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Lucas Andrade
Lucas Andrade25/02/2022 12:48
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Apagão na área de TI: sobram vagas, mas falta mão de obra

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De acordo com relatório da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), a área de Tecnologia da Informação (TI) demandará cerca de 420 mil profissionais até 2024.

O número, porém, se contrapõe à baixa quantidade de formação de mão de obra anual e desperta um alerta para o risco de um apagão de profissionais qualificados para ocupar os postos vagos.

O coordenador dos cursos de pós-graduação em inteligência artificial e aplicativos móveis do Centro Universitário Iesb, Alexandre Loureiro, descreve que as profissões de TI englobam as carreiras como de desenvolvedores de software, engenheiros de redes, software e telecomunicações, cientistas de dados, segurança da informação e privacidade de dados

Anualmente, o Brasil capacita 46 mil pessoas com perfil tecnológico aptas à área de TI.

No entanto, a projeção da Brasscom aponta que serão necessários cerca de 70 mil profissionais ao ano para que as vagas sejam completamente ocupadas.

Segundo especialistas, empresas terão que tornar as oportunidades mais atrativas para não ficarem para trás. Além disso, é momento de investir em educação tecnológica.

O docente do Iesb afirma que o apagão não se trata somente de uma projeção para o futuro, mas é uma realidade com a qual “os profissionais de Recursos Humanos que contratam profissionais de TI estão desesperados”. “A quantidade de vagas abertas para área de TI é maior do que a quantidade de profissionais disponíveis no mercado”, pontua.

Segundo ele, as empresas estão tendo que identificar bons profissionais entre os recém-formados ou mesmo ainda nos cursos de formação, para que consigam contratá-los antes da concorrência.

"Os profissionais de Recursos Humanos que contratam profissionais de TI estão desesperados”

Alexandre Loureiro, coordenador de cursos de pós-graduação do Iesb

Empresas tradicionais na disputa

Hugo Giallanza, presidente da Brasil Startups e coordenador do Startup Brasília 2030, também observa que o cenário é favorável para novas oportunidades de emprego relacionadas à área de TI.

Ele ressalta que, inclusive, áreas correlatas, como vendas e design, quando ligadas aos negócios digitais, acompanharam o crescimento.

O apagão nas profissões do futuro, no entanto, atinge aquelas empresas relacionadas ao mundo digital e tecnológico.

Como observa Hugo Giallanza, com a adoção do distanciamento social em consequência da pandemia de covid-19 e de modelos de trabalho remoto, as empresas tradicionais também entraramna disputa pelos profissionais de TI.

“Foi mais uma demanda, porque esses negócios precisaram se adequar à realidade digital. Então, naturalmente, as vagas para profissionais do digital surgiriam também em empresas que não tinham esses profissionais no seu quadro efetivo”, considera.

Setor se reergueu

A pandemia da covid-19 conseguiu alterar, igualmente, os setores da economia, em especial, o mercado de trabalho da área de tecnologia da informação. Apesar do decréscimo entre os meses de março e maio de 2020, o macrossetor de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) terminou o ano com número de empregos com saldo acumulado positivo: aumento de 59.153 postos.

“A demanda por serviços digitais, conectividade em banda larga, home office… Tudo isto fez explodir a demanda”, exemplifica o docente do Iesb Alexandre Loureiro. Além disso, destaca que, com a adoção do modelo de teletrabalho, os profissionais de TI no Brasil estão sendo procurados por empresas estrangeiras para trabalhar em home office no Brasil, mas ganhando em dólar.

O professor defende que se deve investir em treinamento dos profissionais para mantê-los em seus postos. “Têm de ter mais iniciativas de capacitação pelas empresas públicas e privadas”, acrescenta. Além da formação de colaboradores, o docente lembra que empresas têm apostado em cursos de graça para o público em geral com o objetivo de descobrir talentos e aumentar a quantidade de profissionais.

Necessidade de investir em qualificação

“Hoje, as empresas que não conseguem mão de obra (no Brasil) estão ampliando seu RH para o mundo”, afirma Hugo Giallanza, presidente da Brasil Startups, Ele lamenta a situação diante do fato de que o país acumula muitos desempregados, que poderiam migrar para o mundo digital e serem absorvidos pelas profissões do futuro.

“A gente sabe também que, além desse apagão em decorrência de um número de demandas que têm no setor, existe também a extinção de profissões e mercados de trabalho tradicionais. Então, isso é também uma visão de política pública e de entender que algo tem que ser feito para migrar e incluir essas pessoas dentro desse mercado”, pontua.

O presidente da Brasil Startups considera que é de amplo conhecimento a necessidade de investir em mão de obra. A iniciativa pode gerar inclusão de profissionais no mercado na velocidade que as empresas estão demandando.

Currículos precisam de adaptação

Rodrigo Terron, diretor de operações da Rocketseat, destaca que falta base para muitos profissionais, algo que deveria vir, principalmente, da graduação. “A gente tem muita dificuldade não porque não existe graduação técnica, mas porque hoje o processo de atualização de uma grade de ensino numa universidade leva aproximadamente dois anos”, pondera.

“A tecnologia que é utilizada hoje pode, daqui a dois anos, ser obsoleta”, alerta. Ele aponta que as instituições de ensino superior, por vezes, formam profissionais que não estão preparados para o mercado. Dessa forma, assim que pegam o diploma, estão com conhecimento desatualizados.

Pandemia acelerou processo e mudou dinâmica

“Não é necessariamente um apagão, onde as pessoas desapareceram, mas uma aceleração do processo de digitalização das empresas”, explica Rodrigo Terron, diretor de operações da Rocketseat. Ele observa, no entanto, que o processo é resultado de um histórico de digitalização das empresas brasileiras ocorrido nos últimos anos.

Entre 2014 a 2016, segundo ele, houve o auge das áreas de digitalização, transformação digital e criação dos departamentos de inovação das empresas. “Como todo processo, tem um tempo de maturação. Então, quando você coloca 2017, 2018 e 2019, as empresas estavam acelerando seus processos, criando novos serviços digitais, melhorando as ferramentas”, afirma.

Além disso, o cenário promissor teve incremento devido à necessidade de digitalização da pandemia da covid-19. A dinâmica de contratação também mudou com a possibilidade de reter profissionais de outros estados, até mesmo de outros países.

“As oportunidades mudaram e empresas de todos os lugares do mundo começaram a contratar pessoas de todos os lugares do mundo. E a nossa moeda está no momento muito desvalorizada, e o Brasil é reconhecido como um bom espaço de formação de talentos de tecnologia”, observa.

A realidade foi sentida pela empresa Governança Brasil (GOVBR), que, somente este ano, contratou cerca de 80 profissionais, mas ainda tem cerca de 60 vagas abertas e com grande dificuldade para ocupá-las. "Mesmo a gente pagando salários, muitas vezes, acima da média de mercado, e salários acima do que é praticado normalmente em outras áreas também", aponta o presidente da empresa Marcelo Lima.

Ele observa que a dificuldade não é só de conseguir os talentos, mas, também, retê-los. "A escassez de mão de obra no setor de TI sempre existiu. Mas a gente nunca havia vivido uma realidade como a atual. A pandemia acelerou o processo da transformação digital nas empresas, trouxe uma realidade do trabalho híbrido e, com isso, a quebra da barreira física para contratação", pondera.

Perspectivas promissoras

Para o estudante do 3° semestre do curso de ciências da computação do Ceub Felipe Ferreira Lima e Lima, 38 anos, a expectativa para depois de formado é ser rapidamente integrado ao mercado de trabalho. “A realidade hoje é que vários alunos, antes mesmo de se formarem, já conseguem ser empregados”, observa.

Ele descreve que as perspectivas para a área já eram altas antes mesmo da pandemia. No entanto, o cenário de digitalização ampliado pela situação de emergência de saúde pública trouxe a ele uma expectativa otimista de conseguir construir uma boa carreira tanto no lado profissional quanto no financeiro.

“Por um lado, é um grande problema, poderemos enfrentar um colapso nas áreas de TI e inovação devido à falta de mão de obra qualificada, e por outro, o profissional recebe um reconhecimento maior por meio de melhor salário”, pondera. “Dizemos que hoje o profissional entra no mercado de trabalho como júnior, recebe como pleno e acha que é um sênior devido à grande disputa por eles entre as empresas.”

E para quem já está inserido no mercado de trabalho a situação é ainda mais confortável. O estudante do 7° semestre de ciências da computação do Ceub Alexandre Morais, 22, está empregado na área de TI com carteira assinada.

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Comentários (4)
Leonardo Sousa
Leonardo Sousa - 25/02/2022 13:55

as exigências para uma primeira vaga de junior são absurdas, pedem conhecimento em 20 tecnologias e X anos de experiência, por isso nunca encontrarão candidatos

Jonathas Araujo
Jonathas Araujo - 25/02/2022 13:17

Isso é verdade, hoje em dia estudar o que queremos seguir demora um pouco para entrar na área, eu mesmo estou trabalhando com desenvolvimento web com wordpress e elementor, jet engine, coisas que eu nunca vi na vida, ai aprendi tudo no trabalho, mais quero focar em ser um desenvolvedor front end, mais as trilhas sempre são diferentes, temos que persistir e avançar

Gabriela Didi
Gabriela Didi - 25/02/2022 13:08

Sobram vagas mas, falta mão de obra!

E, também não oferecem oportunidades para quem busca a primeira experiência.

Apesar de ser muito atualizada e buscar diferentes trilhas de carreira, sem perder o objetivo no principal cargo que desejo, sinto que sou ofuscada pela falta de experiência profissional na área.

E como encontrar outra forma de adquirir essa experiência, as dicas e outras plataformas, as vezes, parece ser uma grande ilusão, mas, sigo persistindo.

Jonathas Araujo
Jonathas Araujo - 25/02/2022 12:56

Falta mão de obra qualificada, ai quando se qualificamos as empresas quer pagar bem menos, por isso o pessoal está só querendo trabalhar na gringa, EUA e por ai vai.

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Cursando Desenvolvimento Back-End CST, pela a Universidade Anhanguera, atualmente moro em Uberlândia , trabalho com Gestão de Produtos ( SVA) na Algar Telecom .
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