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Helio Roberto
Helio Roberto11/10/2026 22:38
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Da Operação à Tecnologia: Transformando 17 anos de experiência em uma nova carreira.

    Como uma carreira de 17 anos em Operações, projetos práticos e novas experiências de aprendizagem estão me ajudando a construir uma trajetória em Tecnologia.

    A tecnologia entrou na minha vida muito antes de eu querer trabalhar na área

    Minha relação com a tecnologia não começou quando decidi fazer uma transição de carreira.

    Ela começou ainda na infância.

    Lembro do primeiro contato com aqueles computadores antigos, com processadores i486 e Windows 95. Meu irmão ganhou um computador e eu fiquei fascinado com aquilo. Como era possível utilizar um mouse e um teclado e fazer coisas aparecerem na tela? Como aquele equipamento conseguia executar tantas funções?

    A curiosidade foi crescendo.

    Mais tarde, ganhei meu primeiro computador, um PC TV da Positivo com Pentium 4. Na época, eu considerava aquilo uma máquina incrível. Passei muito tempo explorando, instalando programas e tentando descobrir até onde conseguia chegar.

    Até que um dia descobri a famosa tela azul da morte.

    O computador parou de funcionar.

    Tentei utilizar o CD de recuperação que acompanhava o equipamento, mas não consegui resolver. O computador precisou ir para uma assistência técnica.

    Quando voltou, aquilo acabou se transformando em uma oportunidade de aprendizado. Comecei a estudar como fazer boot pelo CD, criar cópias de sistemas, realizar backups e solucionar problemas. Aos poucos, deixei de ser apenas um usuário e passei a entender melhor o funcionamento do computador.

    E esse processo continuou.

    Na adolescência, enquanto jogava Tibia com meus amigos, surgiu outra ideia: por que não criarmos nosso próprio servidor?

    Comecei a pesquisar documentação, fóruns e tutoriais. Aprendi a editar arquivos .lua, configurar portas e rede para permitir acesso externo, modificar mapas e criar conteúdos próprios, incluindo quests, itens e sistemas.

    Naquele momento, eu não estava pensando em carreira.

    Eu estava simplesmente curioso.

    Mas olhando para trás, percebo que aquele comportamento já mostrava algo que continua presente em mim até hoje: quando encontro algo que não sei fazer, minha primeira reação é tentar descobrir como funciona.

    Quando a tecnologia precisou dividir espaço com a carreira

    Aos 20 anos, comecei a trabalhar e também iniciei o curso de Bacharelado em Ciência da Computação.

    Foi uma experiência marcante. Eu gostava de entender como os computadores funcionavam, os conceitos de programação, os sistemas binários e as camadas de comunicação em redes.

    Consegui cursar três anos.

    Porém, minha carreira em Operações começou a avançar. Fui promovido e as responsabilidades profissionais aumentaram. Precisei interromper a faculdade.

    A tecnologia não desapareceu da minha vida.

    Ela apenas ficou em segundo plano.

    Meu interesse continuou existindo, mas minha trajetória profissional seguiu por outro caminho. Ao longo de aproximadamente 17 anos, construí minha carreira em Operações, chegando a posições de liderança e desenvolvendo experiência em gestão de pessoas, processos, indicadores, análise e tomada de decisões.

    Hoje percebo que aquela experiência não foi um desvio da minha trajetória, mas sim uma parte dela.

    Quando comecei a enxergar problemas como oportunidades

    Com o passar dos anos, comecei a perceber cada vez mais oportunidades para utilizar tecnologia dentro da própria operação.

    Sempre tive um perfil analítico e voltado para processos. Quando encontrava algum problema, muitas vezes minha primeira pergunta era:

    "Será que existe uma maneira melhor de fazer isso?"

    Na empresa, comecei inclusive a resolver pequenos problemas relacionados a computadores, impressoras, terminais e conexões de rede. O pessoal da loja passou a me procurar quando algum equipamento apresentava problemas.

    Acabei virando, como costumo brincar, o "TI particular" da loja.

    Mas a ideia evoluiu.

    Comecei a pensar em soluções próprias para problemas reais da operação.

    Um exemplo é o Ruptura+, uma aplicação criada para auxiliar no cadastro de produtos em ruptura no e-commerce.

    Outro projeto surgiu para facilitar inventários: a aplicação recebe uma planilha-base com os itens que precisam ser inventariados, compara com a planilha dos itens já contados e identifica o que ainda falta, além de apresentar um indicador percentual de contagem.

    São projetos simples quando comparados a grandes sistemas corporativos, mas possuem algo que considero muito importante:

    Eles nasceram de problemas reais.

    Hoje mantenho até um bloco de notas no celular onde registro ideias, problemas e possíveis soluções. Algumas ficam apenas como ideias; outras, quando fazem sentido, acabam virando projetos.

    Foi assim que comecei a mudar minha forma de enxergar tecnologia.

    Passei a não procurar apenas tecnologias para aprender.

    Passei a procurar problemas que poderiam ser melhor resolvidos com tecnologia.

    Uma segunda chance para a Tecnologia

    Foi nesse contexto que decidi voltar formalmente para a área.

    Atualmente curso Gestão da Tecnologia da Informação e estou reconstruindo uma trajetória que havia sido interrompida anos atrás.

    Mas existe uma diferença importante entre o Hélio que começou Ciência da Computação no passado e o profissional que está estudando Tecnologia hoje.

    Hoje eu trago comigo 17 anos de experiência profissional.

    Trago liderança, gestão de pessoas, processos, indicadores, pressão por resultados, visão operacional e tomada de decisão.

    Ao mesmo tempo, estou desenvolvendo conhecimentos em programação, dados, cloud computing, inteligência artificial, automação, infraestrutura e cibersegurança.

    Por isso, não vejo essa mudança como simplesmente abandonar uma carreira e começar outra.

    Vejo como uma tentativa de conectar duas experiências.

    Aprender muito também pode virar um problema

    Quando comecei a faculdade novamente, tive uma verdadeira corrida pelo conhecimento.

    Estudava antes do trabalho, depois do trabalho, durante o horário de almoço e nos momentos livres. Em poucos meses, acumulei muitos cursos e certificações.

    Hoje já ultrapassei 90 certificações e cursos concluídos.

    Mas, olhando para trás, percebi que quantidade não poderia ser o único objetivo.

    Cheguei a um ponto em que percebi que estava estudando tanto que começava a deixar outras áreas da minha vida de lado.

    Foi quando precisei parar e reorganizar minha estratégia.

    Hoje, quando aparece um novo curso, procuro avaliar algumas coisas:

    Ele realmente contribui para minha carreira?

    Quanto tempo vai consumir?

    Qual o impacto desse conhecimento na minha transição?

    Existe algo mais prioritário neste momento?

    Passei de uma busca por quantidade de conhecimento para uma busca por conhecimento com propósito.

    E existe outra coisa que considero ainda mais importante:

    conhecimento precisa ser aplicado.

    Uma certificação pode mostrar que estudamos determinado assunto, mas a prática ajuda a demonstrar o que realmente conseguimos fazer com aquilo.

    Nem toda aplicação precisa virar um projeto público no GitHub.

    Pode ser uma consulta de indicadores no Power BI, uma automação no trabalho, uma ferramenta para economizar tempo ou simplesmente um exercício desenvolvido para fixar determinado conceito.

    Para mim, aprender passou a significar:

    estudar → praticar → aplicar → refletir → melhorar.

    Quando um projeto começou a mudar minha forma de pensar

    Um dos projetos que marcou essa evolução foi um robô desenvolvido com ESP32.

    Era algo que eu sempre tive vontade de fazer e acabou sendo um excelente projeto para colocar programação e robótica em prática.

    Tive dificuldades para trabalhar a lógica dos sensores, motores e demais componentes. Foram muitas horas programando, testando e corrigindo.

    Até que chegou o momento em que o robô começou a andar sozinho pela casa e identificar obstáculos.

    Foi uma sensação muito boa.

    Aquilo que existia apenas como código, componentes e horas de tentativa finalmente estava funcionando de forma independente.

    Depois disso, comecei a perceber que projetos tinham um efeito diferente em mim.

    Eles não apenas ensinavam uma tecnologia.

    Eles desenvolviam minha capacidade de buscar soluções.

    Hoje considero a Aurora Station o projeto que melhor representa essa evolução. É um projeto pessoal mais ambicioso, que reúne ideias relacionadas a inteligência artificial, agentes, automação, voz, IoT e integração entre software e hardware.

    Ela ainda está em desenvolvimento, mas representa algo importante para mim: a capacidade de pegar uma ideia que existia apenas na minha cabeça e começar a transformá-la em uma estrutura concreta.

    O desafio de entrar em Tecnologia

    Apesar de todo esse aprendizado, existe uma parte da transição que ainda estou vivendo: conseguir minha primeira oportunidade profissional em Tecnologia.

    E essa talvez seja uma das partes mais difíceis.

    É comum encontrar vagas anunciadas como posições de entrada ou sem experiência, mas que apresentam uma lista extensa de conhecimentos: Python, SQL, Power BI, Java, entre outras tecnologias.

    Para quem já possui uma carreira consolidada em outra área, existe uma sensação curiosa.

    Você pode ter anos de experiência profissional, liderança e responsabilidade, mas, quando entra em um processo seletivo de Tecnologia, muitas vezes parece que toda essa experiência deixa de ter o mesmo peso.

    Foi algo que me fez questionar:

    "Será que sou bom o suficiente para fazer essa transição?"

    Em alguns momentos, pensei até se não seria melhor continuar exclusivamente na área em que já possuo experiência. Mas não desisti, apenas mudei a estratégia.

    Passei a olhar também para oportunidades de estágio e trainee, entendendo que talvez esse seja o caminho mais adequado para transformar meu conhecimento técnico em experiência profissional.

    E os processos seletivos também passaram a ser uma forma de aprendizado.

    Quando erro, procuro entender o motivo.

    Quando algo não funciona, tento descobrir o que posso melhorar.

    Tentativa, erro, aprendizado, correção e uma nova tentativa.

    Talvez essa seja uma das maiores lições que essa transição já me ensinou: resiliência não significa simplesmente insistir. Significa aprender enquanto insiste.

    O que o DIO Campus Expert acrescentou à minha jornada

    Foi nesse momento da minha trajetória que participei do DIO Campus Expert — Turma 17.

    Quando recebi o convite, confesso que fiquei surpreso. Eu não considerava meu perfil tão ativo dentro da comunidade e também não imaginava que seria selecionado.

    A proposta do programa me chamou a atenção justamente pela possibilidade de ampliar meu networking, trocar conhecimentos com outros participantes e ter contato com profissionais do mercado. Achei a ideia interessante e, como já estava buscando novas oportunidades na área de Tecnologia, decidi participar.

    Ao longo do programa, percebi que meu aproveitamento em algumas atividades foi diferente do que eu inicialmente imaginava. Como eu já vinha estudando Tecnologia, desenvolvendo projetos e buscando conhecimento por conta própria, alguns dos conteúdos apresentados acabaram sendo familiares para mim. Em outras mentorias, porém, encontrei conteúdos que agregaram bastante à minha jornada, principalmente nas discussões sobre posicionamento profissional, LinkedIn, GitHub e possibilidades de carreira internacional.

    Ainda assim, encontrei aprendizados que foram relevantes para o momento profissional que estou vivendo.

    O Campus Expert não iniciou minha transição para Tecnologia.

    Essa jornada já estava acontecendo.

    O que ele ajudou a reforçar foi uma percepção que eu precisava colocar no mesmo nível do conhecimento técnico:

    Não basta construir competências. Também precisamos aprender a comunicar o valor dessas competências.

    Do depósito de códigos ao passaporte profissional

    Antes de reorganizar meu GitHub, eu o enxergava principalmente como um depósito de códigos e projetos.

    Hoje vejo de outra forma.

    Ele pode funcionar como uma espécie de passaporte profissional: uma maneira de apresentar aquilo que consigo construir antes mesmo de uma entrevista.

    Foi por isso que decidi reformular meu perfil, organizar minha experiência, apresentar meus projetos e deixar mais claro o caminho que estou construindo.

    Quero que alguém que entre no meu GitHub consiga perceber rapidamente:

    quem eu sou, de onde venho, o que estou estudando, o que estou construindo e para onde estou indo.

    Essa mudança pode parecer apenas visual, mas para mim representa algo maior.

    Representa maturidade profissional.

    Ainda não cheguei lá

    Minha transição ainda não terminou.

    Ainda estou estudando.

    Ainda estou participando de processos seletivos.

    Ainda existem lacunas técnicas que preciso preencher.

    Ainda preciso melhorar meu inglês.

    E ainda existem momentos de dúvida.

    Mas hoje tenho uma visão diferente de quando comecei.

    Se eu pudesse voltar no tempo e conversar com o Hélio que estava começando essa jornada novamente, eu diria:

    não deixe o tempo passar.

    Talvez eu pudesse ter começado antes.

    Talvez pudesse ter mantido minha formação em Tecnologia ativa mesmo enquanto minha carreira em Operações avançava.

    Mas não posso mudar o passado.

    Posso decidir o que fazer com a experiência que acumulei até aqui.

    E é exatamente isso que estou tentando fazer.

    O que eu aprendi até aqui

    Se alguém que já possui uma carreira em outra área me perguntasse se é possível migrar para Tecnologia, minha resposta seria:

    sim, mas não espere que seja fácil.

    Uma transição de carreira exige tempo, estudo, investimento, prática, paciência e, principalmente, disposição para começar uma nova etapa sem apagar aquilo que você já construiu.

    Se você está fazendo dezenas de cursos, minha sugestão seria simples:

    não espere terminar todos para começar a praticar.

    Ao concluir um curso, tente criar alguma coisa.

    Resolva um problema.

    Faça um exercício.

    Automatize uma tarefa.

    Analise um conjunto de dados.

    Construa alguma coisa pequena.

    Mostre o que aprendeu.

    Porque conhecimento acumulado é importante, mas conhecimento aplicado começa a construir experiência.

    E talvez essa seja a maior mudança que aconteceu comigo durante essa jornada.

    Eu comecei querendo aprender Tecnologia.

    Hoje quero usar Tecnologia para resolver problemas.

    Para quem também está tentando mudar

    Minha transição ainda está acontecendo.

    Eu ainda não posso dizer que consegui chegar ao lugar que desejo.

    Mas posso dizer que hoje conheço melhor o caminho.

    Se você está passando por algo parecido, talvez receba alguns "nãos" antes de encontrar o primeiro "sim".

    Não transforme o primeiro não em uma conclusão sobre sua capacidade.

    Respire.

    Analise o que aconteceu.

    Descubra onde pode melhorar.

    Faça a correção.

    E tente novamente.

    Porque talvez a oportunidade que você procura não esteja esperando apenas alguém com o conjunto perfeito de conhecimentos.

    Talvez esteja esperando alguém que consiga demonstrar experiência, capacidade de aprender, vontade de resolver problemas e disposição para continuar evoluindo.

    Eu ainda estou tentando construir esse profissional.

    E talvez essa seja a parte mais importante da minha história:

    eu não estou começando do zero.

    Estou levando 17 anos de experiência comigo enquanto construo uma nova carreira.

    E você?

    Se também está vivendo uma transição de carreira, qual conhecimento da sua trajetória atual você acredita que pode se transformar em uma vantagem na próxima etapa?

    Compartilhe sua experiência nos comentários. Talvez aquilo que hoje parece apenas parte da sua história profissional seja justamente o conhecimento que fará diferença na sua próxima oportunidade.

    #TransiçãoDeCarreira #Tecnologia #TecnologiaDaInformação #CarreiraEmTI #DIOCampusExpert #DIO

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