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Vitória Santos
Vitória Santos24/03/2026 14:14
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Dados como Vantagem Competitiva: a interseção entre TI e Comercial

    Quando comecei o curso de Gestão Comercial, a última coisa que esperava era me apaixonar por planilhas, dashboards e análise de portfólios. Achei que vendas era sobre estratégias, negociações acirradas e discurso afiado. Não estava totalmente errada. Mas estava incompleta. 

    Quando entrei no mercado de trabalho, na área de suprimentos, uma coisa ficou clara rápido: o mundo dos negócios é feito de dados. E quanto melhor você sabe o que fazer com eles, como estruturá-los, tratá-los e interpretá-los, maior é a sua credibilidade, independente da área em que você atua. 

    O que não esperava era descobrir que esses dois mundos, TI e comercial, funcionam em uma sinergia muito maior do que o mercado ainda reconhece. 

    E é sobre isso que quero pontuar neste artigo. Quanto mais skills você tiver em áreas de tecnologia e análise de dados, maior será seu repertório profissional, e isso pode chamar a atenção de setores que você nem imaginava. Principalmente para quem acha que gestão comercial é "coisa de outro departamento": não é. TI e comercial estão mais conectados do que parece.

     

    Dados Bem Tratados São Diferencial de Marca 

    Quatro anos trabalhando em suprimentos ensinam uma coisa rápido: cada decisão é, na essência, uma decisão baseada em dados, ou pelo menos deveria ser. 

    Prazo de entrega, histórico de fornecedor, variação de preço, custo total. Tudo isso é dado. E dado maltratado vira custo, atraso, retrabalho. 

    Mas o exemplo que mais me marcou foi olhando para o atendimento ao cliente. Quando a área de suprimentos executa um serviço ou resolve uma solicitação, cada etapa gera dados: quanto tempo levou para responder, quanto para resolver, quantas interações foram necessárias. Parece simples, e é. Mas pouquíssimas empresas monitoram isso com consistência. 

    Quando você começa a registrar e comparar, como era o processo antes, como está agora, a melhoria deixa de ser percepção e vira evidência. Você não precisa mais dizer que o serviço melhorou. Você mostra.

    E aqui está o ponto: dados não servem só para medir, servem para posicionar. Duas empresas vendem o mesmo produto, pelo mesmo preço. Uma chega no cliente e diz: "Nosso produto é ótimo, temos anos de mercado." A outra diz: "Empresas do seu segmento que usaram nossa solução reduziram o custo de aquisição de clientes em 23% nos primeiros 90 dias. Aqui estão os dados." 

    Qual das duas você compraria? 

    Isso é venda baseada em dados, data-driven sales. E não é exclusividade de empresa grande. Qualquer negócio que trata bem suas informações pode usar isso como vantagem competitiva. O mesmo vale para o comercial como um todo: taxa de conversão, ticket médio, tempo de ciclo, churn, esses números contam uma história. A questão é se alguém na empresa sabe ouvi-la. 

     

    O Funil de Vendas como um Pipeline de Dados 

    Se você já trabalhou com programação, provavelmente conhece o conceito de pipeline: dados entram em uma ponta, passam por transformações, e saem processados na outra. O funil de vendas funciona da mesma forma. 

    Imagine assim: 

    [Leads captados] → [Qualificação] → [Proposta] → [Negociação] → [Fechamento]

    Em cada etapa, dados são gerados: quantas pessoas entraram, quantas avançaram, onde a maioria trava, qual o tempo médio em cada fase. Isso é ETL comercial: extrair, transformar e carregar insights que guiam decisões. 

    Um vendedor que ignora essas métricas é como um dev que nunca olha os logs do sistema. Pode até funcionar por um tempo, mas quando der problema, ninguém vai saber onde nem por quê. 

    Exemplo prático: Imagine que sua taxa de conversão de proposta para fechamento é de 15%. A média do mercado é 30%. Sem esse dado, você simplesmente acha que "as vendas estão fracas". Com ele, você sabe exatamente onde atacar. 

     

    Ferramentas que fazem parte do meu dia a dia 

    Para quem tem afinidade com tecnologia, a barreira de entrada é menor do que parece. Algumas ferramentas que uso na interseção entre dados e gestão: 

    Para análise e visualização: 

    Excel: Ainda o mais presente no cotidiano corporativo. Saber usá-lo bem, com tabelas dinâmicas, fórmulas consistentes e estrutura limpa, já resolve boa parte dos problemas analíticos do dia a dia. 

    Power BI: Conecta com Excel, CRMs e bancos de dados. Permite criar dashboards de acompanhamento em tempo real, sem precisar escrever código. 

    Para quem já programa: 

    Python + Pandas: Analisar bases de dados, segmentar por comportamento, identificar padrões que nenhuma planilha mostraria. Desenvolvi projetos nessa linha na DIO, incluindo um pipeline de ETL com IA generativa e um dashboard de vendas a partir de uma base de assinaturas, e a diferença de profundidade analítica é significativa. 


    SQL: Saber escrever queries básicas já coloca qualquer profissional em vantagem e torna o processo de análise mais otimizado. 

    Observação honesta: ferramenta não é o ponto. O hábito de registrar, estruturar e analisar é. Comece com o que você tem e evolua conforme a necessidade. 

    Sinergia não é buzzword, é estrutura

     

    Uma coisa que aprendi, tanto no ambiente de trabalho quanto nos estudos, é que as áreas de uma empresa não são ilhas. Elas funcionam, ou pelo menos deveriam funcionar, em sinergia. 

    Suprimentos alimenta o comercial com dados de disponibilidade e custo. O comercial alimenta o planejamento com previsão de demanda. TI sustenta tudo isso com infraestrutura e automação. Quando uma área não fala com a outra, o dado se perde no meio do caminho. 

    E isso não é problema só de empresa grande. É problema de qualquer organização onde as pessoas acham que seu trabalho termina na fronteira do seu departamento. 

    Aprender sobre tecnologia, mercado e processos não é apenas diferencial competitivo. É uma maneira de otimizar seu trabalho, independentemente do nível hierárquico ou da área. 

     

    O que ainda estou aprendendo 

    Ainda estou começando, mas hoje elaboro perguntas melhores do que tinha há dois anos, e acho que é isso que desenvolvimento profissional realmente significa. 

    Resumindo: 

    Dado sem contexto é ruído. Uma métrica isolada não diz nada. Ela precisa de histórico, comparação e, principalmente, de alguém que entenda o negócio para interpretá-la. 

    O humano ainda fecha o negócio. Dados orientam, mas relacionamento decide. Tecnologia potencializa o lado humano, mas não o substitui. É exatamente esse equilíbrio que me interessa: usar dados para ser mais precisa nas interações, não para eliminar as interações. 

    Nunca parar de aprender. É a única estratégia que funciona em mercados que mudam rápido. Quem para de aprender fica perdido e desatualizado, gerando mais estresse e problemas. 

    Conclusão 

    Se você está na TI e pensa em entender mais sobre negócios, ou está em gestão e quer se aproximar de dados, saiba que essa combinação é ainda mais preciosa do que aparenta. 

    O mercado precisa de profissionais que entendam que um dado bem tratado é vantagem competitiva real, que decisão sem métrica é achismo, e que tecnologia a serviço das pessoas, e não no lugar delas, é o caminho mais inteligente e produtivo a longo prazo. 

    Ainda estou construindo esse caminho. Mas já sei que ele passa, necessariamente, pela interseção entre os dois mundos. 

    Vitória Alvares dos Santos | Assistente de Suprimentos | Estudante de Gestão Comercial | Entusiasta de Python, Análise de Dados e Automação 

    LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/vitória-alvares/

    Github: https://github.com/alv-vitoria

     

     

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