Transição de carreira e seus desafios
Em 2010, iniciei minha jornada acadêmica no curso de Bacharelado em Arqueologia pela FURG. Me formei em 2014 e atuei por 3 anos e meio na área, com foco em licenciamento ambiental. Durante esse período, participei de projetos ligados à preservação do patrimônio arqueológico em meio a obras e empreendimentos, conciliando desenvolvimento com responsabilidade cultural. Foram anos de muito aprendizado, desafios e conquistas, mas também de um processo interno silencioso: a busca por algo que me completasse de verdade.
Depois de muita reflexão, redescoberta e autoconhecimento, decidi ouvir esse chamado. A tecnologia, que sempre foi uma paixão adormecida, passou a ser protagonista da minha vida. Fiz a transição de carreira e comecei do zero: estudei, entrei para a faculdade de Análise e Desenvolvimento de Sistemas em 2023, participei de bootcamps, mergulhei em projetos e redescobri a empolgação de quem ama o que faz.
Mas preciso ser honesta: buscar vagas ainda pode ser frustrante.
Muitas vezes, ao ler uma descrição de vaga, o sentimento de "não sou suficiente ainda" aparece. São exigidas inúmeras ferramentas, frameworks e experiências que, para quem está começando (mesmo com dedicação e base), parecem inalcançáveis. É fácil sentir-se insegura. Difícil é ignorar o fato de que a gente está se esforçando, crescendo, evoluindo — e isso também deveria contar.
Porque mais importante do que ter todos os requisitos técnicos é ter sede de aprender, humildade para evoluir e vontade real de crescer junto com a empresa.
A área de tecnologia muda todos os dias. Quem trabalha com ela precisa aprender continuamente. Por isso, acredito que pessoas que têm mentalidade de crescimento, comprometimento e paixão por resolver problemas podem ser tão valiosas quanto aquelas que já dominam todas as stacks da vaga.
Hoje, posso não ser a candidata com mais anos de experiência. Mas sou aquela que vai estudar no fim de semana para entender melhor um problema do time. Que vai perguntar, colaborar e crescer. Que entende que o aprendizado nunca acaba — e é justamente isso que me move. Nem sempre terei todos os requisitos. Mas se a empresa quiser alguém comprometida, curiosa e em constante evolução, então ela vai me encontrar.
A transição de carreira me ensinou muito mais do que trocar de profissão. Ela me ensinou sobre resiliência, coragem e sobre o valor da vulnerabilidade quando se decide recomeçar. E isso, acredito que vale tanto quanto qualquer certificação técnica.




Excelente, Lívia! Seu relato sobre a transição de carreira da Arqueologia para a tecnologia é inspirador e muito honesto. É fascinante ver como você, mesmo com uma carreira estável, decidiu buscar algo que a completasse de verdade, abraçando a tecnologia como protagonista de sua vida.
Considerando que "é fácil sentir-se insegura" ao ler descrições de vagas que exigem inúmeras ferramentas e experiências, qual você diria que é o maior aprendizado que você obteve ao lidar com essa insegurança, em vez de desistir, e como isso a tornou mais resiliente?
A transição de carreira é realmente desafiante, mas o importante é que se é isso mesmo que tu quer, não desista, mesmo que seja maçante ou até desanimador de vez em quando em relação as vagas, passei por pouco disso até realmente voltar e focar mesmo a estudar o que realmente queria. Mas pelo outro lado é animador ver a comunidade se apoiando, também sou de Rio Grande, e é empolgante achar alguém daqui em meio a tanta gente. Boa sorte na nova etapa.