.xml do Spring, já é possível executar operações de CRUD usando os métodos herdados de JpaRepository. Veja nos exemplos da Listagem 6, na classe UsuarioTest, como é simples executar estas operações com um objeto do tipo IUsuarioRepository. Para isso, é necessário apenas invocar o método desejado a partir do atributo repository (bean IUsuarioRepository).

No método salvar() é criado um objeto Usuario e invocado o método save(T entity) para gravar um novo usuário no banco de dados. Já o método salvarLista() tem o objetivo de gravar uma lista de usuários. Para isso, é usado o método save(Iterable entities). No método excluir(), uma consulta na tabela é realizada com o método findAll(), que recupera todos os usuários cadastrados. Em seguida é selecionado um usuário, entre todos da lista recuperada e, com o método delete(), o excluímos do banco de dados. Alguns outros métodos podem ser úteis, como: findByOne(), que recupera uma única linha da tabela; exists(), para testar se uma linha existe na tabela; count(), que retorna o número de linhas existentes na tabela; deleteAll(), que exclui todas as linhas da tabela; entre outros.

package br.com.devmedia.springdata.teste;

import br.com.devmedia.springdata.context.Container;
import br.com.devmedia.springdata.model.Usuario;
import br.com.devmedia.springdata.repository.IUsarioRepository;
import org.springframework.beans.factory.annotation.Autowired;
import org.springframesdwork.stereotype.Component;

import java.util.ArrayList;
import java.util.Calendar;
import java.util.Date;
import java.util.List;

@Component
public class UsuarioTest {
  @Autowired
  private IUsarioRepository repository;

  public void salvar(){
    Calendar calendar = Calendar.getInstance();
    calendar.set(2011, 11, 8, 16, 42, 44);
    Usuario u5 = new Usuario("java07@email.com", "teste7",
    calendar.getTime(), 35);
    repository.save(u5);
  }

  public void salvarLista(){
    List<Usuario> usuarios = new ArrayList<Usuario>();
    Usuario u1 = new Usuario("java01@email.com", "teste1", new Date(), 20);
    Usuario u2 = new Usuario("java02@email.com", "teste2", new Date(), 22);
    Usuario u3 = new Usuario("java03@email.com", "teste3", new Date(), 26);
    Usuario u4 = new Usuario("java04@email.com", "teste4", new Date(), 30);
    usuarios.add(u1); usuarios.add(u2); usuarios.add(u3); usuarios.add(u4);
    List<Usuario> users = repository.save(usuarios);
  }

  public void excluir(){
    List<Usuario> usuarios = repository.findAll();
    Usuario usuario = usuarios.get(0);
    repository.delete(usuario);
  }

  public void findByLogin() {
    Usuario usuario = repository.findByLogin("java02@email.com");
    System.out.println(usuario.toString());
  }

  public void findByIdadeBetween() {
    List<Usuario> usuarios = repository.findByIdadeBetween(25, 35);
    for (Usuario u : usuarios)
      System.out.println(u.toString());
  }

  public void findByDtCasdastro() {
    Calendar c = Calendar.getInstance();
    c.set(2011, 11, 8, 16, 42, 44);
    List<Usuario> usuarios = repository.findByDtCadastro(c.getTime());
    for (Usuario u : usuarios)
      System.out.println(u.toString());
  }

  public void findByLoginAndSenha() {
    Usuario usuario = repository
    .findByLoginAndSenha("teste2", "java02@email.com");
    System.out.println(usuario.toString());
  }

  public void findByLoginAndSenhaAndIdade() {
    Usuario usuario = repository
    .findByLoginAndSenhaAndIdade(30, "teste4", "java04@email.com");
    System.out.println(usuario.toString());
  }
}

Listagem 6. Código da classe UsuarioTest

Consultas usando Query Methods

O Spring Data JPA, apesar de ter algumas consultas pré-definidas, fornece uma maneira muito simples para se criar métodos de pesquisa. Talvez a grande evolução do projeto, em relação às APIs como HibernateTemplate e JpaTemplate, seja a praticidade e facilidade fornecida ao desenvolvedor para criar estes novos métodos. Ele foi construído de maneira que, em tempo de execução, consegue implementar um método de pesquisa a partir apenas da assinatura declarada na interface de repositório. Para exemplificar e tornar mais fácil a compreensão deste recurso, confira na Listagem 7 alguns métodos adicionados na interface IUsuarioRepository.

package br.com.devmedia.springdata.repository;

import br.com.devmedia.springdata.model.Usuario;
import org.springframework.data.jpa.repository.JpaRepository;
import org.springframework.data.jpa.repository.Query;
import org.springframework.data.repository.query.Param;

import java.util.Date;
import java.util.List;

public interface IUsarioRepository extends JpaRepository<Usuario, Long> {
  //nome do método deve conter o atributo da classe
  public Usuario findByLogin(String login);

  //palavra-chave da consulta: Between
  public List<Usuario> findByIdadeBetween(int startAge, int endAge);

  //consulta por namedQuery
  public List<Usuario> findByDtCadastro(Date dtCadastro);

  //consulta por named parameters
  @Query("from Usuario where login = :login and senha = :senha")
  public Usuario findByLoginAndSenha(@Param("login")String login,
  @Param("senha") String senha);

  //consulta com ordinal parameters
  @Query("from Usuario where login = ?3 and senha = ?2 and idade = ?1")
  public Usuario findByLoginAndSenhaAndIdade
  (int idade, String senha, String login);
}

Listagem 7. Adicionando métodos de consulta na interface IUsuarioRepository

O primeiro método declarado, findByLogin(), tem o objetivo de localizar no banco de dados um usuário pelo seu login. Normalmente teríamos que criar o código deste método em uma classe concreta, porém com o Spring Data JPA não é necessário. Isso porque, quando o bean IUsuarioRepository for instanciado pelo Spring, ele inspeciona todos os métodos declarados na interface e constrói uma consulta para cada um deles. Por padrão, o Spring Data-JPA analisa automaticamente o nome do método e referência parte do nome com o atributo declarado na classe de entidade. No caso do método findByLogin(), ele reconhece o trecho “Login” após o “findBy” e cria uma consulta que pesquise pelo atributo login.

Já o método findByIdadeBetween() tem como característica o uso da palavra-chave between. Esta palavra é uma condição que recupera no banco de dados as linhas que estejam entre dois ou mais valores passados como parâmetros. Por exemplo, uma pesquisa que encontre usuários que tenham idade entre 20 e 30 anos.

Na Tabela 1 estão listadas as palavras chaves suportadas pelo Spring Data JPA que podem fazer parte do nome de um método. Caso a palavra-chave ou o nome do atributo declarado na assinatura do método não exista, uma exceção do tipo java.lang.IllegalArgumentException será lançada em tempo de execução.

Palavra chaveExemplo de MétodoTrecho JPQLAndfindByLastnameAndFirstname… where x.lastname = ?1 and x.firstname = ?2OrfindByLastnameOrFirstname… where x.lastname = ?1 or x.firstname = ?2BetweenfindByStartDateBetween… where x.startDate between 1? and ?2LessThanfindByAgeLessThan… where x.age < ?1GreaterThanfindByAgeGreaterThan… where x.age > ?1IsNullfindByAgeIsNull… where x.age is nullIsNotNull,NotNullfindByAge(Is)NotNull… where x.age not nullLikefindByFirstnameLike… where x.firstname like ?1NotLikefindByFirstnameNotLike… where x.firstname not like ?1OrderByfindByAgeOrderByLastnameDesc… where x.age = ?1 order by x.lastname descNotfindByLastnameNot… where x.lastname <> ?1InfindByAgeIn(Collection ages)… where x.age in ?1NotInfindByAgeNotIn(Collection age)… where x.age not in ?1

Tabela 1. Palavras chaves suportadas pelo Spring Data JPA no nome dos métodos

Usando a JPA NamedQueries

Alguns desenvolvedores entendem que o uso de NamedQueries é uma boa prática por deixar o código mais organizado – facilitando a manutenção do software – ao centralizar em um único local todas as consultas e por evitar SQL Injection. Outros evitam utilizá-las porque acreditam que elas podem tornar a inicialização da aplicação mais lenta – quando existe uma grande quantidade de consultas – já que são carregadas na criação da EntityManagerFactory, e podem consumir um pouco mais de memória por ficarem em cache. Porém, independentemente dos fatores positivos ou negativos dessa prática, os desenvolvedores do Spring Data JPA não se esqueceram de dar suporte a ela.

Um breve exemplo de como empregá-la está descrito na Listagem 8, onde a anotação @NamedQuery é adicionada à classe Usuario. A anotação possui dois parâmetros: o name, que recebe o nome da consulta; e o parâmetro query, que recebe a consulta no formato JPQL. Na interface IUsuarioRepository, se deve declarar um método com o mesmo nome do contido no parâmetro name, o qual é apresentado na Listagem 7 com a assinatura findByDtCadastro(). É valido observar que caso uma consulta tenha dois ou mais parâmetros, a ordem desses parâmetros deve ser respeitada na lista de argumentos do método conforme a ordem que eles se encontram na query JPQL. Ou seja, o primeiro parâmetro da query deve ser o primeiro na lista de argumentos do método, o segundo na query será o segundo na lista de argumentos e assim sucessivamente.

package br.com.devmedia.springdata.model;

import org.springframework.data.jpa.domain.AbstractPersistable;

import javax.persistence.*;
import java.util.Date;

@Entity
@Table(name = "USUARIOS")
@NamedQuery(name = "Usuario.findByDtCadastro",
        query = "select u from Usuario u where u.dtCadastro =?1"
)
public class Usuario extends AbstractPersistable<Long> {
 //código restante omitido.
}

Listagem 8. Código da classe Usuario com consulta NamedQuery

Nota: NamedQueries são consultas estáticas e pré-definidas. Diferentemente de uma consulta dinâmica, executada sempre que um método é invocado, uma NamedQuery é processada no momento da criação da fábrica de Entity Manager, armazenando em memória os resultados encontrados até que algum método do sistema os requisite. Podemos aplicar a anotação @NamedQuery quando queremos definir apenas uma consulta, ou a anotação @NamedQueries quando for necessário incluir várias consultas na mesma classe de entidade. Estas anotações devem ser inseridas logo abaixo da anotação @Entity. Esse tipo de consulta recebe um nome como identificador, por isso são chamadas de Named (nome em inglês) Query, e quando o programador precisa usá-las em alguma parte do código, basta passar como parâmetro o nome da consulta no método createNamedQuery().

Usando a anotação @Query

Uma abordagem parecida com as consultas NamedQueries, mas que deixam de lado a necessidade de declará-las na classe de entidade é o uso da anotação @Query na própria interface do repositório. Na Listagem 7 há dois exemplos, os métodos findByLoginAndSenha() e findByLoginAndSenhaAndIdade().

O método findByLoginAndSenha() usa os chamados Named Parameters, ou, parâmetros nomeados. Esse tipo de parâmetro é inserido como um critério em consultas JPQL. Eles devem ser precedidos de dois pontos, como por exemplo: where login = :login. Nos argumentos do método que usa tal consulta, deve ser adicionada a anotação @Param(“login”), onde o argumento login será o Named Parameter referente ao parâmetro da consulta (:login). Quando se usa essa prática, a ordem dos parâmetros da consulta com os do método não precisa ser a mesma, já que eles são relacionados pelo nome.

Consultas JPQL aceitam também que parâmetros sejam adicionados de maneira ordinal, iniciando em 1. Para isso, basta utilizar o caractere ?seguido de um número que represente a posição do parâmetro na assinatura do método. Por exemplo, no método findByLoginAndSenhaAndIdade(), os parâmetros estão declarados na seguinte ordem:

  1. Idade;
  2. Senha;
  3. Login.

Já na consulta, a ordem está inversa:

  1. Login;
  2. Senha;
  3. Idade.

Usando o caractere ?e seguindo a ordem dos parâmetros declarados na assinatura do método, a consulta JPQL seria expressa da seguinte forma: ...where login = ?3 and senha = ?2 and idade = ?1.

Auditoria com Spring Data JPA

No desenvolvimento de aplicações corporativas, geralmente existe a necessidade de armazenar o histórico de acessos ao banco de dados, o que se costuma chamar de Auditoria. Esse processo tem como função monitorar se um dado é inserido, alterado ou excluído da base de dados. Na prática, são definidas tabelas para armazenar esses logs que contêm tais informações. No entanto, como uma base de dados pode ter inúmeras tabelas e colunas e nem todas precisam de auditoria, o processo vai de acordo com as necessidades de cada empresa e projeto. A auditoria é muito usada também para registrar os usuários que efetuam login na aplicação. Estes registros podem ser feitos em uma tabela no banco de dados ou mesmo em um algum tipo de arquivo como um TXT ou XML.

Para utilizar o recurso de auditoria do Spring Data JPA o desenvolvedor deve criar uma classe de entidade com os atributos que deseja auditar. Essa entidade deve estender a classe AbstractAuditable (do pacote org.springframework.data.jpa.domain), uma implementação da interface Auditable, presente no mesmo pacote, que provê alguns atributos e métodos já pré-definidos. Caso não deseje estender a classe AbstractAuditable, existe a opção de implementar por conta própria a interface Auditable. O Spring Data JPA provê um ouvinte, um tipo de listener, que pode ser empregado para acionar a captura das datas de alterações realizadas no sistema. Para usar este ouvinte é preciso registrar a classe org.springframework.data.jpa.domain.support.AuditingEntityListener em um arquivo do tipo orm.xml, conforme o descrito na Listagem 9.

<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<entity-mappings xmlns="http://java.sun.com/xml/ns/persistence/orm"
  xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance"
  xsi:schemaLocation="http://java.sun.com/xml/ns/persistence/orm
  http://java.sun.com/xml/ns/persistence/orm_2_0.xsd" version="2.0">
<persistence-unit-metadata>
  <persistence-unit-defaults>
    <entity-listeners>
      <entity-listener
      class="org.springframework.data.jpa.domain.support.AuditingEntityListener"/>
    </entity-listeners>
  </persistence-unit-defaults>
</persistence-unit-metadata>

</entity-mappings>

Listagem 9. Arquivo orm.xml para configuração do ouvinte AuditingEntityListener

Para ativar a funcionalidade de auditoria, é necessário adicionar um elemento no arquivo de configuração applicationContext.xml para indicar o bean que irá implementar a interface org.springframework.data.domain.AuditorAware. Observe na Listagem 10 a configuração que deve ser inserida neste arquivo. As classes que implementam AuditorAware serão identificadas pelo Spring como uma classe de auditoria e também terão acesso ao método getCurrentAuditor(), que tem como objetivo retornar um objeto auditado. Um exemplo simples de implementação de AuditorAware pode ser conferido na Listagem 11, onde apresentamos a classe AuditorAwareImpl, que possui apenas um atributo do tipo AuditoriaUsuario e seus métodos get e set. Este atributo faz referência à classe de entidade que possui os dados definidos pelo programador a serem armazenados na tabela de auditoria. Na classe AuditoriaUsuario (veja a Listagem 12) foram definidos dois atributos que serão persistidos no banco: login e acao. Além disso, AuditoriaUsuario estende a classe abstrata org.springframework.data.jpa.domain.AbstractAuditable, que fornece uma implementação pré-definida da interface org.springframework.data.jpa.domain.Auditable, que contém alguns métodos modificadores (set) e assessores (get). Com esta implementação pré-definida, a classe AbstractAuditable provê alguns atributos próprios, que para serem persistidos é importante que o arquivo orm.xml tenha sido configurado conforme a Listagem 10. É possível também, ao invés de estender a classe AbstractAuditable em AuditoriaUsuario, implementar diretamente a interface Auditable e definir seus métodos por conta própria.

<bean id="auditorAware" class="br.com.devmedia.springdata.auditing.AuditorAwareImpl"/>
<jpa:auditing auditor-aware-ref="auditorAware"/>

Listagem 10. Configuração adicional no arquivo applicationContext.xml

package br.com.devmedia.springdata.auditing;

import org.springframework.data.domain.AuditorAware;

public class AuditorAwareImpl implements AuditorAware<AuditoriaUsuario> {
    private AuditoriaUsuario auditoriaUsuario;

    public void setAuditoriaUsuario(AuditoriaUsuario auditoriaUsuario) {
        this.auditoriaUsuario = auditoriaUsuario;
    }

    public AuditoriaUsuario getCurrentAuditor() {
        return auditoriaUsuario;
    }
}

Listagem 11. Classe AuditorAwareImpl – Implementação da interface AuditorAware

package br.com.devmedia.springdata.auditing;

import org.springframework.data.jpa.domain.AbstractAuditable;
import javax.persistence.*;

@Entity
@Table(name = "AUDITORIA_USUARIO")
public class AuditoriaUsuario extends AbstractAuditable<AuditoriaUsuario, Long> {
    @Column(name = "LOGIN")
    private String login;
    @Column(name = "ACAO")
    private String acao;
    @Transient
    public static final String[] Tipo_Acao = {"Save", "Update", "Delete"};

    public String getLogin() {
        return login;
    }

    public void setLogin(String login) {
        this.login = login;
    }

    public String getAcao() {
        return acao;
    }

    public void setAcao(String acao) {
        this.acao = acao;
    }
}

Listagem 12. Classe de entidade AuditoriaUsuario

Nota: Ao criar um projeto JPA você também pode criar o arquivo orm.xml, incluído no diretório META-INF na raiz da unidade de persistência. Nele podem ser definidos os mapeamentos de entidades, como também queries de consultas para NamedQueries e ou outras configurações como o registro de um listener para auditoria com Spring Data JPA.

Na Listagem 13 vamos apresentar um exemplo simples de como realizar o processo de auditoria. No método auditoria() criamos um objeto do tipo Usuario e em seguida salvamos seus dados no banco. Instanciamos a seguir um objeto do tipo AuditoriaUsuario para inserir nele as informações que serão persistidas na tabela de auditoria; neste caso, o login do usuário e a ação (Save) gerada pela operação anterior. Porém, só é possível persistir o objeto AuditoriaUsuario se ele for adicionado em um objeto do tipo AuditorAwareImpl. Objeto este que implementa a interface AuditorAware, a qual controla o processo de auditoria configurado no arquivo applicationContext.xml. Para finalizar, usamos o método save(), da interface CrudRepository, e nele atribuímos como parâmetro o objeto AuditorAwareImpl. Além dos atributos login e acao, este processo irá salvar no banco de dados os atributos da classe AbstractAuditablecreatedBycreatedDatelastModifiedBy e lastModifiedDate.

package br.com.devmedia.springdata.teste;

 import br.com.devmedia.springdata.auditing.AuditorAwareImpl;
 import br.com.devmedia.springdata.auditing.AuditoriaUsuario;
 import br.com.devmedia.springdata.model.Usuario;
 import br.com.devmedia.springdata.repository.IUsarioRepository;
 import org.springframework.beans.factory.annotation.Autowired;
 import org.springframework.data.repository.CrudRepository;
 import org.springframework.stereotype.Component;

 import java.util.Date;

 @Component
 public class AuditoriaTest {
   @Autowired
   private CrudRepository<AuditoriaUsuario, Long> auditorAwareRepository;
   @Autowired
   private AuditorAwareImpl auditorAware;
   @Autowired
   private IUsarioRepository usarioRepository;

   public void auditoria() {
       Usuario u1 = new Usuario("user01@auditoria.com",
       "user1", new Date(), 29);
       usarioRepository.save(u1);

       AuditoriaUsuario auditoria;= new AuditoriaUsuario();
       auditoria.setLogin(u1.getLogin());
       auditoria.setAcao(AuditoriaUsuario.Tipo_Acao[0]);

       auditorAware.setAuditoriaUsuario(auditoria);
       auditorAwareRepository.save(auditoria);

       System.out.println("AuditoriaTest.auditoria : "
       + auditorAware.getCurrentAuditor());
   }
 }

Listagem 13. Configuração adicional no arquivo applicationContext.xml

Conclusões

O Spring Framework é um dos projetos mais bem-sucedidos da linguagem Java. Seus desenvolvedores estão sempre em busca de novidades que podem facilitar o desenvolvimento de aplicações. Embora o Spring não seja um framework de persistência de dados, sempre forneceu a seus usuários diversas APIs para esse fim, como HibernateTemplateJdbcTemplateJpaTemplate, entre outras, e em sua maioria, sempre foram muito bem-aceitas e bastante utilizadas em vários projetos. Com o lançamento do Spring Data JPA, pode-se dizer que houve uma grande evolução no que diz respeito à persistência de dados. Esse projeto facilita em muito o desenvolvimento de repositórios para persistência de dados, diminuindo bastante o número de linhas de código, o que torna o desenvolvimento do projeto mais rápido e fácil para o programador.

A grande facilidade em manipular consultas a dados talvez seja o principal aspecto do Spring Data JPA, já que necessita apenas que sejam criadas as assinaturas dos métodos de pesquisa, enquanto a implementação destes métodos fica por conta do Spring. Estas consultas podem ser realizadas usando a linguagem JPQL com NamedQueries, Named Parameters ou Query MethodsO lançamento do projeto Spring Data JPA conseguiu ir além de apenas mais uma ferramenta de apoio a frameworks de persistência. Este é um poderoso projeto que tem tudo para ganhar espaço e se tornar uma das ferramentas mais adotadas para persistência de dados, transformando os códigos fontes em poucas linhas de muita eficácia.

Quando chega a hora de iniciar um novo projeto de software, a equipe de desenvolvimento começa a ter diversas dúvidas sobre o que usar. Escolher as ferramentas certas, para cada tipo de projeto, entre todas as disponíveis em Java, é sempre um processo bem difícil. Escolher um framework então pode complicar ainda mais a decisão de o que usar em um novo projeto. Os frameworks, às vezes, possuem um objetivo bem específico, como por exemplo: um framework de persistência tem a responsabilidade apenas de persistir dados; um framework MVC tem como finalidade a inclusão do padrão MVC no projeto; frameworks de interface com o usuário (UI) disponibilizam componentes para a camada de visualização. Mas felizmente, para os apreciadores do Spring Framework, este surge como uma solução que se adapta a vários tipos de projeto. Considerado uma ferramenta de fácil aprendizado, também disponibiliza uma vasta quantidade de APIs que podem ser usadas inclusive na integração com outros frameworks.

Os desenvolvedores do Spring estão sempre trabalhando para aperfeiçoar os recursos já disponíveis no framework, como também para adicionar novos recursos, que possam facilitar ainda mais o processo de desenvolvimento de aplicações. Entre esses processos, as operações de CRUD sempre foram um dos focos do Spring, sejam elas com uso de algum framework de persistência ou mesmo sem o uso deles. Para isso, algumas APIs foram disponibilizadas, como o JdbcTemplate, HibernateTemplate, JpaTemplate, entre outras.

As APIs de persistência sempre estiveram presentes no Spring Framework com a finalidade de facilitar o processo de implementação das classes direcionadas a operações de CRUD. Ainda não satisfeitos com as opções existentes no framework, os desenvolvedores do Spring lançaram nos primeiros meses de 2011 um novo projeto, chamado Spring Data JPA.

Este projeto tem como objetivo facilitar as operações de CRUD baseadas em implementações JPA 2, reduzindo o esforço do programador para a quantidade de código que realmente se faz necessária. A Java Persistence API, ou apenas JPA, é uma especificação Java (JSR 317) que deve ser seguida por frameworks de mapeamento objeto-relacional (ORM), como o Hibernate, TopLink ou IBatis. Ela padroniza um conjunto de classes e métodos que devem ser implementados pelos frameworks ORM que desejam seguir a especificação. A vantagem em adotar este padrão é que um framework pode ser trocado por outro sem que exista a necessidade de modificar as classes e métodos de persistência da aplicação.

O projeto Spring Data JPA, embora não seja um framework ORM, foi desenvolvido com base no padrão JPA 2 para trabalhar com qualquer framework que siga tal especificação. Ele é responsável pela implementação dos repositórios (camada de persistência de dados), oferecendo funcionalidades sofisticadas e comuns à maioria dos métodos de acesso a banco de dados. Ao programador, se abstrai a necessidade de criar classes concretas para os repositórios, sendo necessário apenas criar uma interface específica para cada classe de entidade, e nelas, estender a interface JpaRepository. Ao herdar a interface JpaRepository, dois propósitos são preenchidos: no primeiro, uma variedade de métodos como save(), delete(), findAll(), entre outros, são fornecidos; e no segundo, o reconhecimento desta interface como um bean do Spring, o que é útil para a injeção de dependência.

Entidade ou Tabela: É onde todas as informações inseridas em um banco de dados relacional são armazenadas. É uma estrutura formada por linhas e colunas onde cada linha consiste de, pelo menos, uma ou várias colunas.
Classe de Entidade: É uma classe do tipo Bean que faz referência a uma entidade do banco de dados, e cada instância desta entidade representa uma linha (registro ou tupla) na tabela (entidade).

Outra funcionalidade interessante se refere aos métodos de pesquisa. Em um projeto sem o uso de Spring Data, teríamos geralmente uma interface, e nela, alguns métodos de consulta seriam definidos. Estes métodos posteriormente seriam codificados em uma classe concreta. Quando se faz uso de Spring Data, basta incluir a assinatura do método de pesquisa na interface e adicionar a esta assinatura uma anotação do tipo @Query, com a respectiva consulta no formato JPQL. A implementação deste método será realizada automaticamente pelo Spring em tempo de execução.

Neste contexto, o artigo apresenta uma introdução ao Spring Data-JPA, demonstrando suas principais classes e interfaces. Para exemplificar seu uso, será desenvolvido um pequeno projeto que abordará sua configuração com o framework Hibernate e a implementação de alguns métodos de pesquisa usando os recursos disponibilizados pelo Spring Data. Para o leitor ter uma melhor compreensão do conteúdo tratado aqui, é aconselhável que já tenha um conhecimento básico de Spring e persistência com JPA.

Bean: É uma classe do tipo JavaBean, também conhecida como POJO (Plain Old Java Objects). Possui um construtor, atributos privados e os métodos getters e setters públicos.
Beans do Spring: Para o Spring, beans são classes gerenciadas por ele através de um container IoC (Inversion of Control). Estes beans estarão disponíveis para a aplicação sempre que ela precisar. O controle de instanciar e destruir tais beans é de responsabilidade do container IoC.
O projeto Spring Data JPA

Os desenvolvedores do Spring tentaram facilitar em muito a vida do programador que usará o Spring Data JPA em suas aplicações. Para isso, eles desenvolveram algumas classes e interfaces que reduzem a complexidade e a quantidade de código fonte que seria de responsabilidade do programador nas operações de CRUD.

O Spring Data está disponível na versão estável 1.0.2-RELEASE e pode ser encontrado no site da comunidade SpringSource – veja a URL para download na seção Links – ou através do repositório Maven. Ele pode ser usado com qualquer framework de persistência que siga a especificação JPA2, como por exemplo, o Hibernate. Sua configuração possui a dependência de algumas bibliotecas do Spring Framework, como spring-core, spring-bean, spring-context, entre outras.

A partir da próxima seção do artigo, vamos demonstrar como funciona esta excelente ferramenta do Spring, e o código fonte aqui apresentado estará disponível, em forma de projeto, no espaço da revista reservado para download.

Classe de Entidade com AbstractPersistable

Toda aplicação que usa algum tipo de framework de persistência deve ter suas tabelas e colunas do banco de dados mapeadas em classes de entidades. O mapeamento é a forma como o framework consegue relacionar uma tabela com uma classe e as colunas desta tabela com os atributos da classe. Nos dias atuais, os mapeamentos são, em sua maioria, realizados através de anotações. As anotações (Annotation) fazem parte do Java desde o lançamento da versão 5 e, no caso dos frameworks de persistência, substituem as antigas configurações feitas através de arquivos XML. Na Listagem 1, é possível visualizar a classe Usuario mapeada para a tabela Usuarios utilizando anotações.

package br.com.devmedia.springdata.model;

import javax.persistence.*;
import java.io.Serializable;
import java.util.Date;

@Entity
@Table(name = "USUARIOS")
public class Usuario implements Serializable {
    private static final long serialVersionUID = -2420346134960559062L;

    @Id
    @GeneratedValue(strategy = GenerationType.IDENTITY)
    @Column(name = "ID_PROPRIERATIO")
    private Long id;
    @Column(name = "LOGIN", length = 30, nullable = false, unique = true)
    private String login;
    @Column(name = "SENHA", length = 6, nullable = false, unique = false)
    private String senha;
    @Column(name = "DATA_CADASTRO", nullable = false, unique = false)
    @Temporal(value = TemporalType.TIMESTAMP)
    private Date dtCadastro;
    @Column(name = "IDADE", nullable = false, unique = false)
    private int idade;

    //Omitidos os métodos getters e setters

    @Override
    public boolean equals(Object o) {
        if (this == o) return true;
        if (o == null || getClass() != o.getClass()) return false;

        Usuario usuario = (Usuario) o;

        if (id != null ? !id.equals(usuario.id) : usuario.id != null)
        return false;

        return true;
    }

    @Override
    public int hashCode() {
        return id != null ? id.hashCode() : 0;
    }
}
Listagem 1. Classe de entidade Usuario – Modo tradicional

O Spring Data JPA fornece a classe AbstractPersistable, que facilita ao programador o desenvolvimento de suas classes de entidades. Ela pode ser encontrada no pacote org.springframework.data.jpa.domain. Com o uso desta classe, uma nova implementação da classe Usuario pode ser conferida na Listagem 2. Note que o atributo id e suas anotações, mais os métodos equals() e hashCode(), desapareceram da classe. Isso é decorrente do uso da classe AbstractPersistable (apresentada na Listagem 3), que já possui este atributo e os métodos em sua implementação. O tipo do id se torna padrão entre as entidades que estendem AbstractPersistable. Os métodos equals() e hashCode(), por sua vez, são construídos com base no atributo id, e a estratégia de persistência é configurada como automática (GenerationType.AUTO). A classe ainda fornece o método isNew(), que tem como retorno um tipo boolean para testar se o objeto é novo ou se já é um objeto persistido.

Embora a classe AbstractPersistable já traga recursos pré-configurados para entidades, como o atributo id e os métodos get(), set(), equals(), hascode(), toString() e isNew() implementados, seu uso não é obrigatório em projetos que adotem o Spring Data JPA, ficando a critério dos programadores utilizá-la ou não.

package br.com.devmedia.springdata.model;

import org.springframework.data.jpa.domain.AbstractPersistable;

import javax.persistence.*;
import java.util.Date;

@Entity
@Table(name = "USUARIOS")
public class Usuario extends AbstractPersistable<Long> {
    @Column(name = "LOGIN", length = 30, nullable = false, unique = true)
    private String login;
    @Column(name = "SENHA", length = 6, nullable = false, unique = false)
    private String senha;
    @Column(name = "DATA_CADASTRO", nullable = false, unique = false)
    @Temporal(value = TemporalType.TIMESTAMP)
    private Date dtCadastro;
    @Column(name = "IDADE", nullable = false, unique = false)
    private int idade;

   //Omitidos os métodos getters e setters
}
Listagem 2. Classe de entidade Usuario – com AbstractPersistable
package org.springframework.data.jpa.domain;

import java.io.Serializable;

import javax.persistence.*;

import org.springframework.data.domain.Persistable;

@MappedSuperclass
public abstract class AbstractPersistable<PK extends Serializable>
implements Persistable<PK> {

 private static final long serialVersionUID = -5554308939380869754L;

 @Id
 @GeneratedValue(strategy = GenerationType.AUTO)
 private PK id;

 public PK getId() {
  return id;
 }

 protected void setId(final PK id) {
  this.id = id;
 }

 public boolean isNew() {
  return null == getId();
 }

 @Override
 public String toString() {
  return String.format("Entity of type %s with id: %s",
    this.getClass().getName(), getId());
 }

 @Override
 public boolean equals(Object obj) {
  if (null == obj) {
   return false;
  }

  if (this == obj) {
   return true;
  }

  if (!getClass().equals(obj.getClass())) {
   return false;
  }

  AbstractPersistable<?> that = (AbstractPersistable<?>) obj;

  return null == this.getId() ? false : this.getId().equals(that.getId());
 }

 @Override
 public int hashCode() {

  int hashCode = 17;

  hashCode += null == getId() ? 0 : getId().hashCode() * 31;

  return hashCode;
 }
}
Listagem 3. Código da classe AbstractPersistable
Repository e Configuração do Spring

Repository (em português, repositório) é um padrão de projeto descrito no livro Domain-Driven Design (DDD) de Eric Vans. É um conceito muito semelhante ao padrão de projeto DAO, já que seu foco também é a camada de persistência de dados de uma aplicação. Muitas vezes a implementação de um DAO acaba sendo tratada como um Repository, ou vice-versa, mas estas abordagens se diferem em alguns pontos. Os repositórios são parte da camada de negócios da aplicação, e fornecem objetos a outras camadas como as de controle ou visão. Outra particularidade do repositório é que ele não conhece a infraestrutura da aplicação, como o tipo de banco de dados, ou se uma conexão será por JDBC, ODBC ou mesmo se vai trabalhar com um framework de persistência. Já o padrão DAO conhece a infraestrutura usada e tem a responsabilidade de traduzir as chamadas de persistência em chamadas de infraestrutura, como preparar os dados que serão persistidos em um banco de dados. O repositório, então, não seria nada mais que uma interface, e poderíamos dizer que as regras existentes nas classes que implementam tais interfaces seriam os DAOs.

O Spring Data JPA foi projetado a partir dos conceitos do padrão Repository, sendo assim, tem Repository como sua interface principal. Mas o projeto provê ainda mais três interfaces, que para os programadores são as mais importantes, provendo métodos básicos de operações de CRUD. No pacote org.springframework.data.repository estão disponíveis, além de Repository, as interfaces: PagingAndSortingRepository, com métodos que facilitam o acesso paginado aos dados da entidade, e CrudRepository, que tem funcionalidades sofisticadas para métodos do tipo salvar, excluir e alguns métodos básicos de pesquisa. Já no pacote org.springframework.data.jpa.repository, encontra-se JpaRepository. Ela é construída de forma que fornece seus próprios métodos de pesquisa, como também métodos capazes de salvar e remover listas de objetos do banco de dados. Também reúne, por meio de herança, os métodos das interfaces PagingAndSortingRepository e CrudRepository, centralizando os principais métodos fornecidos pelo Spring Data.

Confira nas referências da seção Links a documentação destas interfaces, ou veja na Figura 1 o relacionamento entre as interfaces e os métodos fornecidos por cada uma delas.

Figura 1. Estrutura e métodos das interfaces Repository

A “mágica” existente ao usar, por exemplo, a interface JpaRepository, é que não se faz necessário criar uma classe concreta com a implementação de seus métodos, nem registrar tal classe como um bean do Spring. O Spring Data JPA procura por todas as interfaces que estendam JpaRepositry, as registra como beans e implementa seus métodos em tempo de execução (Runtime). Mas para que isso aconteça, é necessário adicionar a instrução jpa:repositories no arquivo de configuração do Spring. Nesta instrução deve ser indicado o local, ou o pacote, que contém as interfaces que herdam JpaRepository. Caso você tente implementar a interface JpaRepository em uma classe concreta, o Spring não reconhecerá essa classe como um bean. Veja na Listagem 4 um exemplo desta configuração. As demais instruções e beans do arquivo são normalmente empregadas para se configurar o Spring utilizando JPA como framework ORM.

<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<beans xmlns="http://www.springframework.org/schema/beans"
  xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance"
  xmlns:jpa="http://www.springframework.org/schema/data/jpa"
  xmlns:context="http://www.springframework.org/schema/context"
  xsi:schemaLocation="http://www.springframework.org/schema/beans
  http://www.springframework.org/schema/beans/spring-beans-3.0.xsd
  http://www.springframework.org/schema/context
  http://www.springframework.org/schema/context/spring-context-3.0.xsd
  http://www.springframework.org/schema/data/jpa
  http://www.springframework.org/schema/data/jpa/spring-jpa.xsd">

  <context:annotation-config/>

    <context:component-scan base-package="br.com.devmedia.springdata"/>

    <!-- Indica onde se encontram as interfaces que estendem JpaRepository -->
    <jpa:repositories base-package="br.com.devmedia.springdata.repository"/>

    <bean id="entityManagerFactory"
      class="org.springframework.orm.jpa.
       LocalContainerEntityManagerFactoryBean">
      <property name="dataSource" ref="dataSource"/>
      <property name="jpaVendorAdapter">
        <bean class="org.springframework.orm.jpa.vendor
        .HibernateJpaVendorAdapter">
          <property name="showSql" value="true"/>
          <property name="generateDdl" value="true"/>
        </bean>
      </property>
      <property name="persistenceUnitName" value="persistenceUnitName"/>
    </bean>

    <bean id="transactionManager"
    class="org.springframework.orm.jpa.JpaTransactionManager">
      <property name="entityManagerFactory" ref="entityManagerFactory"/>
      <property name="jpaDialect">
        <bean
        class="org.springframework.orm.jpa.vendor.HibernateJpaDialect"/>
      </property>
    </bean>

    <bean id="dataSource"
    class="org.springframework.jdbc.datasource.DriverManagerDataSource">
      <property name="driverClassName" value="com.mysql.jdbc.Driver"/>
      <property name="url" value="jdbc:mysql://localhost/spring-data-jpa"/>
      <property name="username" value="root"/>
      <property name="password" value=""/>
    </bean>
</beans>
Listagem 4. Arquivo de configuração: applicationContext.xml
package br.com.devmedia.springdata.repository;

import br.com.devmedia.springdata.model.Usuario;
import org.springframework.data.jpa.repository.JpaRepository;

public interface IUsarioRepository extends JpaRepository<Usuario, Long> {

}
Listagem 5. Interface IUsuarioRepository

Observe na Listagem 5 a interface IUsuarioRepository, construída para persistir objetos do tipo Usuario (Listagem 2), e veja que ela herda a interface JpaRepository. Outro fato importante a ser observado é que IUsuarioRepository não possui nenhuma anotação que informe que esta interface seja um bean do Spring no processo de injeção de dependência. O Spring saberá que ela é um bean pelo simples fato de estender a interface JpaRepository.

Com a interface IUsuarioRepository adicionada ao projeto e após a configuração realizada no arquivo applicationContext.xml do Spring, já é possível executar operações de CRUD usando os métodos herdados de JpaRepository. Veja nos exemplos da Listagem 6, na classe UsuarioTest, como é simples executar estas operações com um objeto do tipo IUsuarioRepository. Para isso, é necessário apenas invocar o método desejado a partir do atributo repository (bean IUsuarioRepository).

No método salvar() é criado um objeto Usuario e invocado o método save(T entity) para gravar um novo usuário no banco de dados. Já o método salvarLista() tem o objetivo de gravar uma lista de usuários. Para isso, é usado o método save(Iterable entities). No método excluir(), uma consulta na tabela é realizada com o método findAll(), que recupera todos os usuários cadastrados. Em seguida é selecionado um usuário, entre todos da lista recuperada e, com o método delete(), o excluímos do banco de dados. Alguns outros métodos podem ser úteis, como: findByOne(), que recupera uma única linha da tabela; exists(), para testar se uma linha existe na tabela; count(), que retorna o número de linhas existentes na tabela; deleteAll(), que exclui todas as linhas da tabela; entre outros.

package br.com.devmedia.springdata.teste;

import br.com.devmedia.springdata.context.Container;
import br.com.devmedia.springdata.model.Usuario;
import br.com.devmedia.springdata.repository.IUsarioRepository;
import org.springframework.beans.factory.annotation.Autowired;
import org.springframework.stereotype.Component;

import java.util.ArrayList;
import java.util.Calendar;
import java.util.Date;
import java.util.List;

@Component
public class UsuarioTest {
  @Autowired
  private IUsarioRepository repository;

  public void salvar(){
    Calendar calendar = Calendar.getInstance();
    calendar.set(2011, 11, 8, 16, 42, 44);
    Usuario u5 = new Usuario("java07@email.com", "teste7",
    calendar.getTime(), 35);
    repository.save(u5);
  }

  public void salvarLista(){
    List<Usuario> usuarios = new ArrayList<Usuario>();
    Usuario u1 = new Usuario("java01@email.com", "teste1", new Date(), 20);
    Usuario u2 = new Usuario("java02@email.com", "teste2", new Date(), 22);
    Usuario u3 = new Usuario("java03@email.com", "teste3", new Date(), 26);
    Usuario u4 = new Usuario("java04@email.com", "teste4", new Date(), 30);
    usuarios.add(u1); usuarios.add(u2); usuarios.add(u3); usuarios.add(u4);
    List<Usuario> users = repository.save(usuarios);
  }

  public void excluir(){
    List<Usuario> usuarios = repository.findAll();
    Usuario usuario = usuarios.get(0);
    repository.delete(usuario);
  }

  public void findByLogin() {
    Usuario usuario = repository.findByLogin("java02@email.com");
    System.out.println(usuario.toString());
  }

  public void findByIdadeBetween() {
    List<Usuario> usuarios = repository.findByIdadeBetween(25, 35);
    for (Usuario u : usuarios)
      System.out.println(u.toString());
  }

  public void findByDtCasdastro() {
    Calendar c = Calendar.getInstance();
    c.set(2011, 11, 8, 16, 42, 44);
    List<Usuario> usuarios = repository.findByDtCadastro(c.getTime());
    for (Usuario u : usuarios)
      System.out.println(u.toString());
  }

  public void findByLoginAndSenha() {
    Usuario usuario = repository
    .findByLoginAndSenha("teste2", "java02@email.com");
    System.out.println(usuario.toString());
  }

  public void findByLoginAndSenhaAndIdade() {
    Usuario usuario = repository
    .findByLoginAndSenhaAndIdade(30, "teste4", "java04@email.com");
    System.out.println(usuario.toString());
  }
}
Listagem 6. Código da classe UsuarioTest
Consultas usando Query Methods

O Spring Data JPA, apesar de ter algumas consultas pré-definidas, fornece uma maneira muito simples para se criar métodos de pesquisa. Talvez a grande evolução do projeto, em relação às APIs como HibernateTemplate e JpaTemplate, seja a praticidade e facilidade fornecida ao desenvolvedor para criar estes novos métodos. Ele foi construído de maneira que, em tempo de execução, consegue implementar um método de pesquisa a partir apenas da assinatura declarada na interface de repositório. Para exemplificar e tornar mais fácil a compreensão deste recurso, confira na Listagem 7 alguns métodos adicionados na interface IUsuarioRepository.

package br.com.devmedia.springdata.repository;

import br.com.devmedia.springdata.model.Usuario;
import org.springframework.data.jpa.repository.JpaRepository;
import org.springframework.data.jpa.repository.Query;
import org.springframework.data.repository.query.Param;

import java.util.Date;
import java.util.List;

public interface IUsarioRepository extends JpaRepository<Usuario, Long> {
  //nome do método deve conter o atributo da classe
  public Usuario findByLogin(String login);

  //palavra-chave da consulta: Between
  public List<Usuario> findByIdadeBetween(int startAge, int endAge);

  //consulta por namedQuery
  public List<Usuario> findByDtCadastro(Date dtCadastro);

  //consulta por named parameters
  @Query("from Usuario where login = :login and senha = :senha")
  public Usuario findByLoginAndSenha(@Param("login")String login,
  @Param("senha") String senha);

  //consulta com ordinal parameters
  @Query("from Usuario where login = ?3 and senha = ?2 and idade = ?1")
  public Usuario findByLoginAndSenhaAndIdade
  (int idade, String senha, String login);
}
Listagem 7. Adicionando métodos de consulta na interface IUsuarioRepository

O primeiro método declarado, findByLogin(), tem o objetivo de localizar no banco de dados um usuário pelo seu login. Normalmente teríamos que criar o código deste método em uma classe concreta, porém com o Spring Data JPA não é necessário. Isso porque, quando o bean IUsuarioRepository for instanciado pelo Spring, ele inspeciona todos os métodos declarados na interface e constrói uma consulta para cada um deles. Por padrão, o Spring Data-JPA analisa automaticamente o nome do método e referência parte do nome com o atributo declarado na classe de entidade. No caso do método findByLogin(), ele reconhece o trecho “Login” após o “findBy” e cria uma consulta que pesquise pelo atributo login.

Já o método findByIdadeBetween() tem como característica o uso da palavra-chave between. Esta palavra é uma condição que recupera no banco de dados as linhas que estejam entre dois ou mais valores passados como parâmetros. Por exemplo, uma pesquisa que encontre usuários que tenham idade entre 20 e 30 anos.

Na Tabela 1 estão listadas as palavras chaves suportadas pelo Spring Data JPA que podem fazer parte do nome de um método. Caso a palavra-chave ou o nome do atributo declarado na assinatura do método não exista, uma exceção do tipo java.lang.IllegalArgumentException será lançada em tempo de execução.

Palavra chave	Exemplo de Método	Trecho JPQL
And	findByLastnameAndFirstname	… where x.lastname = ?1 and x.firstname = ?2
Or	findByLastnameOrFirstname	… where x.lastname = ?1 or x.firstname = ?2
Between	findByStartDateBetween	… where x.startDate between 1? and ?2
LessThan	findByAgeLessThan	… where x.age < ?1
GreaterThan	findByAgeGreaterThan	… where x.age > ?1
IsNull	findByAgeIsNull	… where x.age is null
IsNotNull,NotNull	findByAge(Is)NotNull	… where x.age not null
Like	findByFirstnameLike	… where x.firstname like ?1
NotLike	findByFirstnameNotLike	… where x.firstname not like ?1
OrderBy	findByAgeOrderByLastnameDesc	… where x.age = ?1 order by x.lastname desc
Not	findByLastnameNot	… where x.lastname <> ?1
In	findByAgeIn(Collection ages)	… where x.age in ?1
NotIn	findByAgeNotIn(Collection age)	… where x.age not in ?1
Tabela 1. Palavras chaves suportadas pelo Spring Data JPA no nome dos métodos
Usando a JPA NamedQueries

Alguns desenvolvedores entendem que o uso de NamedQueries é uma boa prática por deixar o código mais organizado – facilitando a manutenção do software – ao centralizar em um único local todas as consultas e por evitar SQL Injection. Outros evitam utilizá-las porque acreditam que elas podem tornar a inicialização da aplicação mais lenta – quando existe uma grande quantidade de consultas – já que são carregadas na criação da EntityManagerFactory, e podem consumir um pouco mais de memória por ficarem em cache. Porém, independentemente dos fatores positivos ou negativos dessa prática, os desenvolvedores do Spring Data JPA não se esqueceram de dar suporte a ela.

Um breve exemplo de como empregá-la está descrito na Listagem 8, onde a anotação @NamedQuery é adicionada à classe Usuario. A anotação possui dois parâmetros: o name, que recebe o nome da consulta; e o parâmetro query, que recebe a consulta no formato JPQL. Na interface IUsuarioRepository, se deve declarar um método com o mesmo nome do contido no parâmetro name, o qual é apresentado na Listagem 7 com a assinatura findByDtCadastro(). É valido observar que caso uma consulta tenha dois ou mais parâmetros, a ordem desses parâmetros deve ser respeitada na lista de argumentos do método conforme a ordem que eles se encontram na query JPQL. Ou seja, o primeiro parâmetro da query deve ser o primeiro na lista de argumentos do método, o segundo na query será o segundo na lista de argumentos e assim sucessivamente.

package br.com.devmedia.springdata.model;

import org.springframework.data.jpa.domain.AbstractPersistable;

import javax.persistence.*;
import java.util.Date;

@Entity
@Table(name = "USUARIOS")
@NamedQuery(name = "Usuario.findByDtCadastro",
        query = "select u from Usuario u where u.dtCadastro =?1"
)
public class Usuario extends AbstractPersistable<Long> {
 //código restante omitido.
}
Listagem 8. Código da classe Usuario com consulta NamedQuery
Nota: NamedQueries são consultas estáticas e pré-definidas. Diferentemente de uma consulta dinâmica, executada sempre que um método é invocado, uma NamedQuery é processada no momento da criação da fábrica de Entity Manager, armazenando em memória os resultados encontrados até que algum método do sistema os requisite. Podemos aplicar a anotação @NamedQuery quando queremos definir apenas uma consulta, ou a anotação @NamedQueries quando for necessário incluir várias consultas na mesma classe de entidade. Estas anotações devem ser inseridas logo abaixo da anotação @Entity. Esse tipo de consulta recebe um nome como identificador, por isso são chamadas de Named (nome em inglês) Query, e quando o programador precisa usá-las em alguma parte do código, basta passar como parâmetro o nome da consulta no método createNamedQuery().
Usando a anotação @Query

Uma abordagem parecida com as consultas NamedQueries, mas que deixam de lado a necessidade de declará-las na classe de entidade é o uso da anotação @Query na própria interface do repositório. Na Listagem 7 há dois exemplos, os métodos findByLoginAndSenha() e findByLoginAndSenhaAndIdade().

O método findByLoginAndSenha() usa os chamados Named Parameters, ou, parâmetros nomeados. Esse tipo de parâmetro é inserido como um critério em consultas JPQL. Eles devem ser precedidos de dois pontos, como por exemplo: where login = :login. Nos argumentos do método que usa tal consulta, deve ser adicionada a anotação @Param(“login”), onde o argumento login será o Named Parameter referente ao parâmetro da consulta (:login). Quando se usa essa prática, a ordem dos parâmetros da consulta com os do método não precisa ser a mesma, já que eles são relacionados pelo nome.

Consultas JPQL aceitam também que parâmetros sejam adicionados de maneira ordinal, iniciando em 1. Para isso, basta utilizar o caractere ?seguido de um número que represente a posição do parâmetro na assinatura do método. Por exemplo, no método findByLoginAndSenhaAndIdade(), os parâmetros estão declarados na seguinte ordem:

Idade;
Senha;
Login.

Já na consulta, a ordem está inversa:

Login;
Senha;
Idade.

Usando o caractere ?e seguindo a ordem dos parâmetros declarados na assinatura do método, a consulta JPQL seria expressa da seguinte forma: ...where login = ?3 and senha = ?2 and idade = ?1.

Auditoria com Spring Data JPA

No desenvolvimento de aplicações corporativas, geralmente existe a necessidade de armazenar o histórico de acessos ao banco de dados, o que se costuma chamar de Auditoria. Esse processo tem como função monitorar se um dado é inserido, alterado ou excluído da base de dados. Na prática, são definidas tabelas para armazenar esses logs que contêm tais informações. No entanto, como uma base de dados pode ter inúmeras tabelas e colunas e nem todas precisam de auditoria, o processo vai de acordo com as necessidades de cada empresa e projeto. A auditoria é muito usada também para registrar os usuários que efetuam login na aplicação. Estes registros podem ser feitos em uma tabela no banco de dados ou mesmo em um algum tipo de arquivo como um TXT ou XML.

Para utilizar o recurso de auditoria do Spring Data JPA o desenvolvedor deve criar uma classe de entidade com os atributos que deseja auditar. Essa entidade deve estender a classe AbstractAuditable (do pacote org.springframework.data.jpa.domain), uma implementação da interface Auditable, presente no mesmo pacote, que provê alguns atributos e métodos já pré-definidos. Caso não deseje estender a classe AbstractAuditable, existe a opção de implementar por conta própria a interface Auditable. O Spring Data JPA provê um ouvinte, um tipo de listener, que pode ser empregado para acionar a captura das datas de alterações realizadas no sistema. Para usar este ouvinte é preciso registrar a classe org.springframework.data.jpa.domain.support.AuditingEntityListener em um arquivo do tipo orm.xml, conforme o descrito na Listagem 9.

<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<entity-mappings xmlns="http://java.sun.com/xml/ns/persistence/orm"
  xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance"
  xsi:schemaLocation="http://java.sun.com/xml/ns/persistence/orm
  http://java.sun.com/xml/ns/persistence/orm_2_0.xsd" version="2.0">
<persistence-unit-metadata>
  <persistence-unit-defaults>
    <entity-listeners>
      <entity-listener
      class="org.springframework.data.jpa.domain.support.AuditingEntityListener"/>
    </entity-listeners>
  </persistence-unit-defaults>
</persistence-unit-metadata>

</entity-mappings>
Listagem 9. Arquivo orm.xml para configuração do ouvinte AuditingEntityListener

Para ativar a funcionalidade de auditoria, é necessário adicionar um elemento no arquivo de configuração applicationContext.xml para indicar o bean que irá implementar a interface org.springframework.data.domain.AuditorAware. Observe na Listagem 10 a configuração que deve ser inserida neste arquivo. As classes que implementam AuditorAware serão identificadas pelo Spring como uma classe de auditoria e também terão acesso ao método getCurrentAuditor(), que tem como objetivo retornar um objeto auditado. Um exemplo simples de implementação de AuditorAware pode ser conferido na Listagem 11, onde apresentamos a classe AuditorAwareImpl, que possui apenas um atributo do tipo AuditoriaUsuario e seus métodos get e set. Este atributo faz referência à classe de entidade que possui os dados definidos pelo programador a serem armazenados na tabela de auditoria. Na classe AuditoriaUsuario (veja a Listagem 12) foram definidos dois atributos que serão persistidos no banco: login e acao. Além disso, AuditoriaUsuario estende a classe abstrata org.springframework.data.jpa.domain.AbstractAuditable, que fornece uma implementação pré-definida da interface org.springframework.data.jpa.domain.Auditable, que contém alguns métodos modificadores (set) e assessores (get). Com esta implementação pré-definida, a classe AbstractAuditable provê alguns atributos próprios, que para serem persistidos é importante que o arquivo orm.xml tenha sido configurado conforme a Listagem 10. É possível também, ao invés de estender a classe AbstractAuditable em AuditoriaUsuario, implementar diretamente a interface Auditable e definir seus métodos por conta própria.

<bean id="auditorAware" class="br.com.devmedia.springdata.auditing.AuditorAwareImpl"/>
<jpa:auditing auditor-aware-ref="auditorAware"/>
Listagem 10. Configuração adicional no arquivo applicationContext.xml
package br.com.devmedia.springdata.auditing;

import org.springframework.data.domain.AuditorAware;

public class AuditorAwareImpl implements AuditorAware<AuditoriaUsuario> {
    private AuditoriaUsuario auditoriaUsuario;

    public void setAuditoriaUsuario(AuditoriaUsuario auditoriaUsuario) {
        this.auditoriaUsuario = auditoriaUsuario;
    }

    public AuditoriaUsuario getCurrentAuditor() {
        return auditoriaUsuario;
    }
}
Listagem 11. Classe AuditorAwareImpl – Implementação da interface AuditorAware
package br.com.devmedia.springdata.auditing;

import org.springframework.data.jpa.domain.AbstractAuditable;
import javax.persistence.*;

@Entity
@Table(name = "AUDITORIA_USUARIO")
public class AuditoriaUsuario extends AbstractAuditable<AuditoriaUsuario, Long> {
    @Column(name = "LOGIN")
    private String login;
    @Column(name = "ACAO")
    private String acao;
    @Transient
    public static final String[] Tipo_Acao = {"Save", "Update", "Delete"};

    public String getLogin() {
        return login;
    }

    public void setLogin(String login) {
        this.login = login;
    }

    public String getAcao() {
        return acao;
    }

    public void setAcao(String acao) {
        this.acao = acao;
    }
}
Listagem 12. Classe de entidade AuditoriaUsuario
Nota: Ao criar um projeto JPA você também pode criar o arquivo orm.xml, incluído no diretório META-INF na raiz da unidade de persistência. Nele podem ser definidos os mapeamentos de entidades, como também queries de consultas para NamedQueries e ou outras configurações como o registro de um listener para auditoria com Spring Data JPA.

Na Listagem 13 vamos apresentar um exemplo simples de como realizar o processo de auditoria. No método auditoria() criamos um objeto do tipo Usuario e em seguida salvamos seus dados no banco. Instanciamos a seguir um objeto do tipo AuditoriaUsuario para inserir nele as informações que serão persistidas na tabela de auditoria; neste caso, o login do usuário e a ação (Save) gerada pela operação anterior. Porém, só é possível persistir o objeto AuditoriaUsuario se ele for adicionado em um objeto do tipo AuditorAwareImpl. Objeto este que implementa a interface AuditorAware, a qual controla o processo de auditoria configurado no arquivo applicationContext.xml. Para finalizar, usamos o método save(), da interface CrudRepository, e nele atribuímos como parâmetro o objeto AuditorAwareImpl. Além dos atributos login e acao, este processo irá salvar no banco de dados os atributos da classe AbstractAuditable: createdBy, createdDate, lastModifiedBy e lastModifiedDate.

package br.com.devmedia.springdata.teste;

 import br.com.devmedia.springdata.auditing.AuditorAwareImpl;
 import br.com.devmedia.springdata.auditing.AuditoriaUsuario;
 import br.com.devmedia.springdata.model.Usuario;
 import br.com.devmedia.springdata.repository.IUsarioRepository;
 import org.springframework.beans.factory.annotation.Autowired;
 import org.springframework.data.repository.CrudRepository;
 import org.springframework.stereotype.Component;

 import java.util.Date;

 @Component
 public class AuditoriaTest {
   @Autowired
   private CrudRepository<AuditoriaUsuario, Long> auditorAwareRepository;
   @Autowired
   private AuditorAwareImpl auditorAware;
   @Autowired
   private IUsarioRepository usarioRepository;

   public void auditoria() {
       Usuario u1 = new Usuario("user01@auditoria.com",
       "user1", new Date(), 29);
       usarioRepository.save(u1);

       AuditoriaUsuario auditoria;= new AuditoriaUsuario();
       auditoria.setLogin(u1.getLogin());
       auditoria.setAcao(AuditoriaUsuario.Tipo_Acao[0]);

       auditorAware.setAuditoriaUsuario(auditoria);
       auditorAwareRepository.save(auditoria);

       System.out.println("AuditoriaTest.auditoria : "
       + auditorAware.getCurrentAuditor());
   }
 }
Listagem 13. Configuração adicional no arquivo applicationContext.xml
Conclusões

O Spring Framework é um dos projetos mais bem-sucedidos da linguagem Java. Seus desenvolvedores estão sempre em busca de novidades que podem facilitar o desenvolvimento de aplicações. Embora o Spring não seja um framework de persistência de dados, sempre forneceu a seus usuários diversas APIs para esse fim, como HibernateTemplate, JdbcTemplate, JpaTemplate, entre outras, e em sua maioria, sempre foram muito bem-aceitas e bastante utilizadas em vários projetos. Com o lançamento do Spring Data JPA, pode-se dizer que houve uma grande evolução no que diz respeito à persistência de dados. Esse projeto facilita em muito o desenvolvimento de repositórios para persistência de dados, diminuindo bastante o número de linhas de código, o que torna o desenvolvimento do projeto mais rápido e fácil para o programador.

A grande facilidade em manipular consultas a dados talvez seja o principal aspecto do Spring Data JPA, já que necessita apenas que sejam criadas as assinaturas dos métodos de pesquisa, enquanto a implementação destes métodos fica por conta do Spring. Estas consultas podem ser realizadas usando a linguagem JPQL com NamedQueries, Named Parameters ou Query Methods.


Fonte: https://www.devmedia.com.br/persistencia-com-spring-data-jpa/24390

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