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Júlia Santos
Júlia Santos09/03/2026 20:22
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Do terminal ao GitHub: como documentei o hardware do meu notebook com Obsidian

    Recentemente decidi transformar meu notebook atual em um pequeno projeto de documentação técnica.

    A proposta era simples no começo: levantar as informações de hardware da máquina, registrar benchmarks e organizar tudo de uma forma que fizesse sentido para consultas futuras. Mas, no processo, isso acabou virando algo mais interessante: uma baseline técnica do meu ambiente, documentada em Markdown no Obsidian e versionada em um repositório no GitHub.

    Mais do que listar especificações, a ideia foi praticar algo que considero muito valioso em tecnologia: entender o ambiente real, documentar de forma estruturada e gerar material que possa ser revisitado no futuro.

    Objetivo do projeto

    O objetivo principal foi criar um registro técnico do estado atual do meu notebook para servir como ponto de comparação em situações como:

    • manutenção
    • upgrades
    • mudança de sistema
    • comparação de desempenho
    • análise de comportamento ao longo do tempo

    Ao mesmo tempo, também aproveitei esse processo como exercício prático de documentação técnica, organização de informação e uso de ferramentas que fazem sentido no dia a dia de quem trabalha ou estuda tecnologia.

    Ferramentas utilizadas

    Para montar essa documentação, usei um fluxo que gostei bastante:

    • Terminal Linux para coletar informações do sistema, hardware e benchmarks
    • Obsidian para organizar tudo em Markdown
    • GitHub para versionar e publicar a documentação
    • Markdown como formato principal do relatório

    Esse processo deixou o projeto mais interessante porque a documentação não ficou solta em anotações isoladas. Ela passou a existir como um material técnico organizado, editável e versionável.

    O ambiente documentado

    O equipamento analisado foi um Dell Inspiron 5468, em configuração multi-boot, usado com diferentes sistemas conforme o contexto de uso.

    O ambiente inclui:

    • Ubuntu
    • Windows 11
    • Kali Linux

    A ideia de documentar esse cenário foi justamente registrar uma máquina de uso real, com múltiplos sistemas, diferentes contextos de uso e limitações concretas de hardware.

    Como fiz a coleta

    Toda a coleta foi feita pelo terminal do Linux, usando comandos para identificar:

    • sistema operacional e kernel
    • CPU
    • memória RAM
    • BIOS e placa-mãe
    • GPU e driver gráfico
    • armazenamento e partições
    • saúde do SSD com SMART
    • interfaces de rede
    • bateria
    • sensores e temperaturas
    • benchmarks de CPU e disco

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    Além disso, fui salvando saídas relevantes e organizando a interpretação no Obsidian, em vez de apenas colar blocos brutos de terminal.

    Esse ponto foi importante para mim: o foco não era só “rodar comandos”, mas transformar dados em documentação útil.

    Principais achados do hardware

    A máquina analisada tem a seguinte base:

    • CPU: Intel Core i3-6006U
    • Cores / threads: 2 núcleos / 4 threads
    • GPU: Intel HD Graphics 520
    • Memória RAM: 12 GB DDR4
    • Armazenamento: SSD Kingston A400 480 GB
    • Firmware: BIOS Dell com suporte a UEFI
    • Estrutura de disco: GPT com partições para múltiplos sistemas

    Mesmo sendo um equipamento mais antigo, achei interessante ver como ele ainda entrega um conjunto funcional para estudo, produtividade, terminal, documentação, navegação e desenvolvimento leve.

    Análise por componente

    Processador

    O Intel Core i3-6006U é um processador de entrada da 6ª geração da Intel. Ele não foi projetado para cargas pesadas, mas ainda atende bem tarefas como:

    • navegação
    • estudos
    • multitarefa moderada
    • uso de terminal
    • documentação técnica
    • desenvolvimento leve

    O benchmark de CPU com sysbench registrou 270.60 events/s, o que é coerente com a proposta desse processador: estabilidade em tarefas cotidianas, mas com limites claros em workloads mais exigentes.

    Memória RAM

    Um dos pontos que mais me chamou atenção foi a configuração de memória:

    • 8 GB DDR4 Samsung
    • 4 GB DDR4 em um segundo módulo
    • total de 12 GB instalados
    • capacidade máxima da placa: 16 GB

    Embora a quantidade total ainda seja razoável para muitos cenários, a máquina usa módulos diferentes, com clocks nominais distintos, operando em velocidade ajustada para compatibilidade. Isso não inviabiliza o uso, mas mostra um ponto que poderia ser melhorado no futuro com uma configuração mais equilibrada.

    Armazenamento

    O SSD identificado foi um Kingston A400 de 480 GB, com interface SATA.

    Os testes mostraram resultados compatíveis com a categoria do dispositivo:

    • leitura em torno de 336 MB/s
    • escrita sequencial em torno de 366 MB/s

    Para um SSD SATA de entrada, esse desempenho é suficiente para garantir boa responsividade no uso diário, inicialização do sistema e abertura de programas.

    Além disso, a análise SMART indicou:

    • saúde geral aprovada
    • suporte a TRIM
    • temperatura normal
    • vida útil restante em 95

    Ou seja, o SSD segue funcional e saudável no geral.

    Ponto de atenção no SSD

    Apesar do estado geral positivo, apareceu um contador SMART de erros CRC SATA muito alto, o que merece observação.

    Esse tipo de indicador nem sempre significa desgaste interno do SSD. Em muitos casos, ele pode estar relacionado a histórico de comunicação na interface SATA. Ainda assim, achei importante registrar isso na documentação, justamente porque a ideia da baseline é também destacar pontos que merecem acompanhamento futuro.

    GPU

    A GPU detectada foi a Intel HD Graphics 520, usando o driver i915.

    Como esperado de uma solução integrada, ela atende bem:

    • interface gráfica
    • navegação
    • reprodução de mídia
    • produtividade
    • uso geral do sistema

    Ao mesmo tempo, deixa claro o limite do equipamento em cenários gráficos mais pesados, como jogos exigentes, renderização 3D ou edição mais intensa.

    Bateria

    Outro dado interessante foi o estado da bateria. A coleta indicou cerca de 85,39% da capacidade original, o que considero um resultado bom para um notebook dessa geração.

    Isso mostra um desgaste natural, mas ainda com condição utilizável para mobilidade e uso cotidiano sem um comprometimento extremo.

    Temperaturas

    As leituras de sensores mostraram temperaturas saudáveis no momento da coleta, com a CPU operando na faixa de 42°C a 43°C em uso leve.

    Esse tipo de dado complementa bem a documentação porque ajuda a entender não só o que a máquina “tem”, mas também como ela está se comportando.

    O papel do Obsidian nesse processo

    Um dos pontos que mais gostei nesse projeto foi usar o Obsidian para estruturar a documentação.

    Em vez de deixar comandos e resultados espalhados, consegui montar um relatório técnico com:

    • seções bem definidas
    • inventário de hardware
    • benchmarks
    • interpretação dos dados
    • observações sobre gargalos e pontos de atenção

    Usar Markdown também tornou tudo mais portátil, legível e fácil de versionar.

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    GitHub como repositório da documentação

    Depois de estruturar a documentação no Obsidian, levei o material para um repositório no GitHub.

    Isso adicionou uma camada muito interessante ao projeto, porque a documentação deixa de ser apenas um arquivo local e passa a ter:

    • histórico de alterações
    • versionamento
    • organização de projeto
    • potencial de portfólio técnico

    Na prática, isso transformou uma atividade que poderia ser apenas um levantamento de hardware em algo mais próximo de um projeto real de documentação.

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    O que esse exercício me mostrou

    Esse processo reforçou uma ideia importante para mim: até um notebook de uso pessoal pode virar um excelente exercício técnico quando a proposta não é apenas observar o hardware, mas documentar, interpretar e acompanhar o ambiente.

    Mais do que registrar especificações, esse projeto me ajudou a praticar:

    • leitura de informações do sistema
    • análise de desempenho
    • documentação técnica
    • organização em Markdown
    • versionamento com GitHub

    Conclusão

    Criar uma baseline técnica do meu notebook foi uma forma prática de unir análise de sistema, documentação e organização de projeto.

    O resultado não foi apenas uma lista de peças ou um conjunto de prints do terminal, mas um material técnico estruturado, construído no Obsidian e preparado para acompanhamento futuro no GitHub.

    Para mim, esse foi o ponto mais interessante do projeto: transformar uma máquina real, com limitações reais e uso real, em um caso prático de documentação técnica.

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