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Joelma Campos
Joelma Campos14/10/2026 21:15
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O mundo "resetado" pela IA

  • #Inteligência Artificial (IA)

Se você trabalha com tecnologia, provavelmente já sentiu aquele frio na barriga ao abrir o LinkedIn e ver mais um post dizendo que "programador vai acabar" ou que "essa nova ferramenta substitui um time inteiro". Eu já senti, e eu que estou começando agora nesta area, já me perguntei se vale a pena continuar investindo tempo e dedicação. E, depois de um tempo, percebi que a pergunta não é se a IA vai mudar o jogo, porque ela já mudou. A pergunta é o que a gente faz agora.

Esse foi um dos temas das mentorias do programa DIO Campus Expert, e confesso que foi um dos que mais me marcaram. Achei um assunto super importante, daqueles que todo mundo na área sente na pele, mas que quase ninguém para pra discutir com calma. O tema me fez organizar o que eu já vinha sentindo, e é isso que quero compartilhar aqui, sem pânico e sem euforia.

Por que "resetado"?

Usei essa palavra porque é a que melhor descreve a sensação. Quando você aprendeu a programar, ou a trabalhar com dados, infraestrutura, design, havia um caminho mais ou menos claro: estudar a linguagem, fazer projetos, conseguir a primeira vaga, crescer. De repente, tarefas que levavam horas passaram a levar minutos. Código que a gente escrevia com esforço, um assistente gera em segundos. Parece que todo mundo voltou para a casa de partida.

Mas "resetar" não é o mesmo que "apagar". O que a IA zerou foi a vantagem de quem sabia só executar uma tarefa específica. O que ela não zerou, pelo menos até agora, foi a capacidade de entender um problema, escolher o que vale a pena resolver e responder pelo resultado.

O que mudou na prática

A mudança mais clara é esta: escrever código deixou de ser o gargalo. O gargalo agora é saber o que pedir, como avaliar o que veio e onde aquilo pode quebrar.

Quando uso um assistente para gerar uma função, por exemplo, o trabalho de verdade começa depois:

  • Isso resolve o problema real ou só o que eu descrevi?
  • Tem algum caso de borda que ficou de fora?
  • Essa solução se encaixa na arquitetura que já existe?
  • Eu conseguiria explicar esse código para outra pessoa do time?

Se eu não consigo responder essas perguntas, não importa quão bonito o código pareceu. Aceitar sugestão de IA sem revisar direito costuma sair caro depois, com bug em produção e horas de depuração.

A IA não substitui o humano, e o atendimento virtual é a prova

Aqui está um ponto que eu considero fundamental. Apesar de todo o barulho, a IA não vai substituir o ser humano, e o exemplo mais claro disso está no nosso dia a dia como consumidores: os atendentes virtuais.

Vou contar uma situação de hoje mesmo. Precisei pedir orçamento de um exame e entrei em contato com algumas clínicas aqui da minha cidade. Foi uma experiência horrível. Em todas, o atendimento era um menu travado: "digite 1 para isso, digite 2 para aquilo". Se eu escrevia qualquer coisa que não fosse um número, o sistema simplesmente não respondia, ou devolvia o mesmo menu. Não levava a lugar nenhum. Uma pergunta simples, que uma pessoa responderia em um minuto, virou perda de tempo e muita frustração.

E essa é só uma entre infinitas situações parecidas. Eu passo muita raiva com esses atendimentos, e tenho certeza de que você também. Por isso, quase sempre, minha primeira atitude é pedir para falar com um atendente humano, porque sei que o virtual não vai resolver.

O problema é que esses assistentes, na maioria das vezes, funcionam como um roteiro: seguem um fluxo configurado de antemão, e quando a pergunta sai desse caminho, eles não sabem o que fazer. A ferramenta em si pode ser ótima, mas foi mal configurada, com opções limitadas, pensadas mais para reduzir custo de atendimento do que para resolver a demanda do cliente. O resultado é frustração, tempo perdido e problema sem solução.

E é aí que entra o que a tema me ajudou a enxergar: por trás de toda automação boa existe uma pessoa que entendeu o problema do cliente, desenhou o fluxo, pensou nas exceções e continua acompanhando se aquilo está funcionando. Quando essa pessoa não existe, a tecnologia vira obstáculo. Situações fora do padrão, que exigem contexto, empatia e julgamento, continuam pedindo alguém do outro lado. A IA pode ajudar muito, mas quem responde pelo resultado ainda é o humano.

Para quem trabalha com tecnologia, isso é uma lição de carreira: saber construir e configurar soluções com olhar de quem vai usar vale muito mais do que apenas saber ligar a ferramenta.

Fundamentos valem mais, não menos

Existe uma ideia perigosa circulando por aí: "se a IA faz, não preciso aprender". Eu penso quase o contrário. Quem tem base sólida usa a IA como alavanca. Quem não tem usa como muleta, e muleta não leva a lugar nenhum quando o terreno muda.

Lógica de programação, estrutura de dados, banco de dados, redes, versionamento, noções de segurança. Nada disso ficou obsoleto. Na verdade, são justamente essas bases que permitem olhar para uma resposta da IA e dizer "isso está errado" ou "isso funciona, mas dá para melhorar". Sem elas, a gente estaria apenas copiando, colando e torcendo para dar certo.

Habilidades que estou priorizando

Não tenho uma fórmula, mas posso dizer no que estou investindo meu tempo:

Pensamento crítico. Saber questionar uma resposta, inclusive quando ela vem com muita confiança. A IA erra de forma convincente, e isso exige atenção.

Comunicação. Explicar um problema com clareza ajuda tanto com pessoas quanto com prompts. Quem escreve bem, pede bem.

Visão de negócio e de quem usa. Entender por que uma funcionalidade existe, e como ela vai ser sentida por quem está do outro lado, muda completamente a qualidade do que você entrega. O atendimento virtual que irrita o cliente é o oposto disso.

Como começar sem se perder

Se você está começando ou se sente atrasado, minha sugestão é simples:

  1. Escolha uma ferramenta e use de verdade por duas semanas. Não adianta saber o nome de dez, é melhor dominar uma.
  2. Construa um projeto pequeno com ajuda da IA, mas entendendo cada parte. Se não entendeu uma linha, pergunte, pesquise, teste.
  3. Compartilhe o que aprendeu. Escrever um artigo como este obriga você a organizar o raciocínio, e a comunidade devolve com feedback.

Sobre o medo

Seria desonesto dizer que não existe motivo para preocupação. Algumas funções vão mudar bastante e outras vão diminuir. Isso é real e não adianta fingir o contrário.

Só que a história da tecnologia mostra um padrão: cada onda elimina certas tarefas e cria outras que ninguém imaginava. Quem se adapta costuma encontrar espaço. Quem espera tudo ficar claro para agir geralmente chega tarde.

Prefiro encarar a IA como um colega de trabalho muito rápido, mas sem senso de responsabilidade. Ele acelera o meu trabalho, e eu continuo sendo quem decide e quem responde pelo resultado.

Conclusão

O mundo não foi apagado, ele foi reorganizado. As regras de entrada mudaram, e isso é desconfortável, mas também abre portas para quem está disposto a aprender de novo. Meu conselho, de quem também está tentando entender tudo isso: invista nos fundamentos, use a IA com senso crítico, mantenha a curiosidade e converse com outras pessoas que estão no mesmo barco.

A IA é uma ferramenta poderosa, mas ferramenta nenhuma resolve nada sozinha. Basta lembrar do último atendimento virtual que te tirou do sério para ver que, sem gente pensando, configurando e cuidando, a tecnologia só automatiza a frustração. Por isso considero esse um dos temas mais importantes que passaram pela mentoria do Campus Expert: ele não fala só de ferramenta, fala de como a gente se posiciona na carreira daqui pra frente.

E você, como tem lidado com essas mudanças? Já passou raiva com algum atendente virtual? Conta aqui nos comentários, vou gostar de saber!

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