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Anderson Oliveira07/06/2026 14:52
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Redirecionando o bit e o barro! Tecnologia Ancestral e Economia Circular nas Margens da Metrópole.

    "Redirecionando o bit e o barro! Tecnologia Ancestral e Economia Circular nas Margens da Metrópole."

    RESUMO

    O presente artigo analisa as transformações multidimensionais que a internet digital e os ecossistemas tecnológicos contemporâneos proporcionam na sociedade global, contrapondo o avanço das ferramentas de ponta à persistência das desigualdades socioespaciais estruturais do Sul Global. Sob a ótica dialética do Serviço Social e dos Direitos Humanos, examina-se o percurso conceitual e empírico de um "Arquiteto Social Tecnológico" na Baixada Fluminense, cujo trabalho sintetiza a aplicação de metodologias ágeis, Inteligência Artificial (IA) e Economia Circular como instrumentos de soberania comunitária e contra-narrativa anticapitalista. Através do cruzamento dos dados estatísticos de vulnerabilidade territorial de Queimados e Nova Iguaçu com os indicadores de conectividade da pesquisa TIC Domicílios 2024, o estudo demonstra como o fenômeno do colonialismo digital atua para aprofundar abismos históricos. Por fim, detalha-se a engenharia social do Instituto Raízes Vivas 2.0 (o "Quilombo Digital") e a validação estética de sua metodologia por meio de uma discografia autoral de pedagogia social periférica, provando que a tecnologia, quando desprogramada e situada, converte-se em vetor de emancipação e trunfo para a dignidade humana.

    Palavras-chave: Inteligência Artificial; Economia Circular; Quilombo Digital; Serviço Social; Direitos Humanos; Periferia.

    1. Introdução: O Fetiche Tecnológico Frente à Realidade Material das Margens

    O debate contemporâneo sobre a transição digital e o advento da Inteligência Artificial (IA) oscila frequentemente entre o deslumbramento utópico da tecnocultura corporativa e o imobilismo distópico das análises de controle. No tecido social das periferias metropolitanas do Sul Global, essa dinâmica se expressa de maneira violenta. A introdução de dispositivos móveis e redes de dados em territórios pauperizados é, por vezes, revestida de um verniz de "solução mágica" um fetiche tecnológico que, conforme as advertências críticas de José Paulo Netto, oblitera as relações de poder, as assimetrias na produção de conhecimento e os mecanismos renovados de reprodução da miséria. Para o Serviço Social, cuja tradição recusa o aprisionamento à aparência fenomênica dos processos sociais, o primeiro movimento da práxis exige a desmistificação radical dessas ferramentas digitais.

    A presente investigação se debruça sobre os municípios de Queimados e Nova Iguaçu, localizados na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro. Esses territórios concentram as expressões mais agudas da "Questão Social" brasileira, compreendida não como uma disfunção episódica, mas como o conjunto das contradições estruturais inerentes ao capitalismo dependente e monopolista. Como elucida Marilda Iamamoto, a expansão do capital em sua fase contemporânea (o capital fetiche) submete os direitos sociais à lógica da mercadoria, intensificando a precarização das condições de vida e promovendo o apagamento das identidades coletivas.

    Para contrapor essa engrenagem de desumanização, este estudo resgata a formulação ética de Antonio Candido, que posiciona a fruição da arte e da literatura como um "bem incompressível". A negação desse direito elementar de fabulação, agravada pela escassez histórica de equipamentos culturais formais e pelo advento de uma exclusão digital qualificada, representa uma "mutilação da personalidade" dos sujeitos periféricos. Diante disso, a emergência de projetos que integram Inteligência Artificial, Economia Circular e Direitos Humanos simbolizados na trajetória de Anderson Morethson de Oliveira, apresenta-se como um campo fecundo de pesquisa-ação-participativa (PAP). A tecnologia deixa de ser uma "caixa-preta" exógena para se tornar um objeto de disputa política, um instrumento de autodefesa e uma ferramenta para a emancipação socioterritorial na Baixada Fluminense.

    2. A Trajetória Paradigmática do "Arquiteto Social Tecnológico"

    A construção conceitual deste artigo ancora-se, em termos empíricos e de fundamentação prática, na biografia operativa e intelectual de Anderson Morethson de Oliveira, cuja transição entre diferentes esferas profissionais ilustra a possibilidade de hibridização entre a precisão técnica e o compromisso ético-político humanitário. A progressão de sua carreira fornece o substrato metodológico para a elaboração de intervenções sociais escaláveis e robustas.

    2.1 Fundamentos Militares e Gestão de Sistemas Críticos de Informação

    Entre 2006 e 2011, Anderson Morethson de Oliveira serviu na Marinha do Brasil como Cabo de Comunicações Navais (CB-CN), sob o Número de Identificação de Pessoal (NIP) 00.0266.71. A operação diária de sistemas de comunicação estratégica por rádio e satélite em ambientes de alta pressão militar moldou uma disciplina operacional voltada para a garantia da integridade da informação, criptografia e rapidez no fluxo de dados em rede. A formalização de sua transferência para a reserva reformada ocorreu via Portaria nº 62, de 13 de janeiro de 2012, amparada nos artigos 104, 106 e 108 da Lei nº 6.880/1980 (Estatuto dos Militares), subsidiada por inspeções detalhadas das Juntas de Saúde da Marinha. Esta base inicial em gerenciamento de tráfego de dados invisíveis e protocolos rígidos de segurança constituiu a fundação técnica que, posteriormente, seria transmutada em ferramentas de ativismo digital e mobilização social contra o (Racismo Algoritmo) nas Big Techs.

    2.2 Controle de Qualidade Industrial e Liderança em Logística Urbana

    Em 2015, Anderson Morethson de Oliveira também ingressou no setor da infraestrutura industrial pesada na Qualiman Engenharia, atuando na montagem das instalações do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (COMPERJ). Sua atuação no segmento de Pipe Shop (oficina de tubulações) concentrou-se no controle estrito de qualidade de processos de soldagem, gabaritagem e precisão dimensional. Houve aqui o deslocamento da manipulação de frequências de rádio digitais para a verificação empírica de sistemas mecânicos complexos.

    Essa competência na otimização de fluxos materiais expandiu-se para a esfera pública municipal: de 2015 a 2017, atuou como Encarregado Civil de Infraestrutura na Prefeitura de São Gonçalo um dos aglomerados urbanos mais populosos e complexos do estado. No gerenciamento direto de canteiros de obras e equipes operacionais, sua supervisão logística pautou-se na mitigação de desperdícios no uso de insumos públicos e na mediação de conflitos cotidianos entre o planejamento técnico-operativo burocrático e os direitos das comunidades locais. O domínio técnico de grandes operações consolidou-se em 2016, quando atuou no Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016 como Auxiliar Operacional e Administrativo, gerenciando fluxos de trabalho imediatos e atendendo a demandas de um macroevento internacional.

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    |                        EVOLUÇÃO DA TRAJETÓRIA OPERATIVA                       |
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    |  MARINHA DO BRASIL (2006-2011)  | Sistemas de Comunicação e Fluxo Crítico     |
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    |  QUALIMAN ENGENHARIA (2015)     | Controle de Qualidade e Conformidade Técnica|
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    |  PREF. SÃO GONÇALO (2015-2017)  | Infraestrutura Civil e Eficiência de Insumos|
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    |  COMITÊ RIO 2016                | Macro-Logística e Fluxo Informacional Global|
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    |  UFRJ / SEMAS (2024-2026)       | Práxis em Direitos Humanos e Inovação em IA |
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    2.3 O Pivô Tecnológico na Proteção Social e no Ativismo Digital

    A inserção de Anderson Morethson de Oliveira na Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) operou uma reconversão qualitativa desse repertório operacional. Durante o biênio 2024-2025, sua atuação em estágios estratégicos com refugiados venezuelanos na Secretaria Municipal de Assistência Social de Nova Iguaçu (SEMAS-NI) e na Superintendência de Direitos Humanos (SDH-NI) levou a sistematização, automação e a agilidade para o acolhimento, triagem e regularização de fluxos de migrantes e refugiados transnacionais. Aplicou ferramentas de Inteligência Artificial para otimizar relatórios, catalogar, cruzar informações e assim otimizar a triagem de dados vulneráveis de atendimento social, diminuindo sensivelmente o tempo de espera das famílias e desburorocratizando o acesso a documentos civis fundamentais. Paralelamente, atuou no processamento e encaminhamento ágil de denúncias de violência de Estado e violações civis por meio da Operação Disque 100, valendo-se da precisão operacional de sua bagagem naval para articular redes urgentes de proteção.

    Essa práxis expandiu-se para o certame público (Edital Simplificado SEMAS/PROAS-NI nº 001/2026), no qual alcançou 30 pontos na classificação preliminar para as funções de Orientador Social e Pedagogo (vagas de Ações Afirmativas) cronograma este temporariamente suspenso pela administração municipal a partir de fevereiro de 2026 em virtude do princípio de autotutela administrativa ou seja mas uma oportunidade de apresentar seu poder de criação digital diferenciada. No âmbito transnacional, Oliveira converteu essa arquitetura de dados em ferramentas de advocacia digital na plataforma Human Rights L.A., organizando eventos, educando as pessoas a respeitar os Direitos Humanos, subscrevendo petições e estruturando campanhas algorítmicas de proteção a defensores de direitos humanos ameaçados nas periferias latino-americanas, somando-se ao seu engajamento ecopolítico registrado junto ao Greenpeace Brasil pela preservação das bacias hidrográficas urbanas.

    3. Diagnóstico Socioterritorial: A Base Material e as Assimetrias Metropolitanas

    A implementação de qualquer superestrutura digital e inovação em IA de forma emancipatória exige uma análise rigorosa das condições materiais de existência que moldam os territórios periféricos. Para afastar o "solucionismo tecnológico", o projeto de intervenção apoia-se no Trabalho Final de Arquitetura para a Graduação de Silva (2022) também da UFRJ, intitulado Centro de Cultura e Memória da Cidade de Queimados. O diagnóstico de Silva desvela um severo quadro de apagamento histórico, fragilidade institucional e desarticulação das políticas de preservação do patrimônio. Como sublinha a autora, na cidade inexiste arquivamento adequado de documentos históricos e memória municipal, expondo a comunidade a uma violência simbólica de invisibilização identitária.

    A Baixada Fluminense funciona historicamente dentro de uma lógica de "periferização funcional" ou "cidade-dormitório". O diagnóstico territorial de Silva aponta que 53% da população economicamente ativa de Queimados trabalha fora de seu município, deslocando-se diariamente em eixos de transporte precários e custosos. Esse aprisionamento na infraestrutura de sobrevivência material limita sensivelmente o tempo livre dedicado à fruição cultural, à educação técnica e ao exercício democrático.

    Ao efetuarmos um corte analítico multidimensional e comparativo entre Queimados, Nova Iguaçu e enclaves de alta renda da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (como Niterói e o bairro da Lagoa, na Zona Sul), a contradição entre a infraestrutura material e o acesso ao futuro torna-se explícita:

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    Esta clivagem espacial revela a vigência de uma necropolítica territorializada. O Estado administra a sobrevivência na Baixada Fluminense por meio da escassez crônica de investimento e da violência aberta, resultando em uma mortalidade precoce de sua população masculina e negra (cuja taxa de homicídios em Queimados supera em 18 vezes a da Zona Sul capital). Os marcos patrimoniais históricos do município tais como as Ruínas do Antigo Leprosário (São Roque) e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição encontram-se abandonados pelo poder público, embora 87% da população local afirme em pesquisas documentadas por Silva (2022) considerar de extrema relevância o conhecimento da história regional.

    Ao comparar a governança da Baixada Fluminense, Nova Iguaçu consolidou uma rede cultural mais estável, com quatro equipamentos permanentes principais (Complexo Cultural Mário Marques, compreendendo a Casa de Cultura Ney Alberto, o Teatro Sylvio Monteiro e a Biblioteca Cial Brito, além da Estação Cultural de Tinguá e o Parque Arqueológico de Iguassú Velha). Isso equivale a um equipamento para cada 200 mil habitantes, amparado por editais contínuos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e pela presença de 40 a 60 coletivos organizados.

    Queimados, em contrapartida, apresenta um vazio absoluto de equipamentos fixos tradicionais para seus 160 mil habitantes, dependendo de espaços improvisados como praças, escolas e igrejas para a vazão de seus 10 a 15 coletivos de base (Slam Queimados, Queimados em Cena, Grupo Raízes da Baixada). A inauguração da Casa da Inovação Ziraldo em 2023 atenuou a lacuna na formação tecnológica digital básica de jovens, mas sua estrutura lógica foi desenhada de forma anterior à explosão massiva das ferramentas de IA Generativa, demandando uma imediata atualização crítica.

    3.1 O Abismo da Conectividade Significativa e a Economia Circular da Subversão

    Para além do fosso físico dos teatros e do asfalto, a exclusão contemporânea se reconfigurou sob a forma do colonialismo digital. Os dados extraídos da pesquisa TIC Domicílios 2024, coordenada pelo CETIC.br, revelam que o acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) no Brasil reproduz de forma cirúrgica a divisão clássica de classes. A exclusão não reside mais na desconexão absoluta, mas na precariedade da chamada Conectividade Significativa (CS), uma escala que mede a qualidade da banda larga, a franquia de dados móveis, a diversidade de dispositivos e o desenvolvimento de habilidades cognitivas avançadas.

    Os dados estruturais em anexo desenham o retrato estatístico dessa assimetria informacional:

    • O Marcador de Classe na Conectividade: No topo da pirâmide (Classe A), 73% dos indivíduos usufruem do nível mais elevado de Conectividade Significativa. Nas bases da pirâmide social (Classes D e E), esse índice despenca para apenas 3%, enquanto 62% dessas populações estão confinadas no estrato de pior qualidade de conexão do país.
    • A Armadilha do Dispositivo Único: Nas classes D e E, 86% dos usuários acessam a internet exclusivamente através do telefone celular, contra uma presença de computadores (desktops ou notebooks) em míseros 11% dos domicílios periféricos de baixa renda. Na Classe A, a posse de computadores atinge 97%.
    • O Atrofia de Habilidades Produtivas: A dependência exclusiva do celular, atrelada a planos de dados móveis pré-pagos restritos (utilizados por 69% das classes D e E), limita as interações digitais a um consumo passivo de vídeos e redes sociais comerciais de rolagem infinita. Atividades complexas de produção profissional e criação artística são interditadas pelo hardware precário. O ato de construir uma apresentação eletrônica de dados é dominado por 33% dos usuários de múltiplos dispositivos, mas cai para apenas 7% entre os usuários de celular exclusivo. O manuseio de fórmulas em planilhas eletrônicas habilidade essencial para o empreendedorismo e gestão autônoma é de 38% no primeiro grupo e atinge somente 7% na periferia conectada via smartphone básico. Até mesmo comandos fundamentais como "copiar e colar" conteúdos digitais são executados por 68% dos usuários de múltiplos hardwares e despencam para 30% no acesso exclusivo via celular.
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    |               DISTRIBUIÇÃO DA INFRAESTRUTURA DIGITAL              |
    +-------------------------------------------------------------------+
    | INDICADOR DIGITAL                 | CLASSES D/E    | CLASSE A     |
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    | Alta Conectividade Significativa  | 3%             | 73%          |
    | Acesso Exclusivo via Celular      | 86%            | < 5%         |
    | Presença de Computador em Casa    | 11%            | 97%          |
    | Capacidade de Checagem de Fatos   | 27%            | 81%          |
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    Este bloqueio material expõe as comunidades de Queimados e Nova Iguaçu a uma grave vulnerabilidade cognitiva frente ao avanço da IA generativa. Especialistas alertam que, com a previsão de que até 90% do conteúdo digital de texto, imagem e áudio será sintético nos próximos anos, as populações desprovidas de letramento computacional avançado tornam-se alvos preferenciais de campanhas massivas de desinformação, deepfakes e estelionato algorítmico. Apenas 27% dos cidadãos situados na faixa mais baixa de Conectividade Significativa conseguem checar se uma informação recebida pela internet é verídica, enquanto na faixa de alta esse índice é de 81%.

    É nessa fratura socioespacial que a Economia Circular e o conceito de Arte Cultural Sintrópica articulam-se como respostas insurgentes de base material. Como postulam os ecossistemas teóricos de Capra e Luisi (2014), a sintropia se opõe à entropia; ela descreve sistemas que tendem à organização, ao adensamento de complexidade e à autogeração de valor de forma integrada. A economia circular tradicional, de matriz corporativa eurocêntrica, foca apenas na eficiência da reciclagem industrial. A práxis das periferias brasileiras ressignifica esse modelo por meio da tecnologia social da "gambiarra" ou o "se virar".

    A escassez material obriga a comunidade ao reuso criativo (upcycling): paletes transformados em palcos de saraus de poesia, microfones reparados de forma artesanal com fita isolante, amplificadores montados com carcaças de eletrodomésticos descartados. A gambiarra periférica deixa de ser um indicador de precariedade econômica e passa a ser compreendida como um saber-fazer ecológico solidário e autônomo, capaz de fixar a riqueza dentro do próprio território, subvertendo o modelo linear de consumo extrativista imposto pelas cadeias globais de obsolescência programada.

    5. O Instituto Raízes Vivas 2.0 como Epistemologia do Quilombo Digital

    Como fechamento lógico e operativo diante do diagnóstico de carência cultural e colonialismo informacional, propõe-se a estruturação conceitual do Instituto Raízes Vivas 2.0: Inteligência Ancestral para a Transformação Social. O Instituto não se desenha como uma ONG tradicional e assistencialista, mas como uma Infraestrutura Digital de Base Comunitária (IDBC) ou que se posicionará como um quilombo digital, um bem comum tecnológico e informacional governado democraticamente e com soberania digital pelos próprios moradores do território, em consonância com as teorias de governo aberto para IPDs de Vaz e Campagnucci (2025).

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                       |       INSTITUTO RAÍZES VIVAS 2.0      |
                       |          (Quilombo Digital)           |
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                                           |
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         |                                 |                                 |
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    | LAB POÉTICAS|                   |  ARCA DIGITAL |                   | LETRAMENTO  |
    | TECNOLÓGICAS|                   |  ANCESTRAL  |                   |  CRÍTICO    |
    +------+------+                   +------+------+                   +------+------+
         |                                 |                                 |
         |--> GANs/Transformers            |--> Griôs & Mestres              |--> IA Ética
         |--> Estética de Quebrada         |--> Registro 3D                  |--> Autodefesa
         |--> Subversão da Técnica         |--> Soberania de Dados           |--> Contra-fakes
    

    O eixo epistemológico da proposta reside na fusão conceitual de duas categorias: Inteligência Ancestral e Quilombo Digital. A Inteligência Ancestral, inspirada nas formulações eco-filosóficas de Alexandre Nodari (2019), recupera as matrizes de resistência indígena e afro-brasileira diaspórica não como folclore estático ou relíquia do passado, mas como tecnologias sociais vivas de sobrevivência, ordenação mental e organização coletiva cruciais para as encruzilhadas civilizatórias do presente.

    O quilombo, historicamente, foi a maior tecnologia de autonomia, autogestão e ruptura política do povo negro frente à covardia escravocrata. O Quilombo Digital atualiza essa categoria para o século XXI: constitui um espaço territorializado de apropriação crítica, subversão e soberania das ferramentas computacionais, recusando a condição de mera área de mineração de dados para as Big Techs.

    A engenharia social e operativa do Instituto ancora-se em quatro pilares transversais de atuação:

    5.1 Laboratório de Poéticas Tecnológicas e Arte Cultural Sintrópica

    Este pilar afasta a lógica instrumental do ensino informático básico e avança em direção à "desprogramação da técnica" teorizada por Carolina Loch (2021). Loch adverte para o risco de "perda de critério" poético decorrente do fetiche com experimentos meramente algorítmicos e desprovidos de fricção social, como o projeto europeu The Next Rembrandt.

    • Ação: O laboratório fornece acesso a hardware de alto processamento gráfico e treina os jovens da periferia no manuseio de modelos generativos (Generative Adversarial Networks - GANs, e Transformers) e plataformas de nuvem como Microsoft Azure e muitos outros.
    • Práxis: O diferencial reside no fato de que essas IAs são re-treinadas de forma restrita com bancos de dados visuais e sonoros locais: o grafite dos muros de Nova Iguaçu, as cores das festas populares de Queimados, a batida sincopada do funk carioca e os ritmos de matriz africana do jongo. Força-se o algoritmo a operar fora de seus parâmetros comerciais ocidentais, gerando uma co-criação cognitiva com "sotaque local" e "feeling" de quebrada, onde o artista periférico retém o controle político da autoria intelectual.

    5.2 Economia Circular Solidária da Gambiarra

    A transição ecológica e material do território por meio do cooperativismo e do empreendedorismo social.

    • Ação: Estruturação de uma rede de logística reversa comunitária para o recolhimento de lixo eletrônico (e-waste) de computadores e smartphones descartados pela cidade formal. As oficinas ensinam jovens no recondicionamento e manutenção de placas, processadores e displays, montando novos computadores compartilhados de alta performance para os laboratórios do próprio Instituto.
    • Práxis: Paralelamente, em parceria com cooperativas de catadores locais, resíduos plásticos e materiais descartados em sets de filmagem e eventos são processados para a fabricação de filamentos 3D de artes visuais, cenotécnica e figurinos de teatro sustentável. O modelo elimina a hierarquia de saberes: a costureira tradicional que executa upcycling de tecidos e o técnico que conserta circuitos operam sob a lógica da economia solidária, gerando renda autônoma e circular que permanece no município.

    5.3 Capacitação, Saúde Informacional e Autodefesa Digital

    Orientado de forma estrita para a formação de uma cidadania digital crítica e letramento em IA, contrapondo-se à banalidade da exclusão descrita na filosofia de Hannah Arendt.

    • Ação: Desenvolvimento de competências algorítmicas avançadas em cooperação com as diretrizes educacionais de Sanches e Menezes (2025). O foco pedagógico centra-se no letramento em inteligência artificial e na verificação sistemática de fontes e fatos.
    • Práxis: Os jovens e adultos aprendem de forma prática como as plataformas de busca e recomendação comercial estruturam bolhas informacionais e modulam o comportamento social. O laboratório funciona como uma agência comunitária de checagem e proteção cognitiva do território, fornecendo ferramentas inteligíveis para que crianças e idosos consigam identificar deepfakes, fraudes digitais e notícias falsas que ameaçam a estabilidade democrática e sanitária da comunidade.

    5.4 Arca Digital Ancestral

    O resgate histórico-crítico e a proteção da memória imaterial por meio das tecnologias de ponta.

    • Ação: Em resposta direta à ausência de arquivos e ao apagamento documental diagnosticados em Queimados por Silva (2022), o Instituto utiliza ferramentas de IA para transcrever, traduzir e catalogar narrativas orais coletadas junto aos anciãos do jongo, às matriarcas do samba de roda, aos raizeiros de terreiro e aos pioneiros dos bailes funk da Baixada.
    • Práxis: Através de escaneamento fotogramétrico tridimensional executado por smartphones e processado por redes neurais, locais de relevância afetiva e patrimônios materiais em ruínas são digitalizados. O acervo é disponibilizado em uma plataforma pública em software livre de Realidade Aumentada (RA), permitindo que qualquer cidadão, ao apontar a câmera do celular para os monumentos históricos ou esquecidos do município, visualize sua reconstrução histórica e escute os relatos orais de seus antepassados. A soberania dos dados permanece integralmente sob controle do Conselho Comunitário multissetorial, impedindo o extrativismo informacional corporativo.

    6. A Metodologia da Pesquisa-Ação e a Validação Lírica da Práxis

    A arquitetura teórica deste artigo não se sustenta de forma isolada; ela foi validada no campo empírico através da metodologia da Pesquisa-Ação Participativa (PAP). Conforme os aportes epistemológicos de Scribano (2017) e Michel Thiollent (1986), a PAP recusa a separação positivista entre o sujeito que pesquisa e o objeto pesquisado; ela integra a produção de conhecimento científico à intervenção direta na realidade material, transformando os moradores de "informantes" em co-investigadores autônomos de seus próprios problemas.

    O processo de validação empírica e pedagógica da PAP deu-se através da produção, gravação e lançamento global de uma discografia autoral em formato de estudo de caso, composta por dois álbuns e um terceiro chamado Raízes Vivas já em fase final de lançamento, uma pedagogia social musical geridos pela marca Andersoul Produções:

    6.1 Álbum I: Algoritmo que Desencantou Meus Sonhos (2024-2025)

    Esta obra musical opera como um diagnóstico crítico e lírico sobre as engrenagens do capitalismo informacional e o racismo algorítmico na Baixada Fluminense. A lírica articula o pensamento político de Hannah Arendt e Nancy Fraser para denunciar a "subcidadania digital" imposta aos usuários que dependem exclusivamente de pacotes restritos de dados móveis.

    Em termos técnicos de produção, o álbum materializou o pilar da "desprogramação da técnica" ao utilizar softwares de áudio básicos e ferramentas de síntese sonora por IA generativa para emular os arranjos técnicos complexos de estúdios hegemônicos, provando que a periferia pode reter a soberania de sua criação fonográfica a partir de recursos materiais escassos.

    6.2 Álbum II: O Futuro Tem Endereço (Remasterizações 2025-2026)

    O segundo tomo fonográfico avança da denúncia para o anúncio de alternativas insurgentes. O álbum constrói uma cartografia afetiva e lírica do território de Queimados e Nova Iguaçu, recorrendo aos referenciais teóricos de Joaquín Herrera Flores (2000) e Norberto Bobbio (1992) para defender os direitos humanos e digitais como processos de luta histórica pela dignidade e como reivindicações morais inalienáveis.

    A estética musical ancora-se de forma intencional no funk carioca e no trap motivacional periférico. Esses gêneros musicais urbanos são analisados no estudo de caso como legítimas expressões da tecnologia ancestral da diáspora negra. DJs e MCs utilizam samplers e bases eletrônicas modernas para reinterpretar a síncope, os tambores e a tradição oral dos terreiros e quilombos, convertendo a batida digital urbana em um escudo de defesa cognitiva e um motor de afirmação identitária para a juventude da Baixada Fluminense.

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    |                       CORPUS METODOLÓGICO DA DISCOGRAFIA  (Trilogia)                  |          |
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    | ÁLBUM: Algoritmo que Desencantou Meus Sonhos (2024-2025)                              |
    | -> Foco Analítico: Crítica ao Racismo Algorítmico e Colonialismo Digital              |
    | -> Marcos Teóricos: Hannah Arendt, Nancy Fraser, Ronald Dworkin                       |
    +---------------------------------------------------------------------------------------+
    | ÁLBUM: O Futuro Tem Endereço (Remastered 2025-2026)                                   |
    | -> Foco Analítico: Afirmação Territorial e Tecnologia Ancestral do Funk/Trap          |
    | -> Marcos Teóricos: Antonio Candido, Herrera Flores, Norberto Bobbio                  |
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    | ÁLBUM 3 (2026) Raízes Vivas [Prévia de um NOVO LANÇAMENTO]                            |             |
    | -> Crônicas lutas, conquistas materiais e retrocessos de bastidores.                  |
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    Para processar a riqueza dos discursos coletados tanto nas faixas musicais quanto nas entrevistas semiestruturadas aplicadas a artistas urbanos e especialistas em ética computacional da Baixada, o trabalho utilizou a técnica de Análise de Conteúdo estruturada por Laurence Bardin (2011). A análise dividiu-se metodologicamente nas três fases clássicas de Bardin:

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    |                     FASES DA ANÁLISE DE CONTEÚDO (BARDIN)                  |
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    | FASE 1: PRÉ-ANÁLISE         | Leitura flutuante das transcrições das       |
    |                             | entrevistas e das faixas fonográficas.     |
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    | FASE 2: EXPLORAÇÃO DO MAT.  | Codificação e emersão das quatro categorias  |
    |                             | dialéticas estruturantes (Território, Faca   |
    |                             | de Dois Gumes, Gambiarra, Autonomia).      |
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    | FASE 3: TRATAMENTO E INF.   | Inferência crítica para o desenho prático e  |
    |                             | governança do Instituto Raízes Vivas 2.0.  |
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    As categorias temáticas que emergiram da codificação sistemática desvelam a contradição e a síntese da práxis nas margens metropolitanas:

    • Categoria Temática 1: O Território como Ponto de Partida e Chegada: Revela que as barreiras materiais da Baixada Fluminense condicionam e limitam qualquer apropriação tecnológica. Os relatos empíricos dos MCs e grafiteiros ("Minha internet é horrível... A gente luta contra tudo") validam os dados estatísticos da TIC Domicílios 2024 sobre o bloqueio informacional imposto pelo celular exclusivo.
    • Categoria Temática 2: A Tecnologia como Faca de Dois Gumes: Expõe a ambivalência profunda dos sujeitos periféricos frente à Inteligência Artificial. Existe uma nítida repulsa ao risco de homogeneização cultural comercial da máquina ("medo de tirar o nosso feeling e a nossa alma"), contraposta a um desejo de apropriação soberana da ferramenta para ganho de escala técnica e redução de custos de estúdio ("se for para ser uma ferramenta na nossa mão para a gente mandar, aí eu topo").
    • Categoria Temática 3: O Saber Popular como Práxis de Sustentabilidade: Demonstra que os preceitos científicos e ecológicos da economia circular e do Serviço Social crítico já operam de forma intuitiva, orgânica e ancestral no cotidiano do território sob a forma (arte) de "se virar" ou da "gambiarra" solidária. A inovação não reside na importação de teorias europeias de sustentabilidade, mas na sistematização e fomento econômico das soluções que as comunidades já criam para sobreviver.
    • Categoria Temática 4: Autonomia e Emancipação como Métrica de Sucesso: Consolida a premissa de que a finalidade última do Instituto Raízes Vivas 2.0 não é o desenvolvimento de competências técnicas instrumentais voltadas para o mercado precarizado de TI. A métrica real de impacto reside na capacidade de organização política e soberania narrativa da comunidade. O sucesso se materializa quando o território deixa de ser o laboratório empírico ou o consumidor passivo de tecnologias alheias e passa a governar suas próprias estruturas digitais.

    7. Da Práxis Comunitária à Política Pública: A Institucionalização do Futuro

    O horizonte estratégico do Instituto Raízes Vivas 2.0 recusa o confinamento a uma intervenção piloto, fragmentada ou episódica, fenômeno que as análises críticas de Behring e Boschetti (2011) sobre as políticas sociais brasileiras identificam como a marca das contrarreformas neoliberais e do gerenciamento focalizado da pobreza. A meta central do projeto de pesquisa-ação é a sua institucionalização definitiva depende de parcerias estratégicas como #Microsoft, #Insi, #Google... dentre muitas empresas possíveis ,operando a transição de uma tecnologia social de base comunitária para uma política pública estruturante de Direitos Humanos e Cultura Digital, aplicando se inicialmente nos terrítórios citados, mas com potencialidades de ser implantado no Sul-Sul Global devido sua riqueza de conhecimento para a população além de evitar novamente o terrível colonialismo, só que agora está em formato digital.

    A instrumentalidade do Serviço Social, conforme as formulações clássicas de Yolanda Guerra (1995), exige que o assistente social atue como um verdadeiro arquiteto social e político, operando mediações complexas que transformam as demandas imediatas da população em respostas institucionais perenes, articulando as dimensões teóricas, éticas e técnico-operativas da profissão. No interior do Instituto, o assistente social atua na superação das barreiras burocráticas que confinam os moradores à condição de meros "usuários" ou "beneficiários" abstratos de direitos, impulsionando-os ao posto de sujeitos políticos ativos e programadores de sua própria história, unindo com força e empatia, o social e o digital numa jornada única e rica de direitos e reconhecimento.

    A sustentabilidade e a governança democrática do Instituto institucionalizado estruturam-se por meio de um modelo multissetorial híbrido de financiamento e controle democrático, desenhado para blindar o espaço de cooptações clientelistas e garantir a autonomia decisória do território:

    • Governança Territorial Baseada na Alteridade: Em conformidade com as exigências éticas de Luigi Ferrajoli (2001) e Jürgen Habermas (1997), o Instituto é governado por um Conselho Deliberativo Comunitário com poder de veto paritário. Moradores, coletivos de arte urbana e lideranças locais detêm assento idêntico a representantes do poder público municipal e das universidades parceiras. O conhecimento de um especialista em computação quântica ou IA e o saber imaterial de uma rezadeira tradicional possuem o mesmo peso epistemológico e político nas deliberações sobre os rumos do território, garantindo processos comunicativos radicalmente inclusivos.
    • Modelo Híbrido de Financiamento e Captação Solidária: A sustentabilidade financeira recusa a dependência exclusiva de repasses governamentais instáveis. O Instituto capta recursos de forma sistêmica através de editais públicos de fomento (Lei Paulo Gustavo, Política Nacional Aldir Blanc - PNAB), fundos de investimento de impacto social e emendas parlamentares voltadas à inovação. Paralelamente, estabelece parcerias estratégicas de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) com grandes corporações de tecnologia global (como Google, Microsoft e Insi, antiga Meta) e organismos internacionais (ONU, OEA, UNESCO). Essas Big Techs fornecem hardware de alta performance, servidores e infraestrutura de rede em troca de inovação aberta descentralizada desenvolvida nas periferias. Os Princípios Orientadores da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos (2011) fornecem a blindagem jurídica para essas parcerias, assegurando que o investimento empresarial respeite a soberania de dados do território e reverta diretamente em benefícios materiais para as comunidades.
    • Geração de Renda Própria via Cooperativismo Circular: O Instituto gera sua própria sustentabilidade material através da comercialização independente de bens culturais sintrópicos e serviços tecnológicos. As cooperativas internas de música, audiovisual e design gráfico distribuem suas produções diretamente nas plataformas digitais globais (Spotify, You tube, Apple Music e mais de 40 plataformas digitais) distribuidas pela #Soundon da #Tik Tok. A oficina de recondicionamento eletrônico e cenografia circular presta consultorias de sustentabilidade para grandes festivais e feiras da Região Metropolitana, fixando a riqueza gerada na Baixada Fluminense. O excedente financeiro é integralmente reinvestido no Fundo de Desenvolvimento Comunitário do próprio Instituto.
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         |             MODELO DE SUSTENTABILIDADE E GOVERNANÇA            |
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         | GOVERNANÇA    | Conselho Comunitário Multissetorial Paritário |
         |               | (Poder de veto e decisão horizontal)          |
         +---------------+------------------------------------------------+
         | FINANCIAMENTO | Editais Públicos (LPG/PNAB) + Emendas         |
         |               | RSC Corporativa (Microsoft,Google/Insi/Meta..)|
         +---------------+------------------------------------------------+
         | CIRCULARIDADE | Venda de Arte/Beats nas Plataformas Globais    |
         |               | Consultorias de Cenografia Circular e Reuso   |
         +----------------------------------------------------------------+
    

    A expansão territorial do Instituto desenha uma rede transnacional de cooperação. O modelo Raízes Vivas 2.0, validado em Queimados e Nova Iguaçu inicialmente, funcionará como uma tecnologia social exportável para outros complexos periféricos do Brasil e do Sul Global, por meio de um "Diálogo Sul-Sul". A articulação de múltiplos Quilombos Digitais em rede quebra o monopólio geográfico da inovação, provando de forma definitiva que as soluções mais complexas, éticas e sustentáveis para os desafios climáticos e informacionais do século XXI não nascem nos centros financeiros e de elite, mas emergem das potências criativas e da soberania das maiorias populares que habitam as margens da metrópole.

    8. Referências Bibliográficas

    • ARENDT, Hannah. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1999.
    • BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.
    • BEHRING, E. R. Brasil em contrarreforma: desestruturação do Estado e perda de direitos. São Paulo: Cortez, 2003.
    • BEHRING, E. R.; BOSCHETTI, I. Política social: fundamentos e história. São Paulo: Cortez, 2011.
    • BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Rio de Janeiro: Campus, 1992.
    • BRASIL. Lei nº 6.880, de 9 de dezembro de 1980. Dispõe sobre o Estatuto dos Militares[cite: 2].
    • CANDIDO, Antonio. O direito à literatura. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
    • CAPRA, Fritjof; LUISI, Pier Luigi. A visão sistêmica da vida: uma concepção unificada e suas implicações para a ciência, gestão e educação. São Paulo: Cultrix, 2014.
    • CETIC.br. Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nos domicílios brasileiros: TIC Domicílios 2024. São Paulo: CGI.br, 2024.
    • DWORKIN, Ronald. Levando os direitos a sério. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
    • FERRAJOLI, Luigi. Direitos e garantias: a lei do mais fraco. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001.
    • FRASER, Nancy. Redistribuição ou reconhecimento? Uma crítica à justiça contemporânea. Revista de Ciências Sociais, v. 24, n. 2, 2003.
    • FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
    • GUERRA, Yolanda. A instrumentalidade do Serviço Social. São Paulo: Cortez, 1995.
    • HABERMAS, Jürgen. Direito e democracia: entre facticidade e validade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997.
    • HERRERA FLORES, Joaquín. A reinvenção dos direitos humanos. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2000.
    • IAMAMOTO, Marilda V. Serviço Social em tempo de capital fetiche: capital financeiro, trabalho e questão social. São Paulo: Cortez, 2008.
    • LIPPOLD, André; FAUSTINO, Deivison. Colonialismo digital e periferias globais. Rio de Janeiro: UFRJ, 2022.
    • LOCH, Carolina Valentim. A desprogramação da técnica na arte tecnológica. São Paulo: USP, 2021.
    • NETTO, José Paulo. Capitalismo monopolista e Serviço Social. São Paulo: Cortez, 1992.
    • NETTO, José Paulo. Crise do capital e Serviço Social. São Paulo: Cortez, 2012.
    • NODARI, Alexandre. Antropoceno e inteligência ancestral. Curitiba: UFPR, 2019.
    • ONU. Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos. Genebra: Conselho de Direitos Humanos, 2011.
    • PASTORINI, Alejandra. A categoria “questão social” em debate. São Paulo: Cortez, 2004.
    • SANCHES, Mariana; MENEZES, João. Competências para uma cidadania digital crítica. Brasília: MEC, 2025.
    • SANTOS, Josiane S. Questão social: particularidades no Brasil. São Paulo: Cortez, 2012.
    • SCRIBANO, Adrián. O processo qualitativo de pesquisa social. Recife: Fundação Joaquim Nabuco; Editora Massangana, 2017.
    • SILVA, A. F. B. Centro de Cultura e Memória da Cidade de Queimados. Trabalho Final de Graduação — Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, 2022.
    • THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo: Cortez, 1986.
    • VAZ, André; CAMPAGNUCCI, Felipe. Infraestruturas públicas digitais e soberania comunitária. Revista Brasileira de Políticas Digitais, v. 3, n. 1, 2025.
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