Como criar agentes de IA com o GPT e o Claude Code sem ficar refém do vibe coding
Fala, comunidade tech!
Na terça, 27/10, fizemos a Imersão em Agentes de Inteligência Artificial com Claude e GPT. Dessa vez, levei para a live um projeto real, que estou fazendo para um amigo. Ele avalia carteiras de investimento, não é da área técnica e queria uma barra no Windows, parecida com a dock do celular, em que cada botão chama um agente de finanças: um para consultar ações e fundos imobiliários, outro para avaliar a estratégia da carteira e outro para fazer o balanceamento.
Combinei uma regra comigo mesmo: eu não ia tocar no código. Seria puro vibe coding, para vocês verem até onde ele leva e onde ele começa a cobrar a conta.
Chatbot e agente são coisas diferentes
Muita gente que tenta criar um agente acaba criando um chatbot. O chatbot é pré-programado, segue uma sequência de ações e detecta padrões, como um fluxo montado no n8n. O agente é autônomo: recebe um objetivo e descobre o melhor caminho para chegar até ele.
A LLM é o cérebro da IA, o grande modelo treinado, como o Opus, da Anthropic, ou os modelos do GPT. Os tokens são a moeda: quanto maior o modelo, mais tokens cada chamada consome.
O GPT planejou e o Claude Code montou
Para quem não é técnico, usei a analogia da prateleira: primeiro o objetivo, depois as ferramentas, que no software são a stack, e por fim o manual de montagem, que são as specs, as especificações.
O GPT fez o papel de copiloto de produto. Pedi que ele agisse como um profissional híbrido, de produto e técnico, e indicasse a melhor stack para uma primeira versão minimalista no Windows. Ele sugeriu Electron com React e, antes de eu gastar tokens construindo, gerou uma imagem conceitual da barra na tela. Depois, pedi a spec completa para o Claude Code, e vieram dois arquivos: a especificação, com arquitetura, escopo, requisitos e experiência do usuário, e o prompt inicial, que nem fui eu que escrevi. Foi o próprio ChatGPT, numa passagem de bastão entre IAs, o famoso handoff.
Planejei no GPT porque ele já conhece o meu jeito de trabalhar, gera a prévia em imagem e sai mais barato numa fase em que eu mudo muita coisa.
No Claude Code, criei uma pasta do zero, ativei o modo de planejamento e escolhi o Opus com esforço extra alto, porque é no planejamento que vale investir no modelo mais forte. Se o mestre de obras desenha igual a uma criança, não adianta colocar o melhor modelo para executar depois.
Ele criou o CLAUDE.md, o manual de instruções da IA para aquele projeto, que ela lê toda vez que a sessão começa, antes de qualquer coisa. No Codex e em outras ferramentas, o equivalente é o AGENTS.md.
Onde o puro vibe coding cobra a conta
A barra apareceu bonita, com telas de configuração, ícones e rotinas. Só que no monitor errado. Os agentes eram genéricos, como desenvolvedor, revisor técnico e redator, e nenhum de finanças. A culpa foi minha, porque não revisei os documentos que o GPT gerou. Uma pasta de rotinas era salva sem nenhum retorno para quem usa, e o "Resumir arquivo" simplesmente não funcionou.
No vibe coding, primeiro a IA faz e depois você descobre o que ela fez. Naquele momento, a IA era mais dona da aplicação do que eu. E quem acha que está economizando se engana: passamos de 400 mil tokens num app simples. A partir daí, a única forma de arrumar vibe coding é com mais vibe coding, com rajadas de tiro no lugar do tiro certeiro de um sniper.
Como sair do vibe coding para as specs
Muita gente perguntou no chat se dá para estancar um projeto que começou assim. Dá, fazendo o caminho contrário: gerar a especificação a partir da aplicação, numa engenharia reversa.
Abri uma instância nova do Claude Code, com o contexto zerado e em modo de planejamento, e escrevi com calma um prompt em Markdown. Ele pede uma pasta de specs com duas camadas. A de aplicação, com a visão de produto, traz o contexto, as regras de negócio e um glossário, para a mesma coisa não ganhar três nomes e três funções duplicadas pelo projeto. A de arquitetura traz os padrões, a stack e os gates.
Por cima, um contrato de features: toda funcionalidade nova precisa de uma spec com contexto, comportamento, critérios de aceite e inputs do usuário. Funciona como o contrato de aluguel de uma casa, e daí em diante não entra mais qualquer prompt. O Claude Code disparou subagentes para mapear o projeto, e eu pedi que ele atualizasse o CLAUDE.md junto, porque, se as specs mudam e ele não, a IA continua enxergando tudo errado.
"Felipão, o projeto ficou burocrático." Sim, essa é a ideia: com o contrato definido, a IA gasta menos tokens explorando. Na vida real, eu nunca começo no puro vibe coding. Primeiro monto essa estrutura e só depois ganho uma zona segura para ele, como numa fazenda de formigas: você não sabe onde a formiga vai estar amanhã, mas sabe até onde ela pode ir. Esqueça a velocidade e foque em capacidade.
O que o mercado está perguntando
Numa entrevista hoje, há boa chance de ouvir: quem é você, o que você faz e quais são os seus agentes? A empresa também avalia a sua capacidade de orquestrar um time de agentes. Prompt é o mínimo que pedem, a ponta do iceberg. Depois vêm saber quando usar uma LLM ou um modelo menor e especialista, o harness, que é toda a estrutura que você monta em volta do projeto para aproveitar o melhor da IA, e a engenharia de contexto.
E a técnica pesa mais que a ferramenta. Dá para fazer tudo isso no Codex ou no Antigravity. Entregue o mesmo modelo a duas pessoas e cada uma vai extrair um resultado diferente. Sem técnica, você só queima tokens mais rápido.
Para continuar daqui
Na quinta, 29/10, às 19h, tem a Imersão em Vibe Coding: 7 regras para usar IA com segurança, comigo. É o passo seguinte ao que você viu aqui, e quem estiver ao vivo vai ter a chance de garantir uma das bolsas de estudo do DIO PRO Vitalício com condição especial.
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IL
Essa de queimar 400k tokens pra descobrir que o agente virou redator e a barra abriu no monitor errado foi cirúrgica, Felipão!
A analogia da fazenda de formigas resume tudo: vibe coding puro é divertido até você perceber que virou refém do próprio monstro, gastando o dobro de prompt pra consertar o que a IA "achou" que devia fazer. Definir
CLAUDE.md, specs blindadas e contrato de features antes de soltar a primeira linha não é burocracia, é a única garantia de que a LLM tá trabalhando pra você, e não você trabalhando de 'faxineiro' dela.