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Renato Boranga
Renato Boranga07/07/2026 10:10
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Da Administração à Inteligência Artificial: recomeçar não significa voltar ao zero

    Durante muito tempo, fomos ensinados a pensar na carreira como uma linha reta: escolher uma profissão, concluir uma faculdade, encontrar um emprego e permanecer na mesma área pelo restante da vida.

    Entretanto, o mercado mudou, a tecnologia evoluiu e as possibilidades profissionais se multiplicaram. Hoje, construir uma carreira também significa aprender continuamente, conectar experiências diferentes e ter coragem para mudar de direção.

    Minha trajetória profissional não foi uma linha reta. Ela passou pela Administração, pelo setor bancário, pelo empreendedorismo, pela inovação, pela análise de dados, pelo desenvolvimento de sistemas e, atualmente, pela Inteligência Artificial.

    Olhando para cada uma dessas etapas, compreendo que nenhuma experiência foi perdida. Cada uma delas contribuiu para formar o profissional que sou hoje.

    O início na Administração

    Minha primeira graduação foi em Administração de Empresas. Foi nessa formação que desenvolvi conhecimentos sobre planejamento, finanças, processos, estratégia, pessoas e tomada de decisão.

    Naquele momento, eu ainda não imaginava que um dia trabalharia diretamente com desenvolvimento de sistemas, Ciência de Dados e Inteligência Artificial. Mesmo assim, muitos dos conhecimentos adquiridos na Administração continuam presentes em minha rotina.

    A tecnologia não existe isoladamente. Todo sistema precisa resolver um problema, melhorar um processo ou gerar valor para alguém. Por isso, compreender o negócio é tão importante quanto conhecer ferramentas, linguagens de programação e modelos tecnológicos.

    Minha formação em Administração me ensinou a enxergar a organização como um conjunto de processos interligados. Anos depois, essa visão se transformaria em uma vantagem na área de tecnologia.

    As experiências que ampliaram minha visão

    Minha trajetória profissional também passou por diferentes ambientes.

    Atuei no setor bancário, no qual desenvolvi habilidades de atendimento, negociação, relacionamento com clientes e cumprimento de metas. Posteriormente, vivi uma experiência intensa como empreendedor, administrando meu próprio negócio.

    Empreender me ensinou que decisões precisam ser tomadas mesmo quando não temos todas as informações disponíveis. Também mostrou, na prática, a importância do planejamento financeiro, do atendimento, da divulgação, da gestão de compras e da adaptação às mudanças do mercado.

    Mais tarde, como Agente Local de Inovação, tive a oportunidade de acompanhar empresas, analisar problemas, sugerir melhorias e apoiar a implementação de soluções. Essa experiência fortaleceu minha compreensão sobre inovação.

    Inovar nem sempre significa criar algo completamente novo. Muitas vezes, inovar significa observar um problema conhecido por uma perspectiva diferente e encontrar uma maneira mais simples, eficiente ou inteligente de resolvê-lo.

    Foi nesse contexto que minha aproximação com os dados e a tecnologia se tornou cada vez mais forte.

    A Ciência de Dados como ponte

    A pós-graduação em Ciência de Dados e Big Data Analytics representou uma importante mudança em minha trajetória.

    Passei a estudar como os dados podem ser utilizados para compreender comportamentos, identificar padrões, gerar previsões e apoiar decisões. Ferramentas como Python, SQL, Excel e Power BI deixaram de ser apenas tecnologias e passaram a representar novas formas de investigar problemas.

    Na área de dados, descobri algo que se conectava diretamente com minha formação anterior: uma análise só possui valor quando ajuda alguém a tomar uma decisão melhor.

    Não basta criar um gráfico bonito ou desenvolver um modelo complexo. É necessário compreender o contexto, selecionar as informações relevantes e comunicar o resultado de maneira clara.

    A combinação entre Administração e Ciência de Dados permitiu que eu aproximasse a visão estratégica da capacidade analítica.

    O retorno à graduação

    Mesmo já possuindo uma graduação e uma pós-graduação, decidi iniciar o curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas na FATEC.

    Voltar à graduação exigiu organização, disciplina e humildade para aprender novamente desde os fundamentos. Estudei lógica de programação, desenvolvimento web, Java, banco de dados, engenharia de software, APIs e construção de sistemas.

    Essa etapa reforçou uma lição importante: aprender tecnologia exige prática.

    Podemos assistir a muitas aulas e ler diversos materiais, mas é durante a construção de um projeto que surgem os erros, as dúvidas e os aprendizados mais profundos.

    Foi por meio dos projetos acadêmicos e dos desafios de programação que passei a compreender melhor como transformar uma necessidade em uma solução tecnológica.

    Também participei do Santander Coders, com foco em desenvolvimento Back-end com Java. A experiência ampliou meus conhecimentos sobre programação orientada a objetos, APIs, banco de dados, trabalho em equipe e boas práticas de desenvolvimento.

    Uma experiência internacional

    Durante minha formação em tecnologia, também realizei um intercâmbio acadêmico no Instituto Politécnico de Bragança, em Portugal.

    Viver e estudar em outro país foi uma experiência que ultrapassou o aprendizado técnico. Foi necessário adaptar-me a uma nova cultura, conviver com pessoas de diferentes nacionalidades e enfrentar situações fora da minha zona de conforto.

    A experiência internacional fortaleceu minha autonomia, minha capacidade de adaptação e minha confiança para enfrentar novos desafios.

    Ela também mostrou que o conhecimento e a tecnologia ultrapassam fronteiras. Em qualquer lugar, profissionais precisam saber colaborar, comunicar ideias e aprender com pessoas que possuem experiências diferentes.

    Aprender construindo soluções

    Ao longo dessa transição, comecei a desenvolver projetos relacionados a dados, automação e Inteligência Artificial.

    Entre essas experiências estão soluções para análise de informações operacionais, previsão de eventos, leitura inteligente de documentos, dashboards e sistemas capazes de apoiar decisões.

    Também tenho trabalhado em propostas que utilizam Inteligência Artificial para identificar falhas, orientar processos e transformar dados técnicos em informações mais compreensíveis para os usuários.

    Esses projetos me mostraram que uma boa solução tecnológica não começa pela ferramenta. Ela começa pela compreensão do problema.

    Antes de escolher uma linguagem, um modelo de IA ou uma arquitetura, precisamos responder:

    • Qual problema queremos resolver?
    • Quem utilizará a solução?
    • Qual resultado precisa ser alcançado?
    • Como saberemos se a solução realmente funcionou?

    Essas perguntas aproximam tecnologia, estratégia e experiência do usuário.

    O próximo passo: Bacharelado em Inteligência Artificial

    Depois da Administração, da Ciência de Dados e do Desenvolvimento de Sistemas, decidi iniciar uma nova etapa: o Bacharelado em Inteligência Artificial na UNIVESP.

    A decisão de começar uma terceira graduação não representa uma tentativa de acumular diplomas. Representa o compromisso de aprofundar conhecimentos em uma área que está transformando empresas, profissões e a sociedade.

    Quero compreender não apenas como utilizar ferramentas de IA, mas também como os modelos funcionam, como são treinados, quais limitações possuem e como podem ser aplicados com responsabilidade.

    A Inteligência Artificial oferece inúmeras possibilidades, mas também exige pensamento crítico, ética e compreensão dos impactos causados pelas decisões automatizadas.

    Cinco aprendizados da minha transição

    Minha trajetória me ensinou algumas lições que podem ajudar outras pessoas interessadas em iniciar ou acelerar uma carreira em tecnologia.

    1. Você não começa novamente do zero

    Ao mudar de área, levamos conosco nossas experiências anteriores. Atendimento, gestão, comunicação, vendas, processos e liderança também são competências importantes na tecnologia.

    2. Não espere dominar tudo para começar

    A tecnologia está sempre mudando. Ninguém conhece todas as linguagens, ferramentas ou frameworks. O mais importante é desenvolver uma base sólida e continuar aprendendo.

    3. Projetos transformam conhecimento em experiência

    Cursos são importantes, mas construir projetos é o que demonstra nossa capacidade de aplicar o conhecimento. Cada projeto concluído se transforma em aprendizado e em parte do nosso portfólio.

    4. Saber comunicar é uma competência técnica

    Uma solução só gera impacto quando outras pessoas conseguem compreendê-la. Explicar ideias, documentar projetos e apresentar resultados são habilidades fundamentais.

    5. A experiência multidisciplinar pode ser uma vantagem

    Profissionais que conectam tecnologia, negócio, dados e comportamento humano conseguem analisar os problemas de maneira mais ampla.

    DIO Campus Expert: uma nova etapa

    Participar da Turma 16 do DIO Campus Expert representa mais uma etapa dessa jornada de aprendizado e transformação.

    O programa oferece a oportunidade de desenvolver liderança, comunicação, networking, posicionamento profissional e compartilhamento de conhecimento.

    Escrever este artigo também faz parte desse processo. Ao organizar minha trajetória, percebo com mais clareza que cada mudança profissional contribuiu para minha evolução.

    Mais do que aprender tecnologias, construir uma carreira significa desenvolver a capacidade de gerar valor, colaborar com pessoas e transformar conhecimento em soluções.

    Conclusão

    Minha trajetória começou na Administração, passou pelo empreendedorismo, pela inovação, pela Ciência de Dados, pelo Desenvolvimento de Sistemas e chegou à Inteligência Artificial.

    Essas áreas não representam caminhos desconectados. Elas se complementam.

    A Administração me ensinou a compreender negócios. O empreendedorismo me ensinou a agir. A inovação me ensinou a questionar processos. A Ciência de Dados me ensinou a buscar respostas nas informações. O desenvolvimento de sistemas me ensinou a construir soluções. E a Inteligência Artificial está me ensinando a imaginar novas possibilidades.

    Ainda há muito para aprender, construir e compartilhar.

    Entretanto, uma certeza acompanha minha jornada: mudar de direção não significa abandonar tudo o que foi vivido. Significa utilizar as experiências anteriores como base para construir algo novo.

    Recomeçar não é voltar ao zero.

    É começar novamente com mais conhecimento, maturidade e propósito.

    Sobre o autor:

    Renato de Oliveira Boranga é graduado em Administração de Empresas e Análise e Desenvolvimento de Sistemas, pós-graduado em Ciência de Dados e Big Data Analytics e estudante do Bacharelado em Inteligência Artificial. Possui experiência em inovação, análise de dados, desenvolvimento de sistemas, automação e aplicação de tecnologia na resolução de problemas reais.

    Artigo desenvolvido para o Desafio 1 do DIO Campus Expert – Turma 16.

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