De baixo pra cima
Sou professor de Danças de Salão há muitos anos, e algo que poucas pessoas conhecem é como funciona o processo de formação profissional. No Brasil, as escolas de dança identificam pessoas talentosas e oferece bolsas de estudo. Com isso, a pessoa tem aulas diferenciadas, com conteúdos mais apurados, cobrança técnica mais acentuada e uma visão ampla, tanto para a parte artística (dançarinos e coreógrafos), quanto a parte de sala de aula (didática e comunicação) e comercial (atendimento ao publico, vendas, agregação de valor), além de participar de grande parte das aulas de alunos regulares.
Geralmente as escolas criam seus grupos de bolsistas, que podem ser grupos grandes em algumas situações, assim como ter professores diferentes dentro da mesma escola, o que muitas vezes acaba confundindo o grupo de como devem se comportar para a escola evoluir. Por isso, é importante a escola de dança, assim como toda boa empresa, ter suas regras de convivência claras e executáveis.
Nos processos que participei, busquei fazer o caminho reverso ao que geralmente presenciava no momento de determinação das regras. Ao invés de elaborar o documento ouvindo as lideranças, sempre o fazia buscando os estudantes. Em questionamentos simples, inclusive pelo Whatsapp, buscava respostas para perguntas simples e diretas. A primeira pergunta era: como eles podem ajudar a escola a oferecer um produto de excelência? Em um outro dia, fazia a segunda pergunta: que comportamentos atrapalhavam o crescimento da escola? Todos respondiam a sua maneira, com suas próprias palavras, uns complementavam aos outros e, ao final, eu compilava as respostas em uma lista e apresentava apara que pudessem aprová-la.
Dessa forma, além de despertar o sentimento de dono e a integração de todos, a escola desenvolvia um padrão para todos os professores seguirem e quase nunca era necessário alguma intervenção, visto que os próprios alunos se cobravam, afinal, eles mesmos disseram o que tinham que fazer. Era criado um tipo de pacto entre eles em seguir as regras que eles mesmos criaram. Isso diminuía consideravelmente os atritos entre eles e entre os professores e eles, assim como trazia mais segurança aos alunos/clientes, pois sabiam exatamente que ambiente iriam encontrar na empresa.
Ouvir quem faz o dia a dia pode ser uma excelente solução para evitar ruídos na comunicação interna de uma empresa.



