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Angelo Gonçalves
Angelo Gonçalves09/10/2026 02:01
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A IA IRÁ TOMAR O MEU EMPREGO?

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Vivemos em uma era rodeada de inteligência artificial por todos os lados.

Ao longo dos anos, essa presença cada vez mais constante da IA gerou dúvidas e inseguranças que assolam grande parte dos programadores. Mesmo que pareça um tema "óbvio", isso tem preocupado grandes massas que integraram a área de desenvolvimento nestes últimos cinco anos.

A cada dia, mais notícias se perpetuam com dados e estimativas reais da extinção de empregos em diferentes áreas de atuação e conhecimento:

Figura 1 – Notícia sobre a estimativa da OCDE relativa ao impacto da IA nos empregos

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Fonte: RAVAGNANI, Allan. A IA vai acabar com os programadores? OCDE estima perda de 92 milhões de empregos. Times Brasil | CNBC, 21 jun. 2026.

Cresce ainda mais a cultura de debate com perguntas como:

A IA irá tomar o meu emprego?
Como me adaptar às mudanças de mercado?
O que eu devo fazer como novato?

E, por mais absurdo que pareça: isso é normal. Os programadores viveram, durante a pandemia e o pós-pandemia da covid-19, um momento temporário de conforto em suas posições, em uma área não tão competitiva onde via-se novatos entrando com pouco conhecimento. Esse “baque” de competitividade, não apenas com outros programadores, mas com a Inteligência Artificial, tem gerado um pânico interno na “bolha tech”.

O CTO da Lovel, Paulo Pelaez, argumenta sobre o desconforto que tem sido para o programador que entrou nessa era se adaptar às novas demandas e ao cenário competitivo. Durante uma entrevista para o UOL, ele priorizou a fala constante sobre a diferença do mercado desde a pandemia:

“E era impressionante como, se o dev quisesse sair aqui da empresa que a gente tá trabalhando na segunda-feira e divulgasse essa abertura para o mercado na terça, antes de sexta-feira ele estava empregado e escolhendo opções. Então, acho que essa grande demanda que teve trouxe um conforto para os devs. Tipo assim: "Pô, muita demanda, cara, tá tudo bem, eu posso estudar pouco, eu posso não me dedicar muito". E aí, de forma semelhante a isso, começou a acontecer de dev arranjando três empregos. O cara não queria três empregos, mas as empresas forçavam ele, porque ele abria o LinkedIn e tinha 20 propostas todo santo dia...” (UOL, 2026).

A resposta para grande parte das interrogações propostas pela grande massa de programadores da nova geração está baseada no conceito da resiliência. A IA prospecta eliminar muitos empregos, mas, de forma resumida, o programador de verdade pode até ser afetado, mas não perderá todas as propostas — e, no melhor cenário, tem chances de tirar vantagem disso.

O mercado sempre se adaptou às novas vertentes econômicas, e em cada uma delas existiu um cientista, um pensador ou um programador preocupado em "o quanto isso vai me afetar?". Nunca se tratou de uma preocupação inválida, visto que muitos realmente perderam empregos ou oportunidades.

Um contraponto argumentativo é citado na própria matéria da Times Brasil referenciada anteriormente, com dados do Fórum Econômico Mundial, sugerindo que a extinção de postos antigos trará o dobro de novos postos e diferentes funções:

"Em contraponto, o Fórum Econômico Mundial projeta que o dobro dos postos extintos pela IA deve ser substituído por novas funções, sugerindo um saldo positivo de empregos no período, ainda que com mudança no perfil das vagas disponíveis." (Times Brasil, 2026).

É necessária a reflexão perceptiva de que esses empregos não foram, e em tese nem serão, "extintos", mas reorganizados para o padrão comercial atual, com novas funções, atribuições e mais alinhados ao cenário com a Inteligência Artificial — não descartando a possibilidade de existir uma extinção em alguns cargos específicos.

A IA não é uma inimiga da programação ou das profissões, é uma aliada com um potencial muito forte a ser explorado. O problema real não é perder espaço para a IA, e sim como conquistar um novo espaço utilizando-a a nosso favor. A Globo exibiu uma pesquisa da Forbes em relação ao cenário atual:

“Trabalhadores do setor de tecnologia que usam inteligência artificial menos de uma vez por mês enfrentam risco de demissão de 18%, índice três vezes maior do que os 6% registrados entre colegas que utilizam a ferramenta regularmente. Os números são de um novo levantamento do instituto Gallup, de acordo com a Forbes.” (Globo, 2026).

Dados que deixam claros dois fatos sobre a transparência do cenário atual: faz anos que o programador não escolhe mais a empresa, e sim a empresa que o escolhe (muito diferente da realidade apresentada na época da pandemia, como já abordado); e o programador que não aprender novas ferramentas e não utilizar a Inteligência Artificial como mecanismo de trabalho ficará para trás no mercado.

A evolução e o mercado não esperam, eles buscam prosperar. Com um cenário de inúmeros currículos para os diferentes níveis (Stacks) da programação, aquele que se apresenta como inábil à nova concorrência (que chega com mais certificações, mais experiência com IA e com curso superior) dificilmente prosperará em vagas de grande atratividade.

Mas para o programador que vem se adaptando e adquirindo conhecimento em áreas que a IA não pode replicar todo o trabalho — principalmente quando envolve dados sensíveis, como Cibersegurança, Banco de Dados, Sistemas Embarcados, etc. —, as chances de prosperar nessa era são muito maiores.

Mesmo que falar sobre a necessidade de resiliência seja crucial para o mercado, muitos dissertam sobre a realidade distópica onde as IAs irão tomar todo e qualquer emprego da área de tecnologia. Discursos assim têm aparecido cada vez mais em fóruns da internet, gerando debates e conclusões muito próximas de que a IA não replica todo o esforço humano:

Figura 2 – Debate na comunidade r/brdev sobre o impacto da Inteligência Artificial

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Fonte: Reddit (2024).

Entretanto, enquanto houver código para ser revisto, escrito e fundamentado, precisará de pelo menos uma mente humana trabalhando nisso.

O fato é: só o humano entende o humano. E só ele vislumbra a capacidade de fuga do algoritmo de muitos usuários. A Interação Humano-Computador (IHC) sempre será muito diferente de um humano projetando uma experiência de usuário para outro humano.

REFERÊNCIAS

GLOBO. Profissionais de tecnologia que não usam IA têm risco três vezes maior de perder emprego, aponta estudo. Época Negócios, São Paulo, 19 jun. 2026. Disponível em: https://epocanegocios.globo.com/inteligencia-artificial/noticia/2026/06/profissionais-de-tecnologia-que-nao-usam-ia-tem-risco-tres-vezes-maior-de-perder-emprego-aponta-estudo.ghtml. Acesso em: 9 out. 2026.

RAVAGNANI, Allan. A IA vai acabar com os programadores? OCDE estima perda de 92 milhões de empregos. Times Brasil | CNBC, São Paulo, 21 jun. 2026. Disponível em: https://timesbrasil.com.br/empresas-e-negocios/inteligencia-artificial/ia-programadores-ocde-92-milhoes-empregos/. Acesso em: 9 out. 2026.

REDDIT. Esse papo que a IA vai acabar com os... [Tópico em fórum]. Comunidade r/brdev, Reddit, 2024. Disponível em: https://www.reddit.com/r/brdev/comments/1g7uaph/esse_papo_que_a_ia_vai_acabar_com_os/?show=original. Acesso em: 9 out. 2026.

UOL. IA devolve o medo da demissão: como programador é afetado por tecnologia criada por ele. São Paulo, 24 mar. 2026. 1 vídeo (15 min). Publicado pelo canal UOL. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=IftNsPgGABI. Acesso em: 9 out. 2026.

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