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Mateus Gonçalves
Mateus Gonçalves20/10/2026 16:00
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Agentes de IA e o impacto no tempo de trabalho: você ainda está fazendo tudo sozinho?

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E se o seu maior desperdício de tempo não fosse trabalhar devagar, mas insistir em fazer tudo sozinho?

A inteligência artificial já escreve códigos, analisa informações e executa tarefas em poucos minutos. Enquanto isso, muita gente ainda acredita que produtividade significa fazer mais coisas com as próprias mãos.

Mas existe uma pergunta que poucos estão fazendo: e se o seu papel não fosse mais executar cada tarefa, mas saber como fazer cada tarefa acontecer?

O profissional que executa tudo está ficando para trás?

Imagine passar horas realizando uma atividade que poderia ser automatizada. Agora imagine utilizar esse mesmo tempo para analisar resultados, corrigir falhas e pensar em soluções melhores.

A diferença não está apenas na velocidade da ferramenta. Está na forma como você trabalha com ela.

Os agentes de IA ampliam essa possibilidade. Quando recebem instruções claras, contexto e objetivos bem definidos, podem assumir partes de um processo, executar tarefas e ajudar a construir soluções complexas.

Mas delegar não significa simplesmente pedir e esperar. É aqui que muita gente erra.

Não basta usar IA. É preciso saber conduzi-la.

Um agente de IA pode produzir código rapidamente, mas velocidade sem direção pode gerar erros, retrabalho e soluções que não atendem ao objetivo.

Por isso, o profissional continua sendo essencial. É ele quem define o problema, organiza as etapas, estabelece critérios, avalia os resultados e decide o que precisa ser melhorado.

Em vez de tentar fazer tudo sozinho, ele passa a arquitetar o processo: divide grandes problemas em tarefas menores, coordena a execução e acompanha cada etapa.

Foi exatamente essa mudança que comecei a aplicar no meu projeto Decisão Estratégica.

De programador a arquiteto de processos

Durante a segunda fase do projeto, desenvolvi pipelines de ETL para extrair, transformar, validar, agregar e carregar dados públicos no PostgreSQL.

No início, minha abordagem era concentrada na produção manual dos códigos. Porém, percebi algo inevitável: competir com a IA apenas em velocidade de programação não era a melhor utilização do meu tempo.

Então, mudei minha estratégia.

Passei a atuar como um arquiteto de pipelines, utilizando agentes de IA para desenvolver partes do processo sob minha orientação. Organizei as instruções, defini as estruturas, dividi o trabalho em etapas menores e acompanhei a construção das soluções.

Mas não entreguei o controle à IA. Pelo contrário: passei a concentrar meus esforços onde minha análise fazia mais diferença.

O resultado apareceu no cronômetro.

Um dos principais desafios foi o processamento dos dados do Novo CAGED. O processo levava aproximadamente 1 hora e 20 minutos.

Ao analisar o fluxo e buscar formas de otimizar a leitura dos arquivos, consegui reduzir esse tempo para menos de 20 minutos, trabalhando com um volume de aproximadamente 10 bilhões de registros.

Isso representa uma redução superior a 75% no tempo de processamento.

O ganho não veio simplesmente de utilizar inteligência artificial. Veio da combinação entre análise técnica, otimização do processo, instruções bem estruturadas e uso direcionado da ferramenta.

E essa é a diferença entre apenas utilizar IA e saber extrair valor dela.

Acompanhar a IA é tão importante quanto utilizá-la.

Existe um risco em acreditar que a inteligência artificial resolve tudo sozinha. Um código pode funcionar e ainda assim ser lento. Uma consulta pode retornar dados e ainda assim apresentar inconsistências. Uma solução pode parecer correta sem atender aos requisitos do projeto.

Por isso, acompanhar o processo é fundamental.

É preciso revisar o código, testar resultados, validar os dados e entender as decisões tomadas pela ferramenta. Também é necessário conhecer o suficiente sobre o problema para identificar quando a solução está errada ou pode ser melhorada.

A IA pode acelerar a execução, mas você precisa continuar responsável pela qualidade da entrega.

No meu projeto, essa abordagem permitiu que eu direcionasse mais atenção à arquitetura dos ETLs, à integridade dos dados e à preparação da base para a análise estratégica.

Agora, com os dados exportados para o PostgreSQL, avanço para a terceira fase: a criação de dashboards, em que o foco será transformar dados em informações capazes de apoiar decisões de negócio.

O verdadeiro ganho não é trabalhar menos. É fazer melhor.

Quando automatizamos tarefas repetitivas e aceleramos processos técnicos, não estamos apenas economizando minutos. Estamos criando espaço para pensar, investigar problemas e desenvolver soluções que antes exigiriam muito mais tempo.

Esse é um dos maiores potenciais dos agentes de IA: permitir que o profissional deixe de concentrar toda a sua energia na execução e passe a investir mais na estratégia, na análise e na tomada de decisões.

Isso não elimina a necessidade de conhecimento técnico. Na verdade, aumenta a importância de saber formular problemas, avaliar resultados e compreender o que está sendo construído.

Afinal, quanto mais poderosa a ferramenta, maior pode ser o impacto de uma boa orientação — ou de uma orientação ruim.

A questão não é se a IA consegue trabalhar mais rápido do que você em determinadas tarefas. A questão é o que você consegue entregar quando aprende a trabalhar com ela.

E você, ainda está fazendo tudo sozinho?

Na próxima vez que receber uma tarefa demorada, antes de começar a executá-la manualmente, pare por alguns minutos e faça três perguntas:

O que realmente precisa ser feito por mim?

Quais etapas podem ser delegadas a um agente de IA?

Como posso acompanhar, validar e melhorar o resultado?

Não precisa automatizar tudo de uma vez. Comece por uma tarefa pequena, meça o tempo gasto e compare os resultados.

Talvez você descubra que o seu maior ganho de produtividade não esteja em aprender a digitar mais rápido, mas em aprender a organizar melhor o trabalho.

Provocação final: se um agente de IA pode executar parte do seu trabalho em uma fração do tempo, por que você continuaria fazendo tudo manualmente sem ao menos testar outra abordagem?

Na próxima tarefa, experimente deixar de ser apenas quem executa e assuma o papel de quem projeta o processo.

Afinal, o futuro da produtividade pode pertencer não a quem faz tudo sozinho, mas a quem sabe coordenar melhor o que precisa ser feito.

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