🦾IA na Programação: Produtividade, Aprendizado e a Quebra de um Paradigma
Nos últimos meses, comecei a utilizar IA de forma mais ativa no meu processo de desenvolvimento — especialmente com o Copilot — e a experiência tem sido transformadora, tanto em produtividade quanto em aprendizado.
Como aprendiz em Spring Boot, meu fluxo inicial era bastante tradicional:
criar manualmente uma classe Model, definir suas estruturas, e a partir dela desenvolver Controllers, Services, DTOs, interfaces, implementações e integrações com banco de dados. Esse processo, embora didático, consumia um tempo considerável — e estava sujeito a erros simples de digitação e inconsistências de padrão.
Usando um objeto como referência
O ponto de virada aconteceu quando passei a usar uma classe já desenvolvida como exemplo-base.
Depois de estruturar corretamente um Model completo — com CRUD genérico, integração com o banco e padrões bem definidos — passei essa referência para a IA e pedi que ela gerasse as demais classes seguindo exatamente o mesmo padrão.
⚙️ Resultado prático:
- O que antes levava cerca de 30 minutos, passou a levar 5 minutos.
- Redução drástica de erros repetitivos.
- Padronização mais consistente entre classes.
Importante destacar: as regras de negócio específicas não foram delegadas à IA. Elas continuam sendo responsabilidade humana, pois exigem entendimento do domínio, contexto e decisão técnica.
IA não elimina conhecimento — ela exige validação
Um ponto que considero essencial:
gerar código não é o fim do processo — validar é a parte mais importante.
Após a geração automática, é necessário:
- Ler cada método
- Entender o fluxo
- Verificar responsabilidades
- Ajustar detalhes técnicos
- Debugar quando necessário
Esse processo de validação obriga o desenvolvedor a caminhar por todas as etapas do código. E aqui está um detalhe importante: o aprendizado não acontece apenas digitando, mas principalmente entendendo o que foi feito.
Copiar código sem compreender realmente não ensina.
Mas analisar, questionar, validar e corrigir código — ensina muito.
IA como mentora, não como muleta
Quando aliamos:
- Conhecimento prévio
- Curiosidade técnica
- Capacidade de debug
- Perguntas certas para a IA (pedindo explicações, passo a passo, justificativas)
… o aprendizado se torna muito mais rápido e profundo.
A IA pode:
- Explicar o código
- Justificar decisões
- Mostrar alternativas
- Ajudar a encontrar falhas
- Acompanhar o raciocínio etapa por etapa
Quebrando o paradigma
Existe um paradigma forte no desenvolvimento de software:
“Se você usar IA para programar, vai deixar de aprender.”
Na prática, isso não é uma verdade absoluta.
Existem perfis diferentes de aprendizado:
- Pessoas que aprendem mais digitando tudo manualmente
- Pessoas que aprendem mais analisando e validando o código pronto
E nenhum dos dois está errado.
A IA não substitui o conhecimento — ela potencializa o processo, desde que usada com consciência, senso crítico e responsabilidade técnica.
Conclusão
Usar IA para desenvolver código:
- Aumenta produtividade
- Reduz erros repetitivos
- Mantém padrões
- Acelera o aprendizado
- Exige mais responsabilidade técnica, não menos
No fim das contas, não é sobre quem escreveu o código, mas sobre quem entende, valida e sustenta esse código.
🚀 IA não é atalho preguiçoso. É ferramenta estratégica.
Tudo depende de como — e por que — você a utiliza.



