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Carlos CGS
Carlos CGS21/09/2026 08:21
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🧠 Refatorando o algoritmo mental: o que o TikTok e o nosso cérebro têm em comum?

    🌌 CodeVerse2026 | Artigo #19

    🧑💻 Fala, Galera Dev! 👋

    Quem acompanha o CodeVerse sabe que normalmente escrevo sobre programação, projetos que estou desenvolvendo, inteligência artificial e coisas que vou aprendendo pelo caminho. Mas desta vez resolvi fazer algo um pouco diferente.

    Quero usar alguns conceitos que fazem parte do nosso dia a dia como desenvolvedores para falar sobre nós mesmos. Algoritmos, filtros, dados, feedback loop, backend e refatoração. Só que, desta vez, o sistema que quero analisar não está rodando em um servidor.

    Está rodando na nossa cabeça.

    E quanto mais pensei sobre isso, mais comecei a enxergar algumas semelhanças interessantes entre a forma como um algoritmo trabalha e a maneira como interpretamos aquilo que acontece ao nosso redor, somos nós algum tipo de algoritmo, ou os algoritmos foram em sua maioria inspirados no ser humano e na vida desse planeta?

    👀 Primeiro chegam os dados!

    Quando olhamos para alguma coisa, temos a sensação de que simplesmente estamos vendo aquilo que está na nossa frente. Mas o processo é bem mais complexo. Nossos olhos captam luz. Nossos ouvidos recebem vibrações. Outros sentidos também coletam diferentes tipos de estímulos. O cérebro recebe essas informações, processa tudo isso e constrói a percepção que temos daquele momento.

    Quando comecei a pensar nisso com a cabeça de programador, a comparação foi quase automática. É como se nossos sentidos fossem responsáveis pela entrada dos dados brutos, enquanto o cérebro executasse um enorme processamento para transformar tudo aquilo em algo que conseguimos interpretar.

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    É quase um pipeline de dados biológico. Só que existe uma questão importante: esse processamento não acontece sem filtros? Ou depende do cérebro que esta codificando esses sentidos em informações?

    🧠 E quais são os filtros desse sistema?

    Duas pessoas podem passar exatamente pela mesma situação e sair dela com interpretações completamente diferentes. Uma pode enxergar um problema certo obstáculo que aparece em sua rotina. Outra pode enxergar uma oportunidade. Uma recebe uma crítica e pensa que precisa melhorar. Outra recebe exatamente a mesma crítica e entende aquilo como uma ofensa. O dado de entrada pode até ser parecido. O processamento não é.

    Nossas experiências anteriores, expectativas, emoções e crenças influenciam bastante a maneira como interpretamos uma situação. E foi aqui que fiz uma associação com algo que usamos praticamente todos os dias: os algoritmos de recomendação.

    📱 Seu cérebro tem algo em comum com o TikTok

    Quando você começa a usar TikTok, Instagram, YouTube ou qualquer outra plataforma baseada em recomendação, o algoritmo ainda sabe pouco sobre você. Só que você começa a entregar dados, seja curtindo um vídeo, ou com o tempo que você gasta em cada tipo de conteúdo.

    Assiste um vídeo até o final. Ignora outro. Curte determinado assunto. Pesquisa alguma coisa. Compartilha um conteúdo. Para alguns segundos a mais em outro. Pouco a pouco o sistema começa a identificar padrões. Depois de algum tempo, seu feed parece conhecer você.

    Não porque ele esteja mostrando tudo o que existe na plataforma, mas justamente porque está selecionando o que acredita ser mais relevante para você com base no seu comportamento anterior, e a partir daí te faz entrar em um clico vicioso, onde você só vê conteúdos que reforçam seus padrões de pensamento anteriores.

    E comecei a pensar: será que não fazemos algo parecido com a nossa própria realidade?

    🔄 O nosso próprio algoritmo de recomendação

    Imagine alguém que passou anos acreditando:

    "Eu não sou bom o suficiente para fazer isso."

    Quando surge uma oportunidade, essa pessoa pode prestar muito mais atenção nos riscos, dificuldades e possibilidades de fracasso. Devido a sua realidade anterior ela vê a vida com o viés do copo meio vazio e acredita não ser capaz de realizar aquela tarefa, por mais que seja totalmente qualificada.

    Outra pessoa, diante da mesma oportunidade, pode pensar:

    "Eu ainda não sei fazer isso, mas posso aprender."

    A oportunidade é a mesma. O que mudou foi o filtro. E quanto mais agimos de acordo com determinado filtro, mais resultados produzimos que podem acabar reforçando aquilo em que já acreditávamos.

    Foi aí que outra palavra muito conhecida por quem trabalha com tecnologia começou a fazer sentido para mim: feedback loop.

    ♻️ Quando o sistema começa a alimentar a si mesmo

    Podemos imaginar um ciclo simplificado assim:

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    Se acredito que não consigo fazer alguma coisa, posso abordar aquela situação já esperando dar errado. Isso interfere na maneira como penso, na confiança que tenho para agir e até no esforço que estou disposto a colocar naquela tarefa. Se o resultado for ruim, pronto:

    "Está vendo? Eu sabia que não conseguiria."

    O resultado volta como uma nova evidência para alimentar a crença inicial. O algoritmo recebeu uma interação e atualizou sua recomendação. Você reforça aquele pensamento de que não é capaz. Mas se conseguirmos pensar fora da caixa, sair da roda de ratos. Podemos ressignificar coisas, fatos, momentos e tudo, afinal:

    1. Pensamentos repetidos se tornam ações...
    2. Ações repetidas se tornam hábitos...
    3. Hábitos repetidos se tornam o que você é no seu dia a dia.

    💻 Um bug que conhecemos muito bem na programação

    Na tecnologia isso seria perigoso. Imagine um modelo tomando uma decisão errada e depois utilizando o próprio resultado dessa decisão como evidência de que sua lógica estava correta. Com o tempo, aquele erro poderia ficar cada vez mais forte. Por isso existem validações, testes, auditorias, métricas e revisões.

    Mas quando o assunto somos nós mesmos, muitas vezes aceitamos nossas próprias interpretações sem fazer a mesma pergunta que faríamos olhando para um código:

    Será que essa lógica está correta?

    Talvez algumas coisas que tratamos como verdades sejam apenas regras que aprendemos em algum momento e nunca mais revisamos. Os tempos mudam, os parâmetros se atualizam e devemos sim revisarmos nosso código de tempos em tempos.

    🏙️ Trocar o frontend nem sempre resolve o problema

    Outra comparação que me fez pensar bastante foi sobre as mudanças que fazemos tentando resolver determinados problemas. Às vezes mudamos de emprego, ambiente, projeto ou rotina esperando que tudo seja diferente. E algumas dessas mudanças realmente são necessárias.

    Mas existem situações em que mudamos todo o cenário externo e, depois de algum tempo, percebemos que certos problemas começam a aparecer novamente.

    Como desenvolvedor, eu compararia isso a encontrar um problema sério na regra de negócio e tentar resolver apenas alterando o CSS. Você pode trocar cor, botão, fonte, layout e praticamente todo o frontend.

    Se o problema estiver no backend, ele continuará lá.

    🔧 Talvez esteja na hora de refatorar

    Uma das coisas que aprendi programando é que código antigo não precisa continuar existindo apenas porque um dia funcionou. Nós refatoramos.

    Encontramos uma lógica ruim, entendemos o motivo dela existir, avaliamos suas dependências e procuramos uma forma melhor de resolver aquele problema.

    Por que não fazer algo parecido com alguns pensamentos?

    Talvez uma crença tenha surgido por causa de alguma experiência que tivemos anos atrás. Naquele momento ela até pode ter feito sentido. Mas será que ainda faz?

    Em programação eu não manteria uma regra de negócio errada apenas porque ela foi escrita há dez anos. Então por que fazemos isso com algumas regras que carregamos dentro da nossa cabeça?

    🧪 Antes do deploy, precisamos testar

    E aqui existe um ponto que considero importante. Refatorar um sistema não significa simplesmente apagar tudo e escrever qualquer coisa positiva no lugar.

    Quando alteramos uma aplicação, testamos.

    Se eu acredito que "não consigo aprender determinada tecnologia", por exemplo, posso questionar essa afirmação com evidências. Já tentei aprender? Quanto tempo dediquei? Qual método utilizei? Tenho exemplos de outras coisas que também pareciam difíceis e que consegui aprender? Isso começa a transformar uma afirmação absoluta em algo que pode ser analisado.

    Em vez de: "Eu não consigo."
    Talvez a frase correta seja: "Eu ainda não aprendi."
    

    Parece uma mudança pequena. Mas muda completamente a próxima ação do sistema.

    📖 Renovar a mente também é uma ideia antiga

    Enquanto pensava sobre tudo isso, lembrei também de uma passagem bíblica que conversa bastante com essa reflexão:

    "Transformai-vos pela renovação da vossa mente." Romanos 12:2

    Independentemente da comparação tecnológica que estou fazendo aqui, a ideia de observar e renovar nossa maneira de pensar existe há muito tempo. Para mim, isso significa não aceitar automaticamente cada pensamento que aparece como uma verdade definitiva.

    • Algumas coisas precisam ser revistas.
    • Algumas precisam ser reaprendidas.
    • E outras talvez precisem ser descartadas.

    💻 Meu próprio código também precisou mudar

    Quando olho para minha trajetória na programação, consigo encontrar vários exemplos disso.

    Houve coisas que um dia pensei que seriam difíceis demais para mim. Tecnologias que eu não conhecia, projetos que pareciam grandes demais e problemas que eu simplesmente não sabia como resolver. E continuo encontrando situações assim.

    A diferença é que hoje tento substituir: "Eu não sei fazer isso."
    por: "Eu ainda não sei fazer isso. Então preciso descobrir como fazer."
    

    Foi assim com programação. Foi assim com banco de dados, desenvolvimento web, mobile, inteligência artificial, edição de vídeos e vários projetos que fui criando ao longo do caminho.

    Não significa que tudo dá certo.

    Significa que um erro deixa de ser necessariamente uma confirmação de incapacidade e pode virar informação para a próxima tentativa.

    🚀 Talvez nosso algoritmo também precise de atualização

    Algoritmos aprendem com dados. Nós também.

    Algoritmos podem criar padrões ruins quando recebem informações ruins ou interpretam os sinais de maneira inadequada. Nós também podemos.

    E sistemas podem ser revisados, testados, corrigidos e refatorados.

    Talvez nós também possamos fazer isso com algumas das regras que carregamos.

    O objetivo não é instalar um "pensamento positivo" e acreditar que todos os problemas desaparecerão. É algo muito mais simples: questionar se o filtro que estamos usando ainda representa quem somos e onde queremos chegar.

    Porque às vezes estamos tentando mudar todo o frontend da nossa vida enquanto o código que precisa de atenção continua rodando silenciosamente no backend. E se tem uma coisa que programação me ensinou é que encontrar um bug não significa que o projeto fracassou.

    Significa apenas que encontramos alguma coisa que precisa ser corrigida na próxima versão.

    Se esse conteúdo te ajudou de alguma maneira curte, compartilha e me segue no LinkedIn e no GitHub.

    Seguimos evoluindo, um aprendizado e um commit de cada vez. 🚀image

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    Comentários (1)

    RP

    Renato Pereira - 21/09/2026 08:39

    Excelente analogia!